Dia a dia

Bairros de Manaus terão núcleos para prevenir desastres

Áreas de risco com encostas e barrancos localizadas nas zonas Leste e Norte de Manaus serão as contempladas- fotos: Marcio Melo

Áreas de risco com encostas e barrancos localizadas nas zonas Leste e Norte de Manaus serão as contempladas- fotos: Marcio Melo

Mesmo com o índice pluviométrico abaixo do normal para esta época do ano, em Manaus, a Defesa Civil do município concentra o monitoramento de áreas de risco nas zonas Norte e Leste, onde há as situações mais críticas. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou que, desde o início do mês até a manhã de ontem, o nível do volume de chuvas está em 128,3 milímetros, quando o padrão é de, no mínimo, 158 milímetros e, o máximo, de 212 milímetros.

O bairro Mauazinho, na Zona Leste, é prioridade porque possui pontos de polígonos de risco, denominação técnica para barrancos e encostas com risco de deslizamentos. Para evitar tragédias, o órgão está instalando Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil (Nupdecs) nessas áreas para prevenir possíveis desastres. Nos casos em que há danos na estrutura de moradias e pessoas desabrigadas, a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh) é acionada para dar apoio.

Alagamentos

As chuvas intensas dos últimos dias preocupam a dona de casa Ivaneide Ferreira da Silva, 64, que mora com o filho de 38 anos em uma casa de madeira à beira de um barranco no bairro Alfredo Nascimento, Zona Leste. Ela disse não ter para onde ir e torce para que as chuvas sejam fracas. “Moro aqui nesta casa cedida por uma colega minha há pouco mais de um mês. Preocupo-me tanto com o barranco à beira da pista quanto com esse dos fundos da casa. Aguento porque não tenho para onde ir, já que não sou aposentada e apenas vivo com a renda do meu filho, que é peixeiro”, relatou.

A diarista Marlene Rodrigues dos Santos, 41, foi surpreendida por uma enxurrada na madrugada da última quarta-feira, quando a força da chuva abriu uma parede de sua casa e passou levando todos os móveis e os moradores até a rua. “Moramos eu e meus filhos adolescentes. A minha filha de 18 anos foi arrastada para fora de casa, tamanha a força da enxurrada. Ela ficou ferida e eu também estou machucada”.

Toda a mobília da família foi perdida durante o temporal. Na manhã de ontem, uma equipe da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) estava no local fazendo a limpeza do barro e removendo entulhos. “Entramos em contato com a Defesa Civil para avaliar a estrutura da moradia, pois tememos que as paredes e o teto caiam na nossa cabeça se a gente voltar”, disse a diarista.

Já nas ruas Curió, Apocalipse e Jordão, situadas no bairro Nossa Senhora de Fátima, Zona Norte, o igarapé transbordou com a chuva de anteontem e invadiu diversas moradias. Os moradores relataram que o nível de inundação chegou a um metro dentro dos imóveis. O conferente de cargas e descarga Joeberson da Silva, 38, perdeu todos os eletroeletrônicos. “Só prejuízo. Perdi a moto, documentos ficaram molhados, roupas e todos os eletrônicos. Funcionários da prefeitura estiveram aqui e nos deram colchões e ranchos. Toda vez que chove é assim, mas nunca havia alagado nessa parte que moro”, afirmou Silva.

Morando em uma palafita no referido igarapé com três filhos adolescentes, a auxiliar de serviços gerais Vitória das Chagas Souza, 40, conta que sua casa não foi alagada pelo igarapé, mas por conta da moradia ser sustentada por pernamancas, teme haver desabamento. “Moro há quatro anos aqui e todo tempo é assim. Foi uma obra malfeita que fizeram no igarapé. Desde então piorou e quando chove a água chega até onde não alcançava anteriormente”, contou.

Além de destruir a parede da casa da diarista Marlene Santos, força d’água também arrastou a mobília

Além de destruir a parede da casa da diarista Marlene Santos, força d’água também arrastou a mobília

Chuvas estão abaixo da média

As chuvas que ocorreram nos últimos dois dias, no entanto, não devem ser uma constante ao longo do mês, já que segundo a previsão do Inmet a quantidade de precipitação deve ser abaixo da média. Para o fim de semana a previsão é de tempo instável com possibilidade de chuvas. “No sábado e no domingo a tendência é de tempo estável, sem chuva e temperaturas em elevação”, informou o meteorologista Gustavo Ribeiro.

Igarapé no bairro Nossa Senhora de Fátima transbordou e alagou várias casas, assustando os moradores

Igarapé no bairro Nossa Senhora de Fátima transbordou e alagou várias casas, assustando os moradores

Por Cecília Siqueira

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