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‘Avós da Praça de Maio’ localizam 117º neto desaparecido na ditadura

As ‘Avós da Praça de Maio’ anunciaram nesta segunda (31) que localizaram mais um neto de vítimas da ditadura militar argentina (1976-1983).

As ‘Avós’ estimam que 400 crianças tenham tido a identidade alterada e foram adotadas de maneira clandestina durante a ditadura. Seus pais foram mortos pela repressão.

A entidade faz uma campanha na Argentina para que pessoas que têm idade ao redor de 40 anos e que desconfiem de que sejam filhos de desaparecidos procurem as Avós para fazer um teste de DNA.

A neta localizada não teve seu nome revelado.

Ela é filha de Wálter Dominguez e Gladys Castro, que desapareceram em dezembro de 1977 na província de Mendoza, quando Gladys estava grávida de seis meses.

Dominguez militava no Partido Comunista Marxista Leninista.

Ao lado das avós biológicas da neta localizada, a dirigente das Avós da Praça de Maio, Estela Carlotto, disse que a jovem descobriu há poucos dias sua verdadeira identidade.

Segundo Carlotto, ela relatou que sempre soube que não era filha verdadeira do casal que a criou.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, o 106º neto desaparecido, Pablo Gaona Miranda, contou que viveu momentos de angústia antes de decidir buscar sua identidade.

As pessoas que adotaram essas crianças clandestinamente são processadas e podem ser condenadas à prisão.

Segundo Carlotto, em 1994, o Movimento Ecumênico pelos Direitos Humanos de Mendoza enviou às Avós uma denúncia sobre uma jovem nascida em março de 1978 que apareceu na casa de um casal mais velho de um dia para outro.

Em 2009, a Comissão Nacional de Direito a Identidade (Conadi) assumiu o caso e, em 2014, uma equipe contatou a jovem para lhe informar que ela poderia ser uma neta desaparecida.

Carlotto diz que ela aceitou fazer um teste de DNA para confrontar seu exame com o banco de identidade genética mantido pelas Avós.

No ano passado, Estela Carlotto localizou o próprio neto, Ignácio Hurban, cujo nome de batismo era Guido Montoya Carlotto.

Ele nasceu em um centro de detenção clandestino, e sua mãe, Laura Carlotto, foi assassinada.

Por Folhapress

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