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Avô de garoto-propaganda do EI diz que criança é usada como escudo

"Vamos matar os kafir [infiéis] dali", diz em inglês o menino, provavelmente com menos de cinco anos, vestindo roupa camuflada e apontando para o horizonte - foto: divulgação

“Vamos matar os kafir [infiéis] dali”, diz em inglês o menino, provavelmente com menos de cinco anos, vestindo roupa camuflada e apontando para o horizonte – foto: divulgação

“Vamos matar os kafir [infiéis] dali”, diz em inglês o menino, provavelmente com menos de cinco anos, vestindo roupa camuflada e apontando para o horizonte. São as últimos segundos de um vídeo atribuído à facção terrorista Estado Islâmico divulgado no domingo (3), com o assassinato de cinco homens acusados pelos milicianos de serem espiões do governo britânico.

Segundo o programa de TV Channel 4 News, a criança em questão é Isa, filho de uma londrina que se converteu ao islã e se mudou para a Síria anos atrás.

O programa entrevistou Henry Dare, que diz ser o avô da criança e pai de Khadijah, a mãe do garoto, a qual também já teria aparecido em outros vídeos de propaganda do EI. “Ele não sabe de nada. Ele é um menino. Estão usando-o como escudo”, diz Dare sobre o neto.

Channel 4

Khadijah Dare foi criada em Lewisham como cristã e com o nome de Grace. Sua família havia se mudado para o Reino Unido da Nigéria em 1987. A jovem se converteu ao islã durante a adolescência, mudou de nome e então viajou para a Síria.

Khadijah, seu marido e seu filho participaram de inúmeras propagandas da milícia. Em 2014, ela postou uma imagem no Twitter em que mostrava Isa, então com quatro anos, sorrindo e segurando um fuzil. Também há vídeos em que ela conta sobre sua vida na Síria e treina com uma Kalashnikov.

Segundo o jornal britânico “The Guardian”, Khadijah é a primeira ocidental que se sabe a ter viajado à Síria para se juntar a extremistas. “Quero ser a primeira mulher britânica a matar um terrorista norte-americano ou britânico”, disse ela, em certa ocasião.

De acordo com Dare, a filha esporadicamente tenta entrar em contato com a família por telefone. No entanto, ele diz que ignora suas ligações, por ela “ter trazido vergonha para nossa família e para ela mesma”.

As autoridades londrinas disseram ao “The Guardian” que não puderam confirmar a identidade da criança que aparece nas imagens

Ameaças

No vídeo, com quase onze minutos, um homem mascarado e com sotaque britânico diz que a facção invadirá o Reino Unido. Ele zomba do primeiro-ministro David Cameron, a quem chama de “escravo da Casa Branca” e “imbecil” por crer que pode derrotar “com um punhado de aviões” o “poderoso” Estado Islâmico na Síria e no Iraque. Em dezembro, o Reino Unido iniciou ataques aéreos contra alvos da facção na Síria, como parte de uma coalizão internacional liderada pelos EUA.

Cameron disse que o país não se deixará intimidar pelo vídeo, que classificou como uma “propaganda desesperada” de uma milícia que vem perdendo espaço.

Por Folhapress

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