Economia

Autoridades divergem sobre privatização e extinção de aeroportos do Amazonas

O complexo que abriga os principais terminais aeroportuários de Manaus deverá passar por mudanças a partir do próximo mês | Divulgação

A Comissão de Infraestrutura (CI) do Senado Federal confirmou que o Ministério dos Transportes vai prestar esclarecimentos sobre o plano de privatização de 54 aeroportos brasileiros, entre eles o de Manaus. Segundo a CI, o ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Mauricio Quintella Lessa, deve comparecer, a partir do mês de agosto, à comissão para prestar esclarecimentos sobre as concessões de aeroportos, obras em rodovias e ferrovias e a exploração de portos por parte da iniciativa privada.

O plano do governo é o de privatizar a Infraero, com direito a venda de suas partes e a possibilidade de concessão em blocos do sistema aeroportuário, operação que renderia R$ 43 bilhões aos cofres públicos. A expectativa é que a audiência pública com Quintella ocorra apenas após o retorno do recesso parlamentar, em agosto.

“A privatização é um crime de lesa-pátria”

Membro da CI, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) declarou que quer conhecer as consequências jurídicas, econômicas e sociais da privatização, especialmente para o aeroporto de Manaus. Vanessa alertou que o governo federal quer a extinção da Infraero até 2018, inclusive a saída da empresa do aeroporto de Manaus, que, atualmente, segundo a parlamentar, é o mais lucrativo da Infraero, por conta das operações de cargas do Polo Industrial de Manaus (PIM). “Se aeroporto é um problema que afeta a nação, para nós é um gargalo essencial. A privatização é um crime de lesa-pátria”, comentou.

“Acredito que seja uma medida boa e semeadora”

Por outro lado, o vice-presidente da Federação da Indústria do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, declarou que, caso a privatização se concretize, ele espera que venha oferecer um serviço de melhor qualidade, que possa até reduzir custos, desde que não implique em aumento de gastos e redução da competitividade de preço dos produtos que entram e saem pelo aeroporto Eduardo Gomes. “Não somos a favor e nem contra, mas se essa for a solução, temos que acatar. Acredito que seja uma medida boa e semeadora. Importante que seja mantida a competitividade dos nossos produtos”, afirmou.

Eduardinho vai ser fechado

As operações do Terminal 2 do aeroporto internacional Eduardo Gomes, o popular Eduardinho, serão transferidas para o terminal principal a partir de agosto.

Por meio de nota, a Infraero informou que a decisão foi fundamentada em estudos da Diretoria de Aeroportos da Infraero, com apoio das diretorias de Operações e Segurança. A partir da segunda quinzena deste mês, serão realizadas ações de comunicação no aeroporto para informar aos passageiros a alteração.

Todo o complexo de aeroportos na Zona Oeste de Manaus foram reformados antes da Copa de 2014 | Diego Janatã/Arquivo EM TEMPO

A Infraero esclareceu que o aeroporto Eduardo Gomes tem capacidade para absorver a transferência do fluxo operacional do Eduardinho, porque o complexo inteiro tem capacidade operacional para receber 13,5 milhões de passageiros por ano, sendo que a capacidade do Eduardinho é de 2 milhões de passageiros anuais. Em 2016, o aeroporto Eduardo Gomes recebeu 2,61 milhões de passageiros, contando embarques e desembarques. A área comercial da Infraero estuda ainda alternativas para a utilização do espaço do Terminal 2 para outras atividades.

A mudança mobilizou a Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), ontem (5). O deputado Adjuto Afonso (PDT), que é membro da Comissão de Transporte, ressaltou que o Eduardinho é usado principalmente para voos regionais. “Se o Eduardinho for fechado, como deseja a Infraero, todos os voos regionais serão transferidos para o aeroclube, que já se encontra no limite de pousos e decolagens”, criticou.

O presidente do Sindicato dos Aeroviários do Amazonas (Sindamazon), Williney Conegundes, revelou que a entidade irá se reunir com a Infraero para falar sobre a manutenção dos mais de 200 empregos de trabalhadores que atuam no Eduardinho e dos mais de 2 mil funcionários do setor em todo Amazonas, que podem ser afetados caso haja privatização do Eduardo Gomes.

Joandres Xavier
EM TEMPO

 

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