Cultura

Autores amazonenses produzem literatura de forma artesanal e com dinheiro próprio

Dedicada ao cenário literário considerado alternativo, a Polienal está em sua terceira edição – foto: divulgação

Dedicada ao cenário literário considerado alternativo, a Polienal está em sua terceira edição – foto: divulgação

Contos lidos em bares e restaurantes ou publicados em sites de relacionamento, poemas declamados nas praças do centro de Manaus, crônicas distribuídas entre amigos e livros divulgados no boca a boca. A chamada literatura independente reúne uma gama de autores amazonenses que produzem trabalhos de forma artesanal e tiram do próprio bolso os custos da produção. Para alguns autores, independentemente da qualidade dos textos, o importante é produzi-los e fazer com que alcancem os mais diversos públicos.

Um dos colaboradores do coletivo de escritores locais desse gênero e também figurante entre os nomes de destaque da literatura independente junto a Márcio Santana, Jeovanne Pereira e Max Caracol, o escritor Rojefferson Moraes explica que esse meio vai além do que o baixo custo na produção de um livro e mostra a realidade além das lendas amazônicas.

“A escrita independente retrata um outro olhar sobre o Amazonas, pois é uma literatura livre do saudosismo que caracteriza a maioria das publicações literárias no Estado. É sobre um olhar voltado ao submundo da cidade, os bares e a periferia. É uma literatura que está mais preocupada com o meio urbano e com o caráter saudosista da vida do caboclo”, conta Moraes.

Resultado da união entre os escritores do gênero, o selo independente Coleção de Rua foi lançado em 2012 para mostrar os caminhos para aqueles que costumavam guardar os escritos na gaveta e que não viam a possiblidade de levar adiante sua escrita usando da economia solidária. Inicialmente, os trabalhos, fabricados em papel A4, custavam na faixa de R$ 2 a R$ 3. Cerca de 21 escritos foram publicados pela iniciativa.

“Estamos com a ideia de criar uma plataforma digital onde a gente possa disponibilizar as obras e consiga atingir um público muito maior. Temos contato com várias pessoas de todos os lugares do país e do mundo. E para fazer chegar às mãos desse pessoal, os custos com o frete ficam maiores. Com a digitalização, poderemos disponibilizar os trabalhos cobrando um valor simbólico”, adianta Rojefferson Moraes.

Por Cecília Siqueira

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