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Autor de música registrada em grampo diz que país vive momento importante

Canção composta por Menescal e Ronaldo Bôscoli no início dos anos 1960, aparece na gravação como a vinheta de espera do gabinete da presidente - foto: divulgação

Canção composta por Menescal e Ronaldo Bôscoli no início dos anos 1960, aparece na gravação como a vinheta de espera do gabinete da presidente – foto: divulgação

Nem a bossa nova escapou da Lava Jato. É de Roberto Menescal, 78, um dos fundadores do gênero, a música registrada no grampo da conversa telefônica entre a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que foi interpretada pelos investigadores da Lava Jato como uma tentativa de Dilma de evitar uma eventual prisão de Lula.

A melodia de “Ah, se Eu Pudesse”, canção composta por Menescal e Ronaldo Bôscoli no início dos anos 1960, aparece na gravação como a vinheta de espera do gabinete da presidente.

“Não dei bola”, disse à reportagem o compositor, que, com o mesmo parceiro, fez ainda canções como “O Barquinho” e “Rio”. “O Brasil vive o momento mais importante de sua história por conta das investigações da Lava Jato. Se a música ajudou um pouquinho, acho ótimo”, brincou Menescal.

A decisão do juiz Sergio Moro de suspender o sigilo sobre a gravação telefônica foi alvo de críticas, mas, para o autor, a divulgação desse e de outros áudios foi legítima. “Nós precisamos saber de tudo para tomarmos a decisão certa na hora de votar.”

Já sobre o mérito do impeachment da presidente, preferiu não opinar. “É preciso uma avaliação técnica que eu não tenho conhecimento para fazer”, disse o músico. Ele se declarou, no entanto, favorável à renúncia. “Isso é uma coisa normal. Não deu certo, admite e sai”, disse.

Autodeclarado fã de Moro, Menescal disse que não votou nas eleições presidenciais de 2014 porque não encontrou candidato que o agradasse ­por sua idade, não tem mais a obrigação de votar.

“Mas, se o Moro se candidatasse, a qualquer coisa que fosse, baterista da minha banda, que seja, eu apoiaria”, disse. “Os Moros da vida têm que ir até o fim e mostrar para onde vai o nosso dinheiro. Enquanto hospitais fecham por falta de recursos, pessoas levaram milhões [em propina]. Isso é equivalente a matar uma pessoa.”, completou.

Por Folhapress

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