Cultura

‘Autobiografia Autorizada’: reúne memórias e trajetória de Paulo Betti no palco do Teatro Amazonas

Interpretar o seu próprio papel não é tão fácil quanto parece, de acordo com Paulo está sendo uma terapia – Divulgação

É só acompanhar uma súmula da vida de Paulo Betti, de 64 anos, para sabermos o quanto ele é um ator que vive todo tipo de vida, fictícia ou não, e tem o poder de fazer rir ou chorar em todos os extremos. O caçula dos 15 filhos de pais analfabetos, teve boa parte de sua infância passada na Vila Leão, em Sorocaba, interior de São Paulo. Os avós de Paulo vieram da Itália para tentar a vida no Brasil. E nesse fim de semana, de 7 a 9 de julho, traz ao palco do Teatro Amazonas a sua “Autobiografia autorizada”, monólogo escrito por ele e dirigido por Rafael Ponzi, que narra a meninice e juventude do ator. Ele completa, em 2017, 40 anos de carreira. 

Interpretar o seu próprio papel não é tão fácil quanto parece, de acordo com Paulo, a peça está sendo uma terapia e assim ele ainda estimula as pessoas a valorizarem suas próprias histórias.  “É muito intenso entrar em cena como Paulo Betti e ter que reviver certos momentos da vida. É um processo muito íntimo a ser compartilhado, mas é bom para valorização de uma história”.

No espetáculo, Paulo afirma está elaborando o tempo todo. “Tem uma propriedade terapêutica, espero, e de qualquer maneira eu não tinha como fugir disso, pois minha história tem lances muito extraordinários. Quando eu contava, sempre, as pessoas diziam: “oh”! ou “inacreditável”, alguns amigos começaram a me chamar atenção para esse caráter extraordinário, por exemplo, o Chico Caruso, cartunista, comentou isso na minha frente com o Veríssimo. Eu acredito que falando da minha vida, estarei falando de todas as aldeias”, contou o ator.

“A peça é uma comédia dramática, mas o humor prepondera e diz que tem 50% de humor, 25% de poesia e 25% de drama”.

O espetáculo

Paulo mergulha na vida de seus pais e avós e emerge com uma peça edificante que reafirma como ele é um bom colecionador de histórias. Ele guardou na memória e em escritos, os episódios vividos na infância de menino pobre na Vila Leão. São essas histórias recolhidas que compõem a peça.

Ele ajudava a mãe Adelaide, empregada doméstica analfabeta, a passar roupas enquanto se encantava com os programas de rádio. Também lá, via o pai esquizofrênico, Ernesto, ser internado no hospício a cada véspera de Natal, com surtos amedrontadores. Mais tarde, quando se mudou para o Rio, com uns 30 anos, inaugurou um imenso e impressionante caderno, onde reproduzia, a mão, diálogos ao telefone com a família, fatos com vizinhos e conhecidos, assim ia tomando a forma de um espetáculo.

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Trajetória de sucesso

O monólogo é também inspirado nos artigos semanais redigidos por quase trinta anos.

O ator, mesmo com pouco recurso, estudou em boas escolas, cursou um Ginásio Industrial, em tempo integral, se formou pela Escola de Arte Dramática da USP e foi professor na Unicamp. O testemunho do ator, autor e diretor, que vai representar pai, mãe, avó e muitos outros personagens da própria vida, levará ao público uma peça divertida e emocionante.

Segundo Paulo, lendo as anotações que fez no decorrer de quase uma vida inteira, chegou à conclusão que, o tempo todo, se preparou para revelar as extraordinárias condições que o levaram a sobreviver e a contar como isso aconteceu.

“Minha fixação pela memória da infância e adolescência, passada num ambiente inóspito e ao mesmo tempo poético, talvez mereça ser compartilhada no intuito de provocar emoção, riso, entretenimento e entendimento”, completa Betti.

Mix de gêneros

O monólogo é também inspirado nos artigos semanais redigidos por quase trinta anos para o Jornal Cruzeiro do Sul, de Sorocaba, onde foi criado. Sucesso de crítica, o espetáculo foi indicado para o Prêmio Shell de melhor texto e rendeu para Paulo Betti a indicação para o Prêmio Faz Diferença, do jornal “O Globo”.

Paulo conta que a peça é uma mistura de tudo isso, mas ele prepondera e diz que tem 50% de humor, 25% de poesia e 25% de drama. Comédia dramática, seria a definição.

Ao ser questionado pelo EM TEMPO sobre o fato que mais o marcou durante essas quatro décadas na carreira, ele diz sem medo que foram as peças de teatro. “Como ‘Na Carreira do Divino’, que dirigi, personagens como Lamarca no cinema, Timóteo em ‘Tieta’, e muito outros, parece que estou falando de filhos meus, gosto de todos os personagens que fiz”.

Paralelo ao espetáculo, Paulo finaliza um novo longa-metragem “A Fera na Selva”, baseada na obra do escritor norte-americano Henry James, com direção do próprio Paulo, ao lado de Eliane Giardini. É adaptação para o cinema do espetáculo que ele encenou com a atriz e ex-mulher, em 1992, e com o qual recebeu o Prêmio Shell de Melhor Ator.

As filmagens foram realizadas em Sorocaba, cidade onde Paulo passou a infância e adolescência e conheceu Eliane. É produtor e diretor do filme Cafundó, estrelado por Lázaro Ramos, baseado no primeiro trabalho de campo do grande sociólogo Florestan Fernandes, filme vencedor de mais de 20 prêmios.

Para informações sobre ingressos para o espetáculo, o telefone para contato é 3232-1768 ou acesse: http://www.bestseat.com.br/

Bruna Chagas
EM TEMPO

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