Saúde e Bem Estar

Autistas necessitam de tratamento múltiplo, afirmam especialistas

Comportamento introspectivos podem indicar a ocorrencia do TEA – Divulgação

 

Ainda parece difícil para pais, mães e familiares identificarem quando a criança apresenta um comportamento que indique algo além de timidez ou profundo interesse por algum tema. Isso porque tanto a introspecção quanto o desenvolvimento e a inteligência em determinadas habilidades podem ser característicos do Transtornos do Espectro Autista (TEA).

A neuropediatra Tatiana Teles explica que os pacientes podem ser classificados em três estágios, por meio de um manual de diagnóstico e estatística de transtornos mentais, conforme a avaliação de comprometimento de socialização, comportamento e linguagem. Ela recomenda que os pais fiquem atentos quando seus filhos apresentarem alguma alteração no processo de linguagem verbal e não verbal.

“As crianças com TEA apresentam comportamentos repetitivos ou de interesses restritos, evitam o contato visual, têm déficit cognitivo e dificuldade para se relacionar com terceiros e não compartilham brinquedos nem brincadeiras. São mais isoladas. Em alguns casos, podem apresentar agressividade”, descreve a médica.

Segundo pesquisa apresentada em março de 2014, realizada pelo Center of Diseases Control and Prevention (CDC), ligado ao governo dos Estados Unidos, 1 por cento da população mundial tem autismo. Somente no Brasil, estima-se que sejam 2 milhões de pessoas com TEA.

O Dia Mundial de Conscientização do Autismo, lembrado no próximo domingo, dia 2 de abril, é a data eleita pela Organização das Nações Unidas (ONU) para conscientizar as pessoas sobre os direitos e a necessidade de diagnóstico e respeito aos autistas. O azul é a cor usada nas campanhas em alusão ao autismo e está presente em monumentos pelo mundo para lembrar a maior prevalência em meninos que em meninas, uma relação de quatro para uma.

Diagnóstico e tratamento

Tratamento deve ser multidisciplinar, orienta Tatiana Teles – Divulgação

Os grupos de terapia ajudam na inclusão social e fornecem apoio aos pais das crianças. Segundo a neuropsicopedagoga e especialista em atendimento educacional Regina Ferreira de Oliveira, cada trabalho terapêutico possui uma abordagem diferente por conta das diferentes formas de manifestação do espectro em cada criança. Nenhum é semelhante ao outro. “Eles não têm muito ponto de foco. Então, procuramos usar coisas cotidianas, tudo o que possa ter função pedagógica para fortalecer o processo de escrita, por exemplo. E isso demora muito. É preciso respeitar o tempo de cada um”, destaca.

A especialista alerta, ainda, para a necessidade de os pais buscarem laudos com diagnósticos clínicos, isto é, a partir da observação dos sintomas, além de tratamentos que melhorem a qualidade de vida das crianças. “O neuropsicopedagogo fornece o suporte porque, no TEA, é tudo muito comportamental e nós temos tempo para observar as características que ajudam a dar um diagnóstico mais preciso. Agora é possível fazer um diagnóstico mais precoce, bem antes dos três anos. Mas quanto mais rápido for o diagnóstico, mais eficiente será o tratamento”, orienta.

Tatiana Teles acrescenta que o tratamento deve ser multidisciplinar, multimodal e individualizado, visando, sobretudo, a ajudar a criança a adquirir habilidades funcionais. “A equipe multiprofissional deve ser composta por fonoaudiologia, fisioterapia motora, terapia ocupacional, psicologia, psicopedagogia, além de terapias coadjuvantes, como musicoterapia, equoterapia e hidroterapia. O acompanhamento médico com neurologista e/ ou psiquiatria é necessário, principalmente, devido aos males que podem se associar ao autismo, como Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), distúrbios de sono, entre outros”, alerta.

Em Manaus, uma organização sem fins lucrativos reúne pais e amigos de autistas da cidade para promover assistência social e projetos que desenvolvam a capacidade cognitiva dos autistas, a Associação de Amigos dos Autistas do Amazonas (Ama), localizada no bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul. Outra entidade destinada a esse público é o Centro de Convivência Magnólia, na estrada do Puraquequara, que oferece atividades educacionais, terapêuticas e sociais.

Laize Minelli

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