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Áustria acusa dois homens de ligação com os atentados terroristas em Paris

Promotores da Áustria acusaram dois homens de fazer parte de uma facção terrorista em conexão com os atentados que deixaram, em novembro do ano passado, 130 mortos em Paris.

Um comunicado emitido pela promotoria de Salzburg nesta quinta (8) afirma que ambos eram suspeitos de ajudar outros dois homens extraditados pela Áustria para a França com “apoio logístico, coleta de informações e repasses de contatos”.

Os acusados foram identificados como um marroquino de 26 anos e um argelino de 40 anos. Os nomes não foram divulgados, respeitando as leis austríacas de privacidade. Eles também foram acusados de pertencer a uma organização criminosa.

Já os suspeitos que foram extraditados em julho eram um paquistanês de 35 anos e um argelino de 29 anos. Acredita-se que todos os quatro homens foram à Europa no ano passado e compartilharam o mesmo abrigo para refugiados em Salzburg.

Silêncio

Salah Abdeslam, membro do grupo que cometeu os atentados de 13 de novembro de 2015 em Paris, “exerceu seu direito ao silêncio” diante do juiz nesta quinta-feira (8), afirmou o advogado Frank Berton. A Promotoria de Paris confirmou que Abdeslam permaneceu em silêncio após as perguntas do magistrado.

“Pela terceira vez ele exerceu seu direito ao silêncio durante o interrogatório, que durou quase uma hora e meia”, disse o advogado francês. Desde que foi transferido da Bélgica para a França, em 27 de abril, o suspeito chave dos ataques permanece calado. Em julho, Abdeslam se recusou inclusive a ser retirado da cela da prisão de Fleury-Mérogis, ao sul de Paris, para o interrogatório.

De acordo com o advogado, o juiz de instrução certamente convocará outra audiência. Berton disse mais uma vez que a vigilância de vídeo permanente a que está submetido o detento explica “evidentemente” seu mutismo.

Para evitar qualquer tentativa de fuga ou suicídio, Abdeslam, que se encontra em regime de isolamento, é filmado por duas câmeras em sua cela e por outras quando se exercita no ginásio ou durante as caminhadas.

No final de julho, o Conselho de Estado, máxima instância jurídica administrativa da França, considerou que o dispositivo não era desproporcional pelo “caráter excepcional dos atos terroristas” pelos quais Abdeslam foi acusado.

O papel exato de Abdeslam durante os atentados não foi determinado, mas ele foi acusado de ter acompanhado os três homens-bomba que detonaram explosivos perto do Stade de France, ao norte da capital.

Em novembro, os terroristas atacaram restaurantes e bares do 11º distrito, a casa de shows Bataclan e tentaram entrar no Stade de France, onde acontecia um amistoso entre as seleções da França e da Alemanha. Os atentados foram reivindicados pela milícia terrorista Estado Islâmico.

Ligado ao belga Abdelhamid Abaaoud, suposto cérebro dos ataques, ele aparentemente também teve um papel logístico ao alugar veículos e apartamentos que serviram de esconderijo na área metropolitana de Paris. Os investigadores também suspeitam que ele ajudou no deslocamento de extremistas pela Europa.

Papa

Nesta quinta (8), a Prefeitura de Nice divulgou que o papa Francisco receberá no Vaticano as vítimas do atentado ocorrido na cidade francesa no dia 14 de julho.

Um dia após o ataque, que deixou 86 mortos e 434 feridos, incluindo muitas crianças, o papa Francisco o condenou “da forma mais absoluta” e expressou sua solidariedade às vítimas e aos franceses, um gesto de solidariedade que reiterou no domingo seguinte durante a oração do Ângelus.

O pontífice receberá no dia 24 de setembro todas as vítimas e seus familiares em uma audiência privada, “sem distinção de religião”, destacava em um comunicado o presidente da Metrópole de Nice – Riviera Francesa, Christian Estrosi. Um terço das vítimas era muçulmana.

Dois aviões serão fretados para transportar “os feridos físicos e as famílias” que perderam parentes, informava o serviço de imprensa da prefeitura de Nice. “Para as vítimas indiretas, pessoas comovidas, etc, serão colocados à disposição ônibus que sairão na véspera” ao Vaticano, acrescentou.

Na noite da festa nacional de 14 de julho, mais de 30 mil pessoas contemplavam os fogos de artifício no passeio marítimo de Nice quando Mohamed Lahouiej Bouhlel, um tunisiano de 31 anos, avançou contra a multidão ao volante de um caminhão em alta velocidade. O atentado foi reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico, combatido pela França no Iraque e na Síria.

Por Folhapress

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