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Ausência da torcida ‘castiga’ finanças do Nacional

Clássico com Remo na arena teve  público bem abaixo do esperado - foto: Diego Janatã

Clássico com Remo na arena teve  público bem abaixo do esperado – foto: Diego Janatã

Com uma torcida exigente e que gosta de ver futebol de qualidade, o público do futebol amazonense continua ausente dos estádios. Uma análise baseada em borderôs cedidos pela Federação Amazonense de Futebol (FAF) indica que o Nacional já chegou a ter prejuízo de mais de R$ 50 mil reais em um jogo, devido à baixa venda de ingressos. O PÓDIO ouviu dirigentes de clubes e uma torcedora sobre o assunto. O time feminino do Iranduba, que vem ganhando a confiança do torcedor, apresenta números estáveis.

Para o coordenador de base do Nacional, James Furtado, vários fatores contribuem nos números. “Em grande parte se deve ao período que ainda é de início de temporada. Outra é que o torcedor também não tem rivalidade pelos outros clubes. O que atrai o público é um bom espetáculo, boas equipes. Então o torcedor está desconfiado. O Nacional tem ganhado de 1 a 0, de 2, mas o torcedor quer ver goleada. Também, hoje em dia, não temos mais ídolos no futebol local. O torcedor não sabe a escalação do seu time”, avalia.

O amistoso entre Nacional e Genus-RO do dia 21 de fevereiro teve um público pagante de 375 pessoas na Arena da Amazônia. O faturamento de R$ 4.560 não cobriu as despesas de R$ 32.206 com o jogo, deixando um déficit de R$ 28.786 nas contas do Leão.

James avaliou que os preços altos dos ingressos nos últimos jogos do Naça não influenciam no público. “Estamos em crise financeira, então precisa ter arrecadação. Aquele pessoal que gosta realmente de futebol não vai ligar para preço. Se colocar R$ 10 ele vai para o jogo, se colocar R$ 20 ele vai, se colocar um quilo de alimento ele vai. Até se trouxer equipes de grande marca, do Nordeste, do Sul, para jogar em Manaus, pode colocar até de R$ 30 que ele vai. Então esses preços não influenciam na presença do público”, afirma.

No dia 14 de fevereiro o Nacional enfrentou o Remo, do Pará, e conseguiu levar 4.757 pagantes à arena, faturando R$ 49.440 com a venda de ingressos. Porém, as despesas alcançaram o número de R$ 104.035, o que deixou prejuízo de R$ 54.595.

Para a torcedora fanática do Nacional Jéssica Diely, o torcedor merece melhores preços nos ingressos e os clubes têm que investir mais em marketing e divulgação dos jogos para atrair o torcedor. “Vejo que o Iranduba está em competições oficiais, enquanto que o Nacional só tem jogado amistosos. Então são cenários diferentes. Nos jogos do Iranduba, vão torcedores de outros clubes locais para prestigiar. Enquanto que pelo Nacional, apesar de serem amistoso, os preços dos ingressos estão caros, e a torcida reclama. Acredito que isso influencie, sim, na presença dos torcedores. No jogo contra o Remo eles pediram R$ 40 e com muita pressão da torcida baixaram para R$ 30. A diretoria não pensa no torcedor, acaba pensando só no lucro”, diz Jéssica.

E esse tão sonhado lucro veio somente em um dos seis jogos amistosos de pré-temporada do Leão da Vila Municipal. O confronto contra o São Raimundo do Pará rendeu um saldo de R$ 8.194. A arrecadação de R$ 13.800 veio dos 1025 ingressos vendidos no estádio Carlos Zamith no dia 21 de janeiro. A despesa foi de R$ 5.606.

A FAF cedeu apenas três borderôs dos seis amistosos disputados pelo Nacional na pré-temporada.

 

 

Por Joandres Xavier

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