Economia

Auditores dizem que Fazenda garantiu acordo salarial, mas mantêm operação padrão

Desembaraço de mercadorias deverá ficar mais lento com operação padrão que auditores fiscais da Receita Federal vão adotar com a greve - foto: divulgação

Desembaraço de mercadorias ficou mais lento com operação padrão adotada por auditores fiscais da Receita Federal – foto: divulgação

Auditores fiscais da Receita Federal informaram, nesta quarta-feira (20), que o Ministério da Fazenda se comprometeu a cumprir acordo salarial firmado em março deste ano. O acordo prevê reajuste de 21,3% em quatro anos, dos quais 5,5% seriam pagos já a partir de agosto.


Como o projeto de lei do aumento ainda não foi enviado ao Congresso Nacional, a categoria faz operação padrão desde o dia 14 deste mês, deixando a liberação de cargas e de bagagens nas fronteiras, nos portos e aeroporto de Manaus mais lentas.

Ao menos 400 auditores fiscais de Manaus aderiram à operação padrão. Nas unidades da Receita Federal, como delegacias e fronteiras, os auditores continuam cruzando os braços às terças e quintas-feiras, ainda por tempo indeterminado.

Cláudio Damasceno, presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco), disse que no encontro, o governo prometeu resolver a questão “nos próximos dias”, mas não esclareceu se o reajuste será assegurado por meio de medida provisória ou projeto de lei.

Mesmo sem definição, o presidente do Sindifisco considerou a reunião desta quarta “positiva”. Acrescentou, no entanto, que os auditores seguirão com a operação padrão.

De acordo com Damasceno, a Fazenda enviou à Casa Civil um texto prevendo o reajuste, mas não revelou ao Sindifisco o modelo adotado nem o conteúdo. Segundo ele, a preferência do governo é um projeto de lei, mas, nesse caso, pode não haver tempo hábil para pagar a primeira parcela do aumento em agosto. O acordo prevê ainda um bônus de R$ 3 mil, também a partir de agosto.

A mobilização dos auditores tem sido no desembarque de cargas e já aconteceu também no desembarque de bagagens de voos internacionais. Conforme o Sindifisco, nas segundas, quartas e sextas os auditores represam os créditos tributários que a União teria a receber.

Prejuízo

De acordo com o presidente do Centro da Indústria do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, as atividades no Polo Industrial de Manaus (PIM) podem paralisar completamente, caso a greve dos auditores fiscais da Receita Federal perdure por mais algumas semanas.

“Entendemos o pleito dos servidores e o Cieam está tentando ajudar para que não cause mais problemas para a população. Mas se os produtos não chegam às fábricas no Distrito, não têm como serem produzidos. Se essa greve continuar nas próximas semanas, o PIM ficará paralisado”, comentou.

Périco destacou que se houver a paralisação no Distrito Industrial, devido à falta de mercadorias, os prejuízos por dia chegariam a US$ 233 milhões, já que o faturamento do PIM está em torno de US$ 7 bilhões por mês. Segundo ele, pelo menos 80 mil trabalhadores do Polo Industrial seriam afetados.

Por Asafe Augusto
Com informações de Kattiucia Silveira e Agência Brasil

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