Política

Audiência na Aleam discute privatização do rio Madeira

A mudança do curso migratório dos peixes, o assoreamento do leito do rio e a cheia histórica de 2014 estão entre as consequências das obras das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, em Rondônia, no rio Madeira, que afetam em torno de 199 mil pessoas que moram nos municípios do Amazonas na região da hidrovia. Os dados sobre essas e outras questões envolvendo o projeto do Governo Federal de privatização da hidrovia do Madeira serão debatidos pela comunidade científica, no auditório Beth Azize, quarto andar da Aleam, a partir das 9h, desta sexta-feira (19).

O seminário é uma iniciativa do deputado estadual Dermilson Chagas (PDT), que preside a Comissão de Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPPADR) da Casa Legislativa. A polêmica sobre a privatização do Madeira ganhou repercussão após o representante do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Evainton de Oliveira confirmar denúncia de que o projeto está sendo tratado em Brasília sem participação de nenhum representante do do Amazonas. A denúncia chegou à CAPPADR por meio da Federação Nacional das Empresas de Navegação Aquaviária (Fenavega), que participou de reunião no Ministério do Planejamento, onde o assunto foi abordado, em meio a discussões do Programa de Aceleração do Crescimento para Hidrovias (PAC-Hidrovia), em março.

“Estão matando o rio Madeira. Não podemos assistir a esse crime ambiental e social sem tentar intervir no processo. Precisamos discutir com a sociedade e incluir no debate a população que será afetada de forma imediata na privatização. Até agora isso não ocorreu. Também vamos ouvir o que os técnicos e cientistas têm a dizer sobre o impacto social e ambiental das hidrelétricas. O rio está sendo assoreado e o próprio representante do Dnit admitiu na última audiência pública sobre o tema, que isso tem relação com as hidrelétricas”, declarou Chagas.

O parlamentar marcou o seminário após ouvir de vários representantes da comunidade científica, em Manaus, informações graves sobre o futuro do rio Madeira. Entre os dados, há estudos sobre a cheia história no Madeira registrada no ano passado. Paralelo a esse registro, o Dnit informou que as barragens de Santo Antônio e Jirau provocaram alteração na velocidade e curso do Madeira, o que aumentou o assoreamento do rio. Segundo o órgão, a dragagem era necessária a cada cinco anos. O Dnit informou que, após a obra, a manutenção da dragagem precisa ser feita uma vez ao ano e o Governo Federal não tem recursos financeiros para realizar o serviço.

 

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