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Atleta que vai leiloar medalha para o tratamento do filho diz que está confiante

A ex-pivô da seleção brasileira de basquete Claudia Pastor e o filho Maurílio com a medalha de prata conquistada pela mãe na Olimpíada de Atlanta, em 1996 foto: divulgação/Arquivo pessoal

A ex-pivô da seleção brasileira de basquete Claudia Pastor e o filho Maurílio com a medalha de prata conquistada pela mãe na Olimpíada de Atlanta, em 1996 foto: divulgação/Arquivo pessoal

A medalha de prata da ex-pivô da seleção brasileira de basquete Claudia Pastor na Olimpíada de Atlanta, em 1996, costumava ficar em uma estante na sala de sua casa. Prestes a embarcar para a França, onde seu filho, Maurílio, será submetido a uma cirurgia no hipotálamo, Claudia decidiu leiloar a honraria para arcar com os custos da internação.

Segundo a ex-atleta, a decisão não deixou espaço para tristeza, pelo contrário, a campanha realizada com amigos e familiares para financiar a viagem deslanchou e a esperança só cresceu.

“A exposição atraiu pessoas que se sensibilizaram e, com certeza, depois de tudo isso, a campanha deslanchou. Ainda falta bastante para fechar os valores que eu preciso, mas hoje tenho hoje cerca de 40% do valor. Estou muito confiante”, comemora Claudia.
A medalha já está com a casa de leilão e receberá lances, pela internet, no dia 7 de abril: “Eu enxergo ali [na estante da sala] o espaço da minha vitória. Não tem espaço para tristeza, nem pra lamentação. Só tem espaço para esperança. É a esperança que está no lugar dela [medalha].”

Com 44 anos, Claudia vive em Americana, no interior de São Paulo, onde é servidora pública no Tribunal Regional do Trabalho. Casada e mãe de Maurílio, ela conta que o filho começou a ter convulsões antes mesmo de completar um ano de idade. O diagnóstico foi concluído apenas aos 12 anos, com a notícia de que as convulsões, que chegavam a ocorrer sete vezes por dia, eram causadas por um hamartoma hipotalâmico, uma espécie de tumor contra o qual “nada podia ser feito” sem o risco de problemas maiores, segundo Claudia.

Tratamento na França

Após o diagnóstico, a ex-atleta conta que voltou de Campinas para sua cidade em prantos, mas, em uma busca na internet, encontrou uma mãe que, após passar pela mesma situação, descobriu uma equipe médica na França que realizava a cirurgia com segurança.

Em junho do ano passado, Claudia e Maurílio foram para o país europeu em busca do procedimento médico. Com o tratamento, o número de convulsões havia caído para três ou quatro por dia, e, após a cirurgia, passou a ser uma ou duas vezes. No entanto, os médicos constataram a necessidade de uma nova cirurgia, e o tempo recomendável para o procedimento é de seis a nove meses após a primeira intervenção.

Com a reviravolta, em menos de um ano, a servidora pública precisou se reorganizar para ir novamente a Paris. Da primeira vez, os custos médicos foram de R$ 70 mil. Agora, com a desvalorização do real, Claudia calcula que precisará de R$ 90 mil para pagar pela internação e a cirurgia, sem contar imprevistos ou eventual tempo extra no hospital.

“Preciso pelo menos me aproximar desse valor, porque o pagamento tem que ser feito antes da cirurgia. A gente vai manter um tempo para que as pessoas continuem ajudando, mas espero que o leilão garanta um valor razoável”, conta ela, que vai embarcar para Paris na sexta-feira da semana que vem, porque os exames pré-operatórios terão início no dia 5 de abril e a cirurgia está marcada para o dia 13.

Campanha

Além do leilão da medalha olímpica, a campanha tem uma rifa organizada com a ajuda de amigos – incluindo parceiras da seleção feminina de basquete que foi a Atlanta. As colaborações podem ser depositadas em uma conta bancária aberta em nome de Maurílio Josef, na Caixa Econômica Federal (agência 2156, conta poupança nº33.800-8, CPF 493.993.218-43).

A campanha está sendo divulgada no Facebook e Claudia também disponibilizou e-mail (laudiapastorcampanha@gmail.com) e telefone para contato: (19)99661-8971.

Antes de colocar a medalha em leilão, Claudia mobilizou amigos e pessoas mais próximas, mas percebeu que a ajuda não seria o bastante. “Pensei: para resolver a questão da saúde dele, tenho que abrir mão do que eu tenho de mais valioso. O que eu tenho? Não é uma casa valiosa nem um carro valoso. Da minha vida esportiva, o que é mais valioso é a medalha de prata. Estou praticando o desapego de um objeto, que é a medalha, por algo maior, que é a saúde do meu filho.”

Por Agência Brasil

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