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Ativista acusada de se passar por negra deixa chefia de ONG nos EUA

Depois de ser acusada por seus pais de se passar por negra durante anos, a ativista norte-americana Rachel Dolezal, 37, renunciou nesta segunda-feira ao posto de representante de uma das mais conhecidas associações de defesa dos direitos dos negros nos EUA.

Em comunicado, Dolezal afirma que deixará o cargo de presidente do escritório regional da NAACP (Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor) em Spokane (Washington), passando o posto para sua vice, Naima Quarles-Burnley.

“Enfrentamos muitos desafios urgentes atualmente. E, ainda assim, o foco do diálogo se voltou inesperadamente para a minha identidade pessoal em um contexto de definição de raça e etnia”, disse, no texto.

“Eu esperei enquanto os outros expressaram seus sentimentos, crenças, confusões e até conclusões – sem saber toda a história.”

Dolezal agradeceu à liderança da NAACP pelo apoio recebido e afirmou que não se pode perder de vista a discussão em torno dos objetivos da organização.

“O movimento é maior que um único momento ou a história de uma só pessoa, e eu espero que todos ofereçam seu apoio à campanha Jornada pela Justiça que a NAACP lança hoje”, disse.

Dolezal havia afirmado que se pronunciaria nesta segunda sobre a polêmica envolvendo sua identidade racial. Ela cancelou, porém, uma reunião para tratar publicamente do tema.

O caso ganhou destaque depois que, na quinta (11), seus pais, Ruthanne e Larry – ambos brancos –, afirmaram em entrevista a um canal de TV local que Dolezal tem ascendência alemã e tcheca, com traços “fracos” de indígenas americanos.

“A Rachel quis ser alguém que não é. Ela escolheu não ser ela mesma, mas apresentar-se como uma mulher afro-americana ou birracial. E isso não é verdade”, disse a mãe da ativista. As duas não mantêm contato.

A reportagem, do canal local KREM 2, mostra fotos de Dolezal na adolescência, com a pele branca e os cabelos loiros e lisos. Hoje, ela se apresenta com o cabelo afro e a pele mais morena.

No sábado, um de seus irmão adotivos, Ezra, que é negro, afirmou que foi instruído pela irmã a não “destruir seu disfarce” ao visitá-la em Spokane, há três anos.

Ele vive com os pais de Rachel Dolezal no Estado de Montana. “Ela me disse para não contar a ninguém sobre Montana ou sua família lá. Afirmou que estava começando uma nova vida e que uma pessoa lá [em Spokane] seria seu pai negro”, disse o irmão.

Dolezal costumava afirmar que era filha de um casal birracial. Em uma publicação de janeiro, a página da NAACP no Facebook trazia uma foto da ativista ao lado de um homem negro, identificado como seu pai.

Em outro post, de 2013, em seu perfil pessoal, ela mostra seu penteado afro sob a legenda “Saindo com o meu ‘look’ natural no aniversário de 36 anos”.

Por Folhapress

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