Cultura

Astros da MPB revitalizam mística do Brasil no Festival de Jazz de Montreux

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Foi um show forte o bastante para revitalizar a mística da participação brasileira no festival de Montreux – foto: divulgação

Enquanto França e Portugal disputavam o título da Eurocopa de futebol na noite do domingo (10) sem saber quem sairia vencedor, outra seleção disputava um jogo em Montreux, na Suíça, com todas as condições para ganhar facilmente a partida.


A seleção no caso é brasileira, e seu técnico é o produtor musical Marco Mazzola, que há quase quatro décadas é responsável por organizar noites brasileiras no Festival de Jazz de Montreux. O time escalado para este ano tinha Ana Carolina, Elba Ramalho, Vanessa da Mata, Hamilton de Holanda, Martinho da Vila, Ivan Lins, João Bosco, Maria Rita e Davi Moraes.

Uma escalação tão forte foi justificada por duas homenagens: os 50 anos do festival e um tributo a Claude Nobs, criador do evento, que morreu num acidente de esqui em 2013.

A tática empregada pelo técnico Mazzola foi simples e se mostrou vencedora. Cada um dos convidados apresentou quatro músicas. Escolher sucessos incontestáveis deixou o público de cada artista com gosto de quero mais. Assim, mesmo longo, com mais de três horas, o show não foi cansativo. A cada nova aparição de um cantor no palco, uma parte da plateia urrava como torcida de futebol.

Dois nomes acabaram se destacando na festa. Hamilton de Holanda, que abriu o show com quatro músicas esbanjando seu talento no bandolim, praticamente voltou para tocar com todos os outros convidados, encorpando as performances com muito talento.

A outra presença quase constante foi da cantora Elis Regina (1945-1982). Muitas das músicas apresentadas foram sucesso na voz dela, principalmente nas canções interpretadas por João Bosco e Ivan Lins.

Talvez o momento mais emocionante da noite tenha sido quando Ivan Lins e Maria Rita, filha da cantora, apresentaram “Madalena”. Elis foi uma espécie de madrinha musical para Ivan Lins ao gravar essa faixa, que estourou no Brasil inteiro.

Houve recepções calorosas do público. Talvez Vanessa da Mata e Ana Carolina tenham sido as que mais conseguiram empolgar a plateia.

E, claro, Elba Ramalho. Escalada para encerrar a noite, botou todo mundo para dançar com “Anunciação”, “Morena de Angola” e “Frevo Mulher”. Pena que, já avançando pela madrugada, ela tenha cantado para um público menor do que as 4.000 pessoas que começaram o acompanhar o show no Auditório Stravinski, palco principal de Montreux.

Depois da fúria dançante de Elba, todos os craques subiram ao palco para uma última música, “Chega de Saudade”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Chamado de “Brazilian Dream”, foi um show forte o bastante para revitalizar a mística da participação brasileira no festival de Montreux.

Por Folhapress

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