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Associação dos Clubes Profissionais do AM está em crise

Na última semana foi a vez do Manaus FC oficializar sua saída da ACPEA - foto: arquivo EM TEMPO

Na última semana foi a vez do Manaus FC oficializar sua saída da ACPEA – foto: arquivo EM TEMPO

Se dentro de campo a bola sequer começou a rolar, fora dele o futebol amazonense está em ebulição. Criada em 2014 para defender os interesses das equipes locais, a Associação dos Clubes Profissionais do Estado do Amazonas (ACPEA) atravessa a maior crise desde a sua fundação e, dos 15 filiados, sete já oficializaram o desejo de deixar de fazer parte da entidade.

O primeiro deles foi o Rio Negro, ainda no ano passado. A justificativa para a desfiliação do clube, segundo o presidente do Galo da praça da Saudade, Thales Verçosa, foi a omissão da ACPEA em defender seus associados. O caso que gerou a revolta do dirigente alvinegro foi as provocações feitas em cima de uma declaração dada por um dos filiados.

“Eu pedi desfiliação porque o clube não aceitou o posicionamento da diretoria da ACPEA num caso envolvendo o presidente do Nacional, Mario Cortez. Ele foi destratado pelo Manaus por meio da página oficial do clube no facebook e a associação não emitiu sequer uma nota de repúdio em relação a isso. Me reuni com a diretoria do Rio Negro e resolvemos sair”, explicou Verçosa.

Na última semana foi a vez do Manaus FC oficializar sua saída da ACPEA. O motivo foi o descontentamento com a postura da entidade perante à decisão do Tribunal de Justiça Desportiva do Amazonas (TJD-AM) em excluiu o Gavião do Norte do Estadual sub-20 por supostamente ter utilizado atleta de maneira irregular durante a disputa do campeonato. Para a presidente do clube, Patrícia Serudo, faltou a associação se posicionar e “dar a cara a tapa”.

“As divergências são naturais e discussões são sadias no futebol, afinal tínhamos um grupo com representantes de 15 clubes. Acho que a ACPEA foi omissa nas horas críticas, polêmicas, foi ausente em muitos embates, batalhas e reivindicações das equipes. Ela não foi criada só para reunir os clubes para procurar ajuda do Governo e elaborar tabela do campeonato. O objetivo da entidade era modernizar nosso futebol, provocar discussões de melhoria, lutar pelos clubes. Não me sinto representada hoje pela associação”, declarou Patrícia.

Esquecidos

Para o presidente do Nacional Borbense, Rodenilson Fonseca, a ACPEA perdeu força e representatividade no cenário futebolístico local. Conforme o dirigente, as individualidades acabaram se sobrepondo sob os interesses coletivos, motivo pelo qual a entidade foi criada em 2014. Outro fator que motivou a desfiliação do clube foi a desvalorização das equipes do interior. O time de Borba oficializou sua saída da associação ontem (29).

“O ponto negativo dessa situação foi isso, ficou claro que havia um certo favorecimento a “a” ou “b”, e não a todos. A realidade é que poucas pessoas da capital valorizam o interior, acham que time do interior não tem representatividade. Nunca aconteceu isso comigo, mas a gente sente, eles se acham acima do bem e do mal. Tem clube centenário que não consegue chegar a lugar nenhum, e a gente, com o mínimo de estrutura, conseguiu montar times competitivos”, cutucou Fonseca.

Sem “papas na língua” como de costume, o presidente do Sul América, Luiz Costa, não poupou críticas a ACPEA. Segundo ele, a associação se perdeu no meio do caminho e o objetivo de atender os anseios dos clubes foi ficando de lado e cada um passou a defender seus próprios interesses. Assim como o Manaus FC, o Trem da Colina também foi eliminado do Barezão sub-20 por supostamente ter escalado jogador de maneira irregular.

“Aqui cada um só pensa em si, cada um quer puxar sardinha para sua brasa. Fora de campo, você tem que trabalhar em prol do todos. A ACPEA me decepcionou muito, muito mesmo. É só blá blá blá e não resolve a parada, nossos anseios não foram atendidos. Começou muito bem, mas o Cláudio fica em cima do muro, não quer desagradar “a” ou “b”. Tem que agradar todos, tem que ser justo com todo mundo”, disparou Costa.

Remanescentes

Além de Rio Negro, Manaus FC, Nacional Borbense e Sul América, Tarumã, Holanda e Operário também já anunciaram sua desfiliação da ACPEA. Desta forma, oito clubes seguem na entidade: Nacional, Fast, Princesa do Solimões, CDC Manicoré, São Raimundo, Iranduba, Clipper e Penarol.

Sem saber do que está acontecendo, o presidente do Leão da Vila Municipal, Mário Cortez, se disse surpreendido com a debandada. “Eu vou me inteirar do assunto que é para eu poder saber o que está acontecendo. É uma surpresa, preciso saber qual motivo os coirmãos estão se desligando. Preciso saber para a gente poder tomar uma decisão. Você só sai de um lugar em que é associado por um motivo forte. Se for um motivo justo, que esteja prejudicando os clubes, a gente vai tomar uma providência”, prometeu.

Procurado pelo PÓDIO para comentar sobre o futuro da ACPEA, o presidente da entidade, Cláudio Nobre, não foi encontrado pela reportagem.

Por André Tobias

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