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Assassinos confessos de garota carbonizada respondem em liberdade no AM

Os suspeitos se entregaram na polícia, mas foram liberados  e vão responder pelo crime em liberdade- Divulgação

Envolvidos no desaparecimento e morte da adolescente Mirelle dos Santos Carvalho, 16, o ajudante de pedreiro Fernando Bezerra de Souza Bentes, 19, e o vendedor Adriano Penedo da Silva, 23, se apresentaram, na tarde desta quinta-feira (3), no prédio do 13º Distrito Integrado de Polícia (DIP). Eles confessaram a autoria do crime, que teve o corpo carbonizado e encontrado na manhã da última segunda-feira (31), em um terreno baldio localizado no Conjunto Canaranas, bairro Cidade Nova, Zona Norte.

Contrariando a versão dos suspeitos, familiares de Mirelle dizem que a adolescente foi torturada em uma boca de fumo, na comunidade Fazendinha, Cidade de Deus, e depois o corpo foi levado para o Canaranas e incendiado para despistar a polícia. A jovem teve os cabelos e as sobrancelhas cortadas, além de ter sido esfaqueada por uma amiga dela, conhecida como “Luciana”.

A motivação do crime, segundo a família, foi vingança. A vítima foi expulsa da boca por uma traficante, conhecida como “Mana”, que depois ordenou o assassinato da adolescente por inveja.

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No entanto, de acordo com o delegado titular do 13º DIP, Jander Mafra, a dupla forneceu uma versão diferente dos familiares para motivação do crime. Em depoimento, eles informaram que mataram a adolescente porque ela teria traído Fernando – seu namorado há três meses. O estopim para a execução da jovem teria ocorrido durante um arraial em uma quadra esportiva, situada no Conjunto Canaranas.

“Fernando e Mirelle namoravam há três meses e ela o teria traído. Ele confessou que os três estavam no arraial e, em um determinado momento, foram até um terreno, onde consumiram drogas e bebidas alcoólicas. Eles começaram a discutir e, durante a briga, Adriano agrediu a vítima. Depois o Fernando deu um “Mata-Leão” nela, deixando a garota desacordada. Em seguida, os dois suspeitos foram até um posto de combustíveis, compraram gasolina, despejaram na adolescente e atearam fogo”, relatou o delegado.

O ajudante de pedreiro foi indiciado por feminicídio. Adriano foi indiciado por homicídio qualificado por motivo fútil e emboscada. Eles vão responder pelos crimes em liberdade, uma vez que não há flagrante e a polícia ainda não havia solicitado da Justiça os mandados de prisão.

Versão da família é diferente

Conforme a mãe de Mirelle, uma dona de casa de  37 anos, que não quis ter o nome revelado por temer represálias e falou com exclusividade ao EM TEMPO, a adolescente foi atraída até a boca de fumo para encontrar com a “amiga Luciana”.

“Essa Luciana nos contou que a minha filha foi torturada nessa boca porque a outra traficante tinha inveja dela. Ela foi espancada e cortada. Mirelle ainda pediu água e não deram para ela. Essa Luciana disse que foi espancada também por esses traficantes, além de ter sido estuprada. A Luciana conseguiu fugir, mas a minha filha ficou e foi morta”, relatou.

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A mãe de Mirelle disse ainda que, depois dos familiares acionarem a Polícia Militar para ir até a boca de fumo indicada por Luciana, a traficante “Mana” ordenou que o corpo fosse retirado da comunidade Fazendinha. O objetivo era não chamar atenção para o local.

“Já tinham ameaçado tomar a boca de fumo dessa traficante, caso a polícia fosse lá. Foi aí que eles tiraram o corpo da minha menina e levaram para outro bairro, onde atearam fogo. Eles forjaram para ninguém daquela boca ser preso”, disse a dona de casa.

As informações repassadas pelos familiares vão ser investigadas pela polícia, mas até agora não há confirmação sobre a versão. Nem os parentes de Mirelle e nem Luciana prestaram depoimento.

Os familiares de Mirelle foram na segunda-feira (31) até o Instituto Médico Legal (IML), mas como o corpo foi carbonizado, o resultado deve levar até três meses para ficar pronto.

Ana Sena
EM TEMPO

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