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Assaltos geram medo entre passageiros de ônibus em Manaus

Apenas em janeiro deste ano, foram registradas 244 ocorrências pela Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) - foto: Marcio Melo

Apenas em janeiro deste ano, foram registradas 244 ocorrências pela Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) – foto: Marcio Melo

Sensação que paralisa e causa trauma, em alguns casos irreversíveis, o medo já toma conta de alguns usuários de ônibus em Manaus, devido aos constantes assaltos a passageiros nas paradas e dentro dos veículos. Apenas em janeiro deste ano, foram registradas 244 ocorrências pela Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), uma média de sete assaltos por dia. No mesmo período de 2015, foram verificados 136 casos.

“É um momento de terror. Sou cobrador de ônibus há 14 anos e sei bem como é viver isso. Durante o tempo de profissão, presenciei quatro assaltos. Na primeira vez que aconteceu, eu reagi. O ladrão se aproximou de mim com uma faca pedindo o dinheiro do caixa. Foi quando eu puxei o braço dele e tentei tomar a arma. Tive sorte de não ter morrido. Como não consegui detê-lo, saltei do banco e fui para frente do ônibus. Desci do veículo e acionei a polícia, mas não adiantou, porque o bandido também desceu e saiu correndo”, relata um motorista de ônibus, da empresa Global, que não quis revelar sua identidade.

“Fui assaltada uma vez. Desde lá fiquei com trauma de pegar ônibus. Fiquei nervosa e passei muito mal na hora. Ia a uma consulta médica com a minha filha na linha 600, à tarde, quando dois rapazes entraram no coletivo e anunciaram o assalto. Um deles se aproximou de mim e puxou o cordão que estava no meu pescoço, apontando uma arma em minha direção. Foi um pesadelo. Além da minha filha, havia outras crianças dentro do ônibus e algumas delas começaram a chorar”, declara a industriaria Maria José de Oliveira, 37, que foi vítima da investida em 2015.

Conforme os registros, as regiões com maiores índices de ataques aos coletivos são as zonas Norte e Leste de Manaus, que concentram o maior número de usuários, aproximadamente 400 mil por dia. Nos bairros São José Operário, Tancredo Neves e Gilberto Mestrinho, as paradas de ônibus espalhadas ao longo da avenida Grande Circular se tornaram pontos de assaltos, principalmente no período entre a tarde e a noite, de acordo com os moradores da área. Em três paradas visitadas na referida via, os relatos foram semelhantes.

A universitária Luana Cardoso, 22, moradora do São José Operário, foi assaltada duas vezes na mesma parada. “É muito perigoso por aqui. Na primeira vez que eu fui assaltada eu estava a caminho da faculdade. Havia umas 20 pessoas na parada quando dois rapazes chegaram e fizeram um arrastão. Foi muito rápido, ninguém reagiu porque eles estavam armados. Foi por volta das 18h. Eles pediram celulares e depois fugiram em uma motocicleta que estava estacionada do outro lado da rua. Foi terrível”, lembra a estudante.

“Não tem hora para acontecer assaltos em pontos de ônibus, mas o perigo maior é na parte da noite. Eu moro no Tancredo Neves e trabalho no bairro Nova Cidade. Mês passado, fui roubado na parada, enquanto aguardava o ônibus de volta para casa. Os bandidos levaram celulares, bolsas e carteiras das vítimas. Havia poucas pessoas na hora.  A parada lá é isolada e não tem iluminação próxima”, relata um vendedor de 28 anos, que não quis ser identificado.

Barreiras

De acordo com o comandante da 14ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), Daniel Segadilha, diariamente são recebidas ocorrências de roubos em paradas de ônibus da Zona Leste. “Os roubos são mais frequentes na avenida Grande Circular. No entanto, estamos trabalhando de forma ostensiva para amenizar esse problema. Recebemos denúncias de arrastões, principalmente na parada que fica próxima ao shopping Cidade Leste. Apesar de ter um fluxo grande de pessoas no local, isso não inibe a ação dos bandidos”, salienta.

Segundo Segadilha, com o intuito de evitar esse tipo de crime, entre outras ocorrências, a 14ª Cicom tem intensificado o patrulhamento na área, montando barreiras em locais e horários alternados.

Por Bruna Amaral

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