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Artistas amazonenses atestam falta de espaços para apresentações de teatro

Artistas locais alegam que a maior frustração é de não ter espaço para as apresentações - Foto: Divulgação

Artistas locais alegam que a maior frustração é de não ter espaço para as apresentações – Foto: Divulgação

Falta de espaços alternativos para apresentação de peças teatrais em Manaus é uma das maiores dificuldades enfrentadas por artistas locais, segundo a opinião do ator amazonense Geraldo Langbeck. Ele atua no ramo da arte cênica há 34 anos e diz que a falta de visibilidade e incentivo por parte do poder público causa frustrações em muitos artistas, mas não desfalece a paixão pela arte.

“Não temos incentivo nenhum por parte do poder público. Ouso dizer que existe um grande descaso com artistas amazonenses, o que gera uma grande frustração. Com relação à cena teatral, isso é ainda mais complicado. Há pouquíssimos espaços alternativos para a divulgação do nosso trabalho. No caso da música e da dança é muito mais fácil se articular. Em qualquer lugar, um músico ou um dançarino pode fazer a sua apresentação. Já o ator depende de um conjunto. É necessário um cenário, figurino, luzes, e outros investimentos que influenciam no resultado do nosso espetáculo”, diz o ator.

Com a ausência de apoio aos artistas de Manaus, Langbeck disse que é impossível sobreviver de teatro, pois a falta de incentivo afasta o público do artista. “Teatro também é um trabalho, porém, não tem reconhecimento no Amazonas. Não dá para se viver da arte aqui. Fazemos teatro por amor. Eu sempre digo que a gente não escolhe o teatro, o teatro é que escolhe a gente. É algo que nasce com o ator”, filosofa.

Langbeck, no entanto, é um dos convidados a participar da programação criada pelo Casarão de Ideias – Um lugar Para Todas as Artes (rua Monsenhor Coutinho, 275, Centro), que busca proporcionar a popularização da arte em Manaus, chamada de “Quintas, Cias. e Ideias” para divulgar trabalhos autorais e performances pouco conhecidas. A primeira oportunidade para conferir trabalhos artísticos será no dia 3 de março, com a apresentação da cantora Márcia Siqueira.

No dia 17 de março, será a vez do espetáculo “Tabacaria”, um monólogo encenado pelo próprio Langbeck. “Fiquei muito feliz com o convite para participar do “Quintas Cias. e Ideias”. É uma oportunidade para nos aproximarmos do público e ganharmos visibilidade. Tenho certeza que o projeto surtirá bastante. Foi uma excelente iniciativa”, diz.

Segundo o artista, o seu espetáculo “Tabacaria” é baseado na obra do poeta de língua portuguesa Fernando Pessoa. “Será uma apresentação com duração de 30 minutos, na qual mostrarei no palco toda a magia dos poemas. Esse é um dos meus trabalhos recentes, e o segundo em que me apresento sozinho. A estreia aconteceu em outubro do ano passado, no Teatro Amazonas e, agora, será divulgado no Casarão de Ideais. Estou muito contente em poder apresentar o meu trabalho outra vez”, comemorou o ator.

Na dança, a performance no “Quintas” será da bailarina e coreógrafa Adriana Goes. Ela fará apresentação do seu espetáculo “Just Buquê”, que mistura dança, vídeo e fotografia. A obra, segundo a artista, surgiu a partir de suas inquietações e pesquisas sobre o universo feminino e sobre a relação entre dança contemporânea e outras linguagens artísticas. No show, Adriana Goes expõe seu ponto de vista sobre a mulher, sua relação com o ambiente social, suas sensações e afetos, utilizando diversas paisagens e delineando a identidade que a mulher vai demonstrar no decorrer da apresentação.

Segundo o gestor do Ponto de Cultura, João Fernandes, o projeto vai ao encontro das necessidades dos artistas locais. “Esse é nosso foco principal, divulgar a arte e a cultura de artistas amazonenses, estreitando e proporcionando uma maior aproximação com público o que com certeza vai gerar bastante visibilidade. Sem contar na interação e entretimento que vamos proporcionar. É notório que existe pouco reconhecimento desses artistas aqui em Manaus, por isso surgiu a ideia do projeto”, declara.

Fernandes ressalta que o“Quintas” conta com uma programação diferenciada. “Os outros meses ainda estamos planejando, mas teremos um pouco de cada coisa. Quem quiser acompanhar as apresentações, basta se dirigir à sede do Casarão”, revela Fernandes.

Programação de março

Márcia Siqueira abre o projeto com clássicos de Elis Regina, do dia 3. Na semana seguinte, será apresentado o filme “Luz nas Trevas – A volta do Bandido da Luz Vermelha”, com Ney Matogrosso, e no dia 17  espetáculo “Tabacaria”. Já na quarta semana, o projeto apresenta o espetáculo de dança “Just Buquê” e, por fim, no dia 31 de março, uma noite com músicas de vinis.

Por Bruna Amaral

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