Sem categoria

Artesanato é alternativa para aquecer vendas das galerias populares de Manaus

Prefeitura de Manaus quer com a FAM gerar movimento e vendas nas galerias populares - fotos: Diego Janatã

Prefeitura de Manaus quer com a FAM gerar movimento e vendas nas galerias populares – fotos: Diego Janatã

A primeira edição da Feira do Artesanato de Manaus (FAM) promete aquecer as vendas nas galerias populares, do Centro de Manaus. 

O evento que reúne 33 artesãos selecionados pela Secretaria Municipal do Trabalho, Empreendedorismo, Abastecimento, Feiras e Mercados (Semtef) oferece ao público consumidor mais de 350 tipos de produtos artesanais a preços populares.

A feira, que começou nesta segunda (25), segue até o próximo sábado (30), nas galerias Espírito Santo (rua 24 de Maio) e Remédios (rua Miranda Leão).

Segundo o diretor do Departamento de Economia Solidária da Semtef, Virgílio Melo, a exposição faz parte do projeto de revitalização do Centro, o ‘Viva Centro Galerias Populares’. O objetivo é dar oportunidade aos artesãos de comercializar seus produtos e criar alternativa para fortalecer as galerias populares com relação ao turismo.

“Quando se vai para qualquer lugar do mundo se busca uma lembrança. E onde? No artesanato”, frisou.

Virgílio disse que a expectativa para a primeira edição da feira nas galerias é de boa movimentação, da mesmo forma como aconteceu, no ano passado, no Fifa Fan Fest, no aniversário de Manaus e no Natal.

“Todos foram bastante bem-sucedidos, com média de R$ 2 mil por artesão, em dez dias de feira”, afirmou.

Paciência e dedicação

A FAM abre o calendário anual de exposição de produtos confeccionados por um grupo de 54 artesões cadastrados, que recebem apoio técnico da Semtef. Na exposição estão disponíveis biojóias, vestuário, brinquedos, decoração e acessórios. As peças custam entre R$ 2 e R$ 20 e alguns artesão aceitam pagamento em cartão.

A artesã Wall França, que trabalha com colares, pulseiras, tiara de flores, canetas e toalhas decoradas, está otimista com o evento. “Às vezes participamos de feiras onde não vendemos muito, mas em compensação, a divulgação dos produtos rende mais”, disse.

Há 15 anos no ramo, a artesã Ana Luzia também espera um bom resultado nas galeiras populares. “Estamos começando hoje (ontem) com uma boa expectativa. Esperamos que a feira progrida e que também traga consumidores para os lojistas da galeria”, enfatizou.

Para a artesã Sintia Maria, o evento é uma oportunidade aos artistas que dependem das feiras para vender os produtos confeccionados por eles.

“A participação em feiras é muito boa e dá para se manter. Eu sustento minhas duas filhas com o meu artesanato”, comentou. Ela borda e costura capas para cozinha, como de gás, água, liquidificador, micro-ondas, entre outros. As peças variam de R$ 5 a R$ 20.

Trabalhar com artesanato requer muita paciência e, sobretudo, dedicação, mas a satisfação dos clientes é o combustível para continuar na atividade. É o que pensa o artesão Jonata Braga, que confecciona bonecas porta-jóias e as comercializa entre R$ 15 e R$ 25.

“Demoro até três dias para montar uma boneca. Às vezes dar muito trabalho, mas é prazeroso ver a satisfação do cliente”, afirmou.

Artesãos avaliam feira como alternativa para divulgar os seus trabalhos e fortalecer o comércio

Artesãos avaliam feira como alternativa para divulgar os seus trabalhos e fortalecer o comércio

Consumidores que visitaram as galerias Espírito Santo e dos Remédios nesta segunda aprovaram a realização da Feira do Artesanato de Manaus. Para a universitária Daiana Pereira, 20, além dos turistas, o espaço atrai os moradores locais que gostam da arte.

“São tantas variedades que deixa qualquer pessoa que gosta de produtos artesanais, como eu, louca e sem dinheiro”, brincou.

A doméstica, Fátima Brandão, 52, foi à galeria dos Remédios para colocar passes, uma vez que, no local há um posto do Sindicato das Empresas de Transporte (Sinetram), e na volta parou na Feira do Artesanato de Manaus. Ela destacou o preço dos produtos comercializados pelos artesãos.

“Gostei muito das peças e mais ainda dos preços que estão bem em conta”, enfatizou.

Microempreendedores insatisfeitos

Os microempreendedores das galerias populares continuam insatisfeitos com as vendas. Eles relatam que o faturamento caiu mais de 80% desde que saíram das ruas.

“Quando estávamos nas calçadas e vendíamos R$ 500 o dia era considerado fraco. Hoje em dia, quando vendemos R$ 30 damos pulos de alegria”, disse um ex-camelô, da Galeria dos Remédios que não quis se identificar por temer represália.

Na Galeria Espírito Santo, o cenário é o mesmo, conforme alguns microempreendedores. “O movimento é fraco e ainda há uma enorme concorrência nas ruas do Centro. As datas comemorativas são os únicos períodos que as vendas melhoram um pouco. Espero que a FAM traga o público para dentro das Galerias”, disse o microempresário Roney Vicente Pereira.

Para a microempreendendora da Galeria Espírito Santo, Rose Monteiro Batista, o projeto ‘Viva Centro Galerias Populares’ só dará certo a partir do momento que não existir mais camelô nas ruas do Centro da Capital. Segundo ela, desde que saiu das calçadas ainda não saiu do vermelho. “Tem dias que não vendemos nem para voltar para casa”, finalizou.

Por Silane Souza (Jornal EM TEMPO)

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir