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Arena ‘hospitaleira’ para times de fora do Estado

Arena da Amazônia Vivaldo Lima tem se mostrado um ótimo palco para as equipes de fora do Estado – arquivo EM TEMPO

Ela foi construída para abrigar quatro partidas da Copa do Mundo 2014 e, na opinião de alguns, alavancar o futebol amazonense. Pomposa, moderna e bonita, a Arena da Amazônia Vivaldo Lima tinha tudo para se tornar o grande palco e a principal casa dos clubes locais. Contudo, o que se viu até agora – quase três após sua inauguração – foi um “estádio hospitaleiro”, que tem acolhido melhor os visitantes do que os mandantes.

A campanha de clubes amazonenses diante de adversários de fora do Estado não tem sido nada boa. Até o momento, foram 18 jogos, somados duelos entre equipes locais de futebol masculino e feminino, pelas seguintes competições: Copa Verde, Copa do Brasil, Série D do Campeonato Brasileiro e Brasileiro feminino. Em apenas quatro oportunidades, os “nativos” deixaram o impecável gramado da arena vitoriosos, empataram oito vezes e perderam outras seis.

O primeiro tropeço apareceu logo no jogo de inauguração do estádio. No dia 9 de março de 2014, pela segunda fase da Copa Verde, o Nacional não passou de um empate com o Remo, resultado que eliminou o Leão da Vila Municipal da competição. A reabilitação, contudo, veio no dia 3 do mês seguinte. Na ocasião, o time comandado pelo então técnico Francisco Diá bateu o São Luiz-RS por 2 a 1, em duelo válido pela primeira fase da Copa do Brasil.

A vitória diante dos gaúchos acabou sendo a última de clubes amazonenses contra adversários de fora do Estado dentro da arena naquela temporada. No dia 30 de abril, o Naça acabou goleado pelo Corinthians-SP e deu adeus à Copa do Brasil daquele ano. De forma mais honrosa, o Princesa do Solimões ainda conseguiu forçar o duelo da volta com o Santos pela segunda fase da Copa do Brasil, mas perdeu a partida em Manaus por 2 a 1, no início de maio.

Ano ‘vitorioso’

O ano de 2015 foi o mais “vitorioso” para os clubes amazonenses dentro da arena. O desempenho não foi lá grande coisa: duas vitórias, duas derrotas e um empate. Este último aconteceu em duelo válido pelas oitavas de final da Copa Verde, um 1 a 1 entre Nacional e Vilhena-RO, o mesmo adversário que seria derrotado cinco meses mais tarde pelo Leão da Vila Municipal por 2 a 0, desta vez pela primeira fase da Série D.

Depois, duas derrotas seguidas do mesmo Naça. A primeira em 10 de agosto para o Remo por 1 a 0. A outra para o Rio Branco-AC, vinte dias depois, por 2 a 0, ambas pelo certame nacional. Após os tropeços, uma vitória por 2 a 1 em cima do Náutico-RR, em setembro. Na ocasião, o time leonino já estava eliminado da competição e jogou apenas para cumprir tabela.

Temporada cheia

Em 2016, a Arena da Amazônia Vivaldo Lima recebeu oito partidas entre nativos e visitantes. A quantidade – a maior em três temporadas – só foi possível por conta do “boom” do futebol feminino com o Iranduba. Quem abriu o ano, porém, foi o Fast. Em duelo válido pela fase preliminar da Copa Verde, no dia 6 de fevereiro, o Rolo Compressor foi derrotado pelo Águia-PA por 1 a 0, resultado que mais tarde seria anulado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) por conta da escalação de um jogador irregular do time paraense.

Em 23 de março, as meninas do Hulk da Amazônia “debutaram” no principal palco esportivo do Amazonas. Pela segunda fase do Brasileiro feminino, elas não passaram de um empate com o Corinthians por 1 a 1. No dia seguinte, o Rolo Compressor voltou a atuar no estádio e, novamente, diante de time paraense, não conseguiu vencer: empate por 1 a 1 com o Paysandu.

O mês de abril chegou, mas com ele, nada de triunfos. Em dois jogos do Iranduba, um empate e uma derrota. No dia 14, igualdade com as paulistas do São José por 1 a 1, e uma semana depois, derrota para o Flamengo, equipe que se sagraria campeã da competição semanas mais tarde. Ainda no corrente mês, o Nacional foi eliminado na primeira fase da Copa do Brasil pelo desconhecido Dom Bosco-MT, após empatar a partida na arena em 1 a 1.

Após contratações de peso, o Nacional iniciou sua campanha na Série D querendo tornar a Arena da Amazônia em seu alçapão em busca do acesso. No dia 18, porém, empate por 3 a 3 com o Atlético-AC e, oito dias mais tarde, o primeiro e único triunfo dos amazonenses diante de um adversário de fora do Estado no estádio: 2 a 1 em cima do Trem-AP.

E 2017?

Bom, a atual temporada começou com todas as outras: tropeço dos nativos diante dos visitantes. Em confronto válido pela primeira fase da Copa do Brasil, o Fast acabou eliminado pelo Vila Nova-GO após empate por 1 a 1.

Mas o ano está só começando. O Rolo Compressor ainda vai disputar a Copa Verde e a Série D do Campeonato Brasileiro. Provavelmente, muitos “forasteiros” tentarão a sorte diante do Tricolor na arena. Resta ao torcedor baré, acreditar que a equipe comandada pelo técnico João Carlos “Cavalo” consiga escrever uma história vitoriosa dentro daquele “templo” que foi construído com a esperança de trazer dias melhores para o futebol amazonense.

André Tobias
EM TEMPO

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