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Áreas do Mundial de Surf têm mais de 100 mortes por ataque de tubarão

O ataque de um tubarão contra o australiano Mick Fanning, 34, no domingo (19), em Jeffreys Bay, na África do Sul, foi algo inédito para o Mundial de surfe. Um tipo de susto sem precedentes, mas que já custou a vida de muitos outros surfistas ou banhistas. O campeonato é disputado em algumas das melhores praias do mundo para a prática do surfe, como Fiji, Teahupoo, na Polinésia Francesa, e Pipeline, no Havaí. São 11 eventos em lugares diferentes.

E nas melhores ondas, também vêm os maiores perigos. Os territórios escolhidos para sediarem as etapas do Mundial somaram 113 mortes por ataques de tubarão até 2014, segundo um levantamento feito pelo Arquivo Internacional de Ataques de Tubarão (ISAF), que tem sede no Museu de História Natural da Flórida, nos Estados Unidos.

Ainda de acordo com o levantamento, foram registrados 578 ataques nesses territórios até o ano passado. O Estado de Queensland, onde fica situada a praia de Gold Coast, sede da primeira etapa deste ano, na Austrália, é a mais perigosa de todas, pois já registrou 182 ataques de tubarão e 50 mortes.

A Austrália como um todo representa uma grande ameaça aos surfistas. Segundo o ISAF, 153 pessoas já morreram por um ataque de tubarão no país -a última foi em 2014.

A África do Sul, sempre de acordo com o levantamento, é o segundo país que mais registra óbitos por ataques de tubarão. São, ao todo, 54 mortes e 241 ataques.

A província do Cabo Oriental, onde fica a praia de Jeffreys Bay, é o local mais perigoso da África, pois já registrou 98 ataques de tubarões e 14 mortes.

Outros surfistas já relataram a presença do animal na praia em que Fanning foi atacado. Os australianos Taj Burrow, 37, em 2003, e Michael Lowe, 38, em 2007, disseram que foram perseguidos por um durante uma bateria.

Apesar dos perigos dessas praias, a organização do Mundial não pretende tirar nenhuma dessas etapas do calendário. Muito pelo contrário. Deseja colocar até mais uma para ficar com 12 no total. Indonésia é a primeira opção. Japão, a segunda.

“Nós nunca vimos um ataque de tubarão. É relativo falar que aqui [na África do Sul] é mais perigoso que lá [na Austrália]. Em Fiji, por exemplo, tem muito tubarão. Mas não há ataque”, disse à Folha de S.Paulo Renato Hickel, um dos diretores da WSL (Liga Mundial de Surfe), por telefone.

“Os ataques em Jeffreys Bay foram com banhistas, nadando longe da praia, a quase um quilômetro daqui. É um esporte perigoso como todos os outros”, afirmou Hickel.

Em Jeffreys Bay, por ser uma área muito perigosa, há sempre uma lancha e dois jet skis na água, que estão lá só para observar a presença de tubarões. Na areia, há ainda salva-vidas e até olheiros que estão sempre em alerta.

No caso deste domingo, nada foi visto. Só foram notar a presença do tubarão quando o animal já estava atacando Fanning, que sofreu apenas alguns arranhões.

Com o perigo iminente, a etapa da África do Sul foi cancelada. Segundo Hickel, tanto Fanning como o seu compatriota Julian Wilson, 26, que também disputava a final, foram categóricos ao dizer que não entrariam mais no mar.

“A segurança dos atletas é a nossa prioridade”, disse Paul Speaker, CEO da Liga Mundial de Surfe.

EUA E BRASIL

Se Austrália e África do Sul são os países que mais registram mortes por ataques de tubarão, os Estados Unidos possuem o maior número de ataques. Segundo o levantamento do ISAF, 1.100 pessoas foram atacadas até 2014 no país.

A Flórida, que não sedia nenhuma etapa do Mundial, é o local mais perigoso, pois já registrou 717 investidas de tubarões contra pessoas, sendo 11 ataques fatais. O último foi em 2010.

Já o Brasil tem 98 ataques, com 22 mortes. O local que concentra a maior ameaça é Pernambuco, pois já teve 55 investidas de tubarões contra pessoas e 16 óbitos. A última morte aconteceu em 2013, na praia de Boa Viagem, no Recife.

Por Folhapress

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