Dia a dia

Aproveitando a falta de policiamento, traficantes utilizam rodoviária para o transporte de drogas

Bandidos aproveitam para transportar drogas, em virtude da falta de policiamento no local e de revista nas bagagens - foto: Márcio Melo

Bandidos aproveitam para transportar drogas, em virtude da falta de policiamento no local e de revista nas bagagens – foto: Márcio Melo

Em estado de abandono e sem fiscalização por parte dos órgãos públicos, a rodoviária Engenheiro Huascar Angelim, localizada no bairro Flores, Zona Centro-Sul, se tornou o caminho mais fácil para traficantes entrarem e saírem de Manaus com entorpecentes. Na última semana, a Polícia Civil apreendeu, após uma denúncia, aproximadamente, 2 quilos de drogas, que estavam escondidos dentro de uma mala. O destino do entorpecente não foi divulgado.

Com o fechamento do único posto da Polícia Militar, da base descentralizada do Tribunal de Justiça do Amazonas (Tjam) e da Polícia Federal, a rodoviária de Manaus atualmente não conta com nenhum mecanismo para fiscalizar e combater a criminalidade. Por conta disso, o tráfico achou uma brecha na falha do sistema de segurança pública, para distribuir entorpecentes para outros Estados, sem que haja barreiras.

Além de conviver diariamente com a insegurança, que domina o espaço a pelo menos quatro anos, frequentadores e comerciantes do espaço alegam que nos últimos meses são obrigados a presenciar o livre acesso de traficantes, que se aproveitam da falta de policiamento para transportar drogas.

“Os que trabalham aqui tentam abafar os assaltos, a falta de segurança e até mesmo o tráfico que acontece livremente neste local. Eu semanalmente uso os serviços da rodoviária e durante a espera do ônibus, já presenciei várias vezes esses crimes. Tem virado rotina e, infelizmente, ninguém pode fazer nada. Se não tomarem uma medida severa, daqui a pouco este espaço terá que ser desativado, porque a população corre constantes riscos”, declara uma passageira, que prefere não se identificar.

Funcionários das empresas de transporte interestadual Aruanã e Eucatur relataram que não possuem autorização para fiscalizar nenhuma bagagem dos passageiros e que o transporte de mercadorias infelizmente acontece livremente. Em caso de suspeita, a Polícia Militar é o único órgão que pode ser acionado para apurar a denúncia.

“Só não podemos embarcar eletrônicos, que se encaixam no padrão de transportadora de mercadorias, mas outros objetos não temos como impedir. Até porque, em hipótese alguma podemos solicitar que o passageiro abra a mala para que possamos verificar o que está sendo transportado, mesmo que haja uma desconfiança de drogas. O único procedimento nesse caso é acionar a PM”, informa um agente da Eucatur, que também prefere não ser identificado.

A Agência Reguladora dos Serviços Públicos do Amazonas (Arsam), único órgão com unidade ainda instalado na rodoviária, afirma que não é de sua responsabilidade fiscalizar bagagem ou atender denúncias feitas em relação a essas situações.

“Nosso dever é fiscalizar os veículos de transporte interestadual que prestam serviços à população. Verificamos a parte de documentação, equipamentos de segurança do passageiro e condições físicas dos ônibus, além disso, já não é de nossa responsabilidade. Não podemos afirmar que não existe fiscalização por parte da polícia. Mesmo não tendo um posto na rodoviária, é feita constantemente a ronda pela PM”, observa o diretor da Arsam, coronel Homero Leite.

SSP não tem planos para o local

Procurada para falar sobre a falta de segurança na rodoviária e a utilização da mesma por traficantes, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), por meio de sua assessoria de comunicação, limitou-se a informar, por meio de uma nota, que as ações de combate ao tráfico de drogas no Estado realizadas pelos órgãos de Segurança já resultaram em quase 14 toneladas desde 2015, e que neste ano já apreendeu algo em torno de 3 toneladas.

A precária situação do lugar também já foi alvo de vistoria e audiência pública, neste mês de maio - foto: Ione Moreno

A precária situação do lugar também já foi alvo de vistoria e audiência pública, neste mês de maio – foto: Ione Moreno

A secretaria não informa se irá reativar algum posto da Polícia Militar ou algo similar para tentar inibir a ação de traficantes, mas destaca que as operações realizadas pelo órgão são baseadas principalmente no trabalho de inteligência, realizado pela Secretaria-Executiva-Adjunta de Inteligência (Seai), do órgão, que não consistem em manter apenas policiamento presencial nas localidades.

Conforme a nota, por meio desse trabalho, que monitora com recursos de Inteligência todas as entradas e saídas, inclusive o terminal rodoviário, o Amazonas têm se destacado como o Estado que mais tem registrado apreensões de drogas no país.

 

Da redação

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