Economia

Aprendizado e turismo: amazonenses aproveitam viagens de intercâmbio também para lazer

O músico Gustavo Jinkings (ao centro), na Irlanda, onde estudou e trabalhou por quase 1 ano e meio – foto: divulgação

O músico Gustavo Jinkings (ao centro), na Irlanda, onde estudou e trabalhou por quase 1 ano e meio – foto: divulgação

Aprender ou aprimorar outro idioma e aproveitar para fazer turismo com custos mais baratos que uma viagem de férias. É a impressão que se tira dos pacotes de intercâmbio ofertados em Manaus e que os amazonenses têm aproveitado para a América do Norte, a Europa e a Oceania.

Com o dólar canadense praticamente R$ 1 mais barato do que o dos Estados Unidos, a engenheira de produção Larissa Cantisani, 32, que busca melhorar o seu inglês para fazer provas de mestrado e doutorado, escolheu o Canadá para fazer o seu intercâmbio. De setembro a outubro, ela passará um mês em Toronto, aproveitando as férias do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), onde é técnica em propriedade intelectual.

Com um amigo, Larissa escolheu a agência Egali Intercâmbio no mês de fevereiro deste ano, que na época tinha o pacote mais em conta. Segundo a engenheira, o curso de um mês, com hospedagem em Toronto, custou em torno de R$ 5,6 mil, parcelados de fevereiro a agosto, um mês antes da viagem. A passagem, que ela comprou com seguro, custou em torno de R$ 3,3 mil, e parcelou no cartão de crédito em dez vezes.

E para se manter no Canadá, Larissa levou cerca de C$ 2 mil (dólares canadenses), depositados no cartão Visa Travel Money (VTM), uma espécie de cartão de débito que precisou tirar para a viagem. “Com ele, podemos pagar as contas de consumo, e pagamos uma pequena taxa para tê-lo. Tem alguns lugares que não aceitam, mas aí basta fazer o saque”, explica.

Além do aprimoramento do inglês, Larissa diz que o intercâmbio uniu o útil ao agradável, quando lhe permitiu estudar e conhecer novas culturas num país multicultural como o Canadá. “Na minha sala, são nove pessoas, sendo cinco brasileiros, uma japonesa, uma coreana, uma colombiana e um peruano”, anumera.

Nova Zelândia
O tecnólogo de rede de computadores Irazê Fonseca Filho, 52, escolheu em 2009 a Nova Zelândia para fazer o seu intercâmbio. Na época, ele morava em Curitiba e foi para Buenos Aires, na Argentina, para pegar um voo mais barato, e o pacote de seis meses do curso custou R$ 12 mil, com hospedagem em casa de família, com direito ao café da manhã e jantar. “Melhorei o meu inglês, que para a minha profissão é muito importante. E mesmo que não tenha nenhum conhecimento de inglês, vale muito a pena fazer intercâmbio”, avalia.

Naquele ano, Izarê lembra que o dólar neozelandês (NZ$) custava R$ 2,40 e ainda levou em consideração que não teria dificuldades para tirar o visto. Ele conta que levou NZ$ 4 mil, sendo NZ$ 2 mil em espécie e os outros NZ$ 2 mil em cartão de débito. “Estabeleci uma meta de gastar NZ$ 100 por dia. Mas tinha dias que gastava apenas NZ$ 20, quando aprendi a economizar. E, no final, ainda voltei para o Brasil com NZ$ 500”, afirma.

Entrada em conta para a Europa

O administrador e músico Gustavo Alex Jinkings, 26, voltou do intercâmbio na Irlanda, há pouco mais de dois meses. Ele deixou o Amazonas em fevereiro e 2015 e voltou a pisar na terra natal em junho deste ano. No país europeu, ele, que já havia trabalhado como professor de inglês e tradução simultânea em Manaus, buscava pôr em prática tudo que já tinha aprendido, num ambiente totalmente estranho a sua cultura.

Depois de investir R$ 8,5 mil para o curso de seis meses pela IE Intercâmbio, R$ 3 mil de passagem aérea e mais E$ 3 mil (euros) – que na época custava R$ 3,50 -, ele relata que nesse intercâmbio, na cidade de Dublin, teve experiências péssimas a verdadeiros milagres. Entre elas, quando a situação apertou, teve que escolher entre comprar comida ou pagar a passagem de ônibus para o emprego que conseguiu lá depois de quatro meses.

Para conseguir comer, passou a usar bicicleta para fazer o percurso de 15 quilômetros de onde morava para o trabalho, enfrentando o frio irlandês. Após três meses conseguiu outro emprego, onde trabalhou por oito meses em estoque numa grande rede de supermercados. Conseguiu alugar uma casa e dividiu o aluguel com conhecidos e desconhecidos que viraram a sua família.

Além do inglês, ele fez curso profissionalizante de Songwriting (composição musical) na faculdade Brighton Institute of Modern Music (Bimm), que durou 1 ano escolar. “Fiquei mais do que realizado com esse feito”, diz. Gustavo não pensa em voltar a Irlanda, “pelo frio”, mas recomenda a experiência. “ Irlanda é tudo de bom, das pessoas a geografia, a proximidade com a Europa e a possibilidade de crescimento”, avalia.

Efeitos da crise e da alta do dólar

Em ano de crise, as agências de intercâmbio também sentiram os efeitos na redução do volume de contratos. Mas, ainda assim, se mantêm com um bom volume. A World Study, que está há 8 anos no mercado de Manaus, que levava no ano passado 30 amazonenses por meses para intercâmbios, neste ano tem média de 20, consideradas todas as opções, como para a América do Norte e a Europa, por exemplo, segundo a gerente regional, Vanessa Braga.

Segundo ela, nos últimos anos o perfil de busca dos intercambistas mudou bastante, principalmente por conta da alta do dólar americano, o que favoreceu a busca com maior intensidade pelo Canadá, cuja diferença entre uma moeda e a outra é hoje de quase R$ 1, além da facilidade de tirar o visto, que não exige entrevista, como para aos Estados Unidos.

A gerente da World Study lembra que a Austrália e a Nova Zelândia, na Oceania, e a Irlanda, na Europa, são atrativas se levar em consideração experiências para estudo e trabalho, num período mínimo de 14 semanas. Num orçamento de seis meses, em termo de curso, sai por volta de R$ 11 mil, segundo Vanessa, mas é possível achar pacotes de cursos por R$ 8 mil.

No caso da Irlanda, que, de acordo com a gerente não precisa de visto, é necessário abrir uma conta no banco do governo irlandês, e nela é necessário depositar E$ 3 mil. “É um valor que o governo irlandês considera suficiente para a pessoa se manter no país, pelos seis meses contratados para o intercâmbio, mesmo que ela não encontre trabalho. E em Dublin o custo de vida não é tão alto”, diz.

Por Emerson Quaresma

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