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Após vexame, Heriberto puxa ‘barca’ de dispensas no Nacional

Torcida levou faixas pedindo a saída do técnico Heriberto da Cunha e do goleiro Roberto Gomes - foto: Diego Janatã

Torcida levou faixas pedindo a saída do técnico Heriberto da Cunha e do goleiro Roberto Gomes – foto: Diego Janatã

De ressaca após a eliminação para o Dom Bosco-MT na primeira fase da Copa do Brasil, a diretoria do Nacional já começou a promover mudanças para a sequência da temporada. Ontem (28), o clube anunciou a saída do técnico Heriberto da Cunha. Além dele, dez jogadores também devem fazer parte da “barca’ que deixará a Vila Municipal. O substituto do ex-comandante deve ser apresentado nos próximos dias.

A fraca exibição na última quarta-feira (28) na Arena da Amazônia Vivaldo Lima foi a gota d’agua para os dirigentes do Leão da Vila Municipal, que resolveu reformular o elenco e comissão técnica para o restante da temporada. O primeiro a sair foi o técnico Heriberto da Cunha, que esteve à frente da equipe desde de dezembro do ano passado.

Em 12 partidas disputadas sob seu comando – seis delas amistosas –, o Nacional perdeu apenas duas vezes, mas acabou sendo eliminado das Copas Verde e do Brasil. O que pesou na decisão da diretoria foram as fracas exibições do time, principalmente diante do Dom Bosco-MT.

Heriberto não escondeu a tristeza com a decisão dos dirigentes leoninos. O ex-técnico do Nacional revelou que o combinado era utilizar o primeiro semestre para organizar o time que vai disputar a Série D do Campeonato Brasileiro, porém, o presidente Mário Cortez não cumpriu com sua palavra.

“Você está montando um trabalho, agora que íamos entrar em um Campeonato Brasileiro e foi quebrado. Quando me trouxeram, era para fazer uma montagem e trabalhar com a Série D como maior objetivo. A equipe já estava sendo definida. Achei que íamos ver os positivos e negativos desde início e pensar em possíveis negócios. Porém, o presidente me chamou e comunicou que ia mudar. Se o Nacional tem o objetivo de subir, tem que ter paciência”, analisou o ex-comandante.

Como já havia mencionado em entrevistas anteriores, Heriberto afirmou que o Nacional só caiu de rendimento porque perdeu seus três principais jogadores por lesão.

“Encaixamos Vitor, Wanderley e Charles e fizemos jogos bons, mas perdemos esses jogadores e tivemos que montar outro ataque. O Rafael (Silva) tem problema intestinal. Sempre sofria com gastrite. O (Tiago) Verçosa não deu a resposta esperada. O Sandrinho vivia machucado. O Nacional não teve a paciência. Vem um treinador, tem uma ou duas derrotas e acaba sendo dispensado. Você tem que ter um projeto, fazer o trabalho a longo prazo.
Quando estava assinando o contrato, isso ficou acordado, mas na hora de dispensar, não ligaram para isso”, frisou Heriberto.

Dez atletas devem deixar o clube

Em reunião realizada no Centro de Treinamento Barbosa Filho, localizado no Coroado, Zona Leste de Manaus, a diretoria do Nacional começou a pensar no futuro da equipe. Além de mudar o comando técnico, os dirigentes demonstraram insatisfação com o atual elenco. Por conta disso, segundo uma fonte ligada aos cartolas, uma lista de dispensa com dez nomes foi feita.

Um dos mais criticados pela torcida, Rodrigo Dantas foi dispensado - foto: Ione Moreno

Um dos mais criticados pela torcida, Rodrigo Dantas foi dispensado – foto: Ione Moreno

Desses atletas, sete já foram comunicados da rescisão contratual. São eles: os goleiros Roberto e Thiago Régis, o zagueiro Fabiano, o volante Osmar, o meia Max Willian e os atacantes Sandrinho e Rodrigo Dantas. Além deles, outros três jogadores serão informados hoje: o lateral-esquerdo Rodrigo Fernandes, o meia colombiano Tressor Moreno e o atacante Rafael Silva.

Questionado sobre sua situação, Tressor afirmou não saber da dispensa, porém, confirmou que foi chamado pelo diretor de futebol interino, Carlos Souza, para uma reunião na tarde de hoje no CT do clube. Mesmo estando apto a jogar e treinar, o atleta não foi utilizado em nenhum dos treinamentos realizados durante esta semana por Heriberto da Cunha. “Realmente, dez atletas serão dispensados. Destes, sete já foram informados e os outros três vão se reunir durante esta sexta-feira”, informou o dirigente.

Torcedores aprovam mudanças

O clima entre Heriberto da Cunha e os torcedores do Nacional já era ruim muito antes da fatídica partida de quarta-feira (28) começar. Durante a semana, os muros do CT foram pixados e alguns membros de uma torcida organizada invadiram um treinamento para protestar contra a comissão técnica e jogadores. Durante o confronto contra o Dom-Bosco-MT, a torcida levou faixas pedindo a saída do técnico e de alguns jogadores do elenco.

Alguns torcedores chamaram os jogadores de mercenários - foto: Diego Janatã

Alguns torcedores chamaram os jogadores de mercenários – foto: Diego Janatã

A estudante universitária Jéssica Diely, 24, explicou que o principal motivo da revolta dos torcedores em relação ao ex-treinador do Nacional era a apatia demonstrada na beira do campo. Ela explica que Cunha não conseguiu montar um time competitivo mesmo tendo cinco meses à frente do clube.

“Ele não conhecia o nosso futebol. Ele trouxe muitos jogadores que não deram certo. Ele escolheu o elenco. Tem toda uma adaptação. Eles não conhecem e isso prejudica. Esse é um erro das pessoas que a diretoria contrata. Eles desvalorizam a base”, afirmou Diely.

Outro torcedor que comemorou a saída do treinador foi Wilson Machado. Para ele, os cartolas demoraram a tomar essa atitude, porém, ainda acredita que o time pode entrar forte na Série D do Campeonato Brasileiro.

“Notícia tardia, mas ainda dá tempo de fazer melhorias no time. O novo treinador pode fazer em um mês o que ele não fez em cinco. Eu levei a faixa pedindo a saída desse treinador teimoso, desatualizado e desmotivado. Não dava um grito na beira do campo. O goleiro é um dos que ele teimava. Acho que o Nacional fez certo. Levou cinco meses, mas ainda tem tempo. Temos 40 dias para o início do Brasileirão”, finalizou o torcedor.

Por Thiago Fernando

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