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Após ser acusado de estupro, delegado de Juruá volta a ser alvo de denúncias

Após acusações de estupro, policial é acusado de obrigar presos a participarem de lutas livres e brigarem entre si – foto: reprodução

Após acusações de estupro, policial é acusado de obrigar presos a participarem de lutas livres e brigarem entre si – foto: reprodução

Uma semana após se tornar alvo de denúncias de abuso sexual envolvendo menores, o delegado Daniel Pedreira da Trindade surge em novo caso. Na manhã desta quarta-feira (10), a reportagem do EM TEMPO teve acesso a um vídeo gravado no 70º Distrito Integrado de Polícia de Juruá (a 671 quilômetros de Manaus), no qual dois presos aparecem trocando socos sob os gritos de “dispensa não, caboclo”, “vai no solto” e “na cara”.

No início da gravação, Daniel atua como uma espécie de juiz e dá início à luta, presenciada por outros presos e policiais militares.

Segundo a fonte ouvida pela reportagem, que manteve a identidade sob sigilo, o delegado obrigaria os presos a participarem das sessões de luta livre. “Se eles se recusassem, teriam de brigar com os colegas de cela”, explica. O prefeito do município, Tabira Ferreira (PSD), afirma que, há cerca de um mês, comentários a respeito da atividade começaram a circular no município. “Não cabe a mim julgar o delegado. Isso é função das autoridades competentes”.

Professor de artes marciais, Trindade desenvolve projetos de inclusão social no município desde maio de 2014. Ele classifica as denúncias como um mal entendido e se diz vítima de perseguição, cujos motivos desconhece. “Faço um trabalho de ressocialização também entre os presos, com quem sempre mantive boas relações. Além disso, respeito a filosofia das artes marciais, que envolve noções de disciplina e hierarquia”, defende-se.

Tortura

Desde o início desta semana, uma equipe da Corregedoria da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) está apurando as denúncias de abuso sexual de menores e tortura. O resultado das investigações deverá ser apresentado na próxima semana.

Trindade é acusado de abusar sexualmente de, pelo menos, cinco meninas com idades entre 11 e 16 anos. Familiares das adolescentes afirmam que, após a publicação das denúncias pelo EM TEMPO na quarta-feira (3), o delegado teria passado a intimidá-las. “Ele abordou um pai e obrigou-o a assinar uma declaração para comprovar a inocência dele”, diz a fonte que enviou o vídeo.

Trindade confirma que namorou com a filha da fonte, a estudante J.P.D, porém não chegou a ter relações sexuais com ela. “Vários parentes, incluindo o irmão, conviviam conosco e sabiam do relacionamento”, argumenta. A adolescente era aluna da escola estadual Romerito da Silva Brito, onde Trindade ministrava palestras sobre violência doméstica e prevenção às drogas.

A mãe encaminhou a denúncia à Secretaria de Segurança Pública e à Assembléia Legislativa do Amazonas (Aleam), entre outros órgãos. “O problema é que, em Juruá, não há médicos ou peritos capacitados para fazer o exame de conjunção carnal”, reclama. Dentro de 30 dias, Trindade deverá assumir novo posto no município de Carauari, a 780 quilômetros da capital.

A reportagem tentou entrar em contato com a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (seccional Amazonas), mas não obteve resposta até o fechamento desta edição. A SSP informou que as investigações do caso de suposto abuso sexual ocorrem em sigilo, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), mas não se pronunciou sobre o vídeo.

Por Daniel Amorim (Equipe EM TEMPO)

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