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Após queda, mãe perde bebê e família acusa maternidade de negligência no atendimento

O companheiro de Alessandra, Glinger Trindade, estava visivelmente abalado com a situação ele falou que o bebê seria o terceiro filho do casal - foto: Diego Janatã

O companheiro de Alessandra, Glinger Trindade, estava visivelmente abalado com a situação. Ele falou que o bebê seria o terceiro filho do casal – foto: Diego Janatã

Uma suposta negligência médica teria levado a dona de casa Alessandra Ferreira de Miranda, 25, gravida de 9 meses, a perder seu bebê, na madrugada desta quinta-feira (25).

Familiares disseram ao EM TEMPO Online que a mulher chegou à maternidade Ana Braga, na Zona Leste, ontem, por volta das 18h, com fortes dores, devido a uma queda, mas que lá teria recebido apenas uma medicação à base de Buscopan e sido liberada.

Em casa, durante a madrugada, a mulher, porém, sentiu dores novamente e retornou à unidade hospital, entretanto a criança já estava morta, o que, segundo a família, ocorreu em consequência da medicação.

A direção da maternidade, no entanto, rebate a acusação e afirma que o bebê morreu devido ao descolamento prematuro de placenta, que ocorreu em decorrência da queda que a mãe sofreu.

“A paciente teve um descolamento prematuro de placenta, que acontece de maneira brusca e que não tem como diagnosticar na hora da queda. O Buscopan receitado pelo médico que a atendeu não dá descolamento de placenta, pois é um remédio usado há muito tempo em grávidas. A causa da morte do bebê não foi a medicação e sim a queda que ocasionou o descolamento, foi uma fatalidade”, disse o diretor da maternidade, Antenor Filho Barbosa.

Queda

De acordo com a sogra da mãe do bebê, a industriaria Odilene Pantoja, 35, a nora caiu no momento que estava mexendo o ar condicionado de sua casa, na tarde de ontem, e, por volta das 18h, começou a sentir dores na barriga, sendo levada para a maternidade.

“Quando cheguei do trabalho ela estava com muita dor e a leveir para o hospital. Lá, bateram um ultrassom, escutaram o coração do bebê e o médico disse que estava tudo normal com a criança. Ele só passou o Buscopan e mandou a gente ir para casa, dizendo que, caso ela sentisse dores, era para voltar. Às 2h30 da madrugada ela começou a sentir dores novamente e a sangrar, então votamos ao hospital, onde eles bateram novo ultrassom e foi constado que o bebê estava morto”, falou a sogra da paciente.

O companheiro de Alessandra, Glinger Trindade, estava visivelmente abalado com a situação. Ele falou que o bebê seria o terceiro filho do casal. A mulher estava gravida de uma menina e o parto seria cesariano.

A prima do marido da dona de casa, Marcela Pantoja, 25, questiona porque o médico que a atendeu não deixou a paciente em observação, visto que ela já estava com nove meses e em uma situação delicada.

“Não conseguimos entender porque ele não a deixou em observação no hospital. Se ela tivesse ficado internada, talvez o bebê não estivesse morrido. Vamos esperar o laudo para saber se a criança morreu em decorrência da queda ou devido a mãe ter tomado Buscopan, mas acredito que não foi devido à queda e sim devido ao remédio”, disse a jovem.

Familiares de Alessandra reclamaram também na demora da cirurgia para retirar o bebê. “Ela chegou ao hospital por voltas 3h da madrugada e a criança só foi tirada 9h30 de hoje, isso é absurdo, ela poderia ter morrido também, ou pegado alguma infecção. A minha tia fez um escândalo na maternidade para poder eles fazerem a cirurgia e tirar o bebê”, falou Marcela revoltada.

Conforme o diretor da unidade, será aberto uma sindicância para investigar o porquê do médico não ter deixado a paciente em observação.

“Quando retornou, a paciente já estava com diagnóstico de FM, ou seja, feto morto. Nesse meio tempo foi feito o diagnóstico de deslocamento de placenta. O descolamento prematuro de placenta é uma patologia grave, quando descola a placenta do útero, o oposto do oxigênio que vai para o bebê é eliminando. Vamos apurar todo o fato. Em relação ao médio ter liberado, vamos abrir uma sindicância. A história da queda também vamos apurar. A cirurgia demorou porque tinham outras pacientes na frente dela, era preciso esperar terminar os outros procedimentos para começar o dela”, concluiu Antenor Barbosa.

Por Mara Magalhães

 

 

 

 

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