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Após parar atividades, servidores da saúde de Manacapuru reivindicam pagamento de 4 meses de salário

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Servidores acusam prefeito de obrigá-los a aderir inclusão em cooperativa que não repassa salário há quatro meses – foto: Márcio Melo

Com as atividades paralisadas há 5 dias, servidores da rede municipal de saúde de Manacapuru, localizado a 87 quilômetros de Manaus, realizaram uma manifestação na manhã desta sexta-feira (30), em frente à rodoviária da cidade, para cobrar o pagamento dos salários que estão atrasados há quatro meses. Com faixa e cartazes que pediam o afastamento do prefeito Jaziel Nunes, o ‘Tororó’, candidato à reeleição, os manifestantes bloquearam parte da avenida por quase três horas.

Além dessa situação, os colaboradores reivindicaram melhores condições de trabalho e reestruturação no sistema de saúde do município. Na ocasião, eles afirmaram que durante esse período tentaram negociar os débitos com o poder municipal, mas que nunca foram atendidos pelo prefeito e nem pela secretária de saúde, Márcia Cardoso de Oliveira.

“Tanto a classe médica, como a de enfermagem, odontológica e de técnicos estão reivindicando o pagamento dos salários que estão atrasados e por melhoria no ambiente de trabalho. Melhorias que não temos há muito tempo. É visível a falta de respeito da gestão local com a população e com os profissionais. Isso vem indignando toda a sociedade. A saúde pública está na UTI, ferindo o direito constitucional do cidadão que não tem tido os serviços básicos. O prefeito coloca culpa na crise, no governo, mas na verdade sabemos que isso não procede, porque a saúde de Manacapuru é municipalizada. Vamos brigar pelos nossos direitos”, disse o médico e dentista Ângelo Massulo.

Já o técnico de enfermagem Taynã Jorge Tavares, demitido por aderir à greve, destacou que a situação é muito mais grave do que a população imagina. Segundo Tavares, materiais hospitalares estão em falta e medicamentos não estão sendo mais oferecidos aos usuários do sistema, devido o descaso da prefeitura. Profissionais afirmam que enviaram o caso ao Ministério Público do Estado (MPE) mas que, até o momento, nada foi feito.

Tavares ressaltou que, há dois anos, o prefeito teria obrigado os servidores a se associarem a uma cooperativa chamada Nacional Cope, que não vem realizando desde então o pagamento de férias, 13º salário e nem outros direitos trabalhistas. O técnico de enfermagem frisou que os colaboradores foram ameaçados de demissão caso não aceitassem a adesão à cooperativa. O ex-servidor municipal disse ainda que os profissionais que aderiram à greve ou participaram do primeiro manifesto, realizado no início deste mês, foram exonerados pelo município.

“Não temos luvas, toucas e nem algodão. São materiais necessários para trabalhar. Nos banheiros até papel higiênico falta para os profissionais e para os usuários. Sabemos que o governo federal manda todos os meses os recursos da saúde e o prefeito não repassa para gente. Não sabemos para onde está indo esse dinheiro e ele não nos dá explicação. Fizemos várias denúncias no MPE e nada foi feito. Queremos solução, estamos clamando por socorro. Tem gente passando fome, sendo despejado das suas casas, com contas atrasadas. Não aguentamos mais essa humilhação, estamos no limite. É muita corrupção. Estamos numa situação desesperadora, enquanto ele esbanja fortuna. Eu na primeira manifestação quando chamei os colegas para aderir ao ato, fui demitido”, denunciou.

Os usuários do sistema que se uniram ao ato desta sexta-feira lamentaram o descaso do poder público e comentaram que estão sendo prejudicados financeiramente com a falta de medicação nos hospitais e nos postos de saúde. A aposentada Francisca da Costa disse que vem sendo obrigada a se locomover até a capital para pegar remédios.

“Eu tomo remédio controlado e na farmácia do hospital não tem mais os quatro tipos de medicamentos do meu uso diário. Estou indo à Manaus toda semana para pegar na rede de lá. Isso é um absurdo com a população. Faz cinco meses que eu não consigo a minha medicação aqui em Manacapuru. Esse prefeito é um ditador, só faz o que quer. Ninguém encontra esse homem em lugar nenhum. Precisamos que alguém com o poder maior do que o dele, tome uma providência urgente”, falou a aposentada.

A reportagem do EM TEMPO foi até a sede da prefeitura para falar com Tororó sobre o assunto, mas ele não quis receber a equipe. Um servidor do órgão, que não se identificou, encaminhou a equipe do EM TEMPO para o gabinete da secretária de saúde, que também evitou falar sobre o assunto.

Por Gerson Freitas

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