Dia a dia

Após nova catástrofe no Haiti, imigrantes que residem em Manaus trabalham para ajudar familiares

Pai de dois filhos que nasceram em Manaus, o haitiano Michel Manguenson veio para o Brasil acompanhado de sua esposa e trabalha duramente para tentar trazer seu único irmão para o país, após perder a mãe em 2010 – foto: Marcio Melo

Pai de dois filhos que nasceram em Manaus, o haitiano Michel Manguenson veio para o Brasil acompanhado de sua esposa e trabalha duramente para tentar trazer seu único irmão para o país – foto: Marcio Melo

O furacão Matthew passou pelo Haiti na última quinta-feira (6) e deixou mais de 800 mortos. O país já havia sido castigado por um histórico terremoto em 2010, que matou mais de 316 mil pessoas. Após mais uma catástrofe, imigrantes que residem em Manaus trabalham dia e noite e fazem apelo pelos familiares. É o caso do jardineiro Michel Maguenson, 30, irmão de quatro mulheres e um homem na região de Porto Príncipe, local afetado pelo furacão.

Pai de dois filhos que nasceram em Manaus, Michel veio para o Brasil acompanhado de sua mulher, também haitiana. O imigrante perdeu sua mãe no terremoto de 2010.

Agora em 2016, ele trabalha duramente para tentar trazer seu único irmão para o Brasil. Ele lamenta as dificuldades para manter contato com familiares. Seu irmão é o único da família que possui visto para entrar no país.

“Estamos tendo muitas dificuldades para manter contato com nossos parentes. O WhatsApp que está salvando”, explica. “Por mim, eu traria todos, mas somente meu irmão possui visto. Infelizmente, não temos condições financeiras de resgatá-los. Tenho trabalhado diariamente pensando na minha família. Já consegui arrecadar R$ 1 mil, faltam R$ 2.500. Com R$ 3.500 dá para custear as passagens até Manaus”, informa.

Ele recorda da morte da mãe, ocorrida no terremoto de 2010, quando saiu de casa para deixar as crianças na escola. “Quando voltei, vi minha mãe morta e todas as casas daquele local totalmente destruídas, foi o dia mais triste da minha vida, quero poder evitar outras tristezas como essa”, afirma.

Michel perdeu o pai quando ainda era garoto e tentou recomeçar a vida após o tremor de terra. O jardineiro agora terá mais um obstáculo pela frente, retirar sua família das áreas de risco. “Caso alguém queira me ajudar, é só me procurar aqui na igreja de São Geraldo, sempre estou por aqui. Sei que o país passa por crise, mas caso alguém sinta no coração de me fortalecer, eu estou aqui para ser ajudado”, declara o jardineiro.

Haiti tem triste histórico de tragédias

Subiu para 842 o número de vítimas no Haiti, após a passagem do furacão Matthew, de acordo com os últimos dados divulgados pelas autoridades locais. As informações são da Agência Ansa.

Desde segunda-feira (3), países do Caribe estavam em alerta para a aproximação do fenômeno meteorológico, considerado o mais perigoso a atingir a região na última década. Na Jamaica, o furacão trouxe ventos fortes ventos e chuvas que alagaram várias cidades.

Na terça-feira (4), o Matthew atingiu o Haiti e o território cubano com ventos de 230 quilômetros por hora, devastando cidades e áreas de cultivo. O Haiti foi, até o momento, o país mais atingido pelo furacão. O número de vítimas ainda pode crescer, já que muitas áreas estão inacessíveis para as equipes de resgate.

No dia 12 de janeiro de 2010, os haitianos saíam do trabalho quando o país foi abalado por um forte tremor. Em menos de um minuto, estima-se que mais de 316 mil pessoas tenham morrido naquele que foi o pior terremoto já enfrentado pelo país em todos os tempos. O epicentro foi a 15 quilômetros da capital, Porto Príncipe. O tremor principal registrou 7,3 graus na Escala Richter. Mais dois tremores secundários foram sentidos no país: um de 5,5 graus e outro de 5,3 graus. Em 1984, o país havia sofrido, até então, o maior terremoto de sua história, de 6,7 graus.

Por João Paulo Oliveira

Portal EM TEMPO

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