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Após morte de líder comunitária, Portelinha vira sinônimo de medo no Iranduba

Comunidade Portelinha virou sinônimo de insegurança, após a morte da líder comunitária Dora Priante - foto: Ricardo Oliveira

Comunidade Portelinha virou sinônimo de insegurança, após a morte da líder comunitária Dora Priante – foto: Ricardo Oliveira

Ninguém escancara mais portas e janelas na comunidade Portelinha, localizada na estrada de Serra Baixa, no município de Iranduba, a 25 quilômetros de Manaus. As pessoas apenas olham pelas frestas e preferem manter os portões trancados com correntes e cadeados.

Esse clima de tensão e medo se abateu sobre o lugar, desde o dia 13 de agosto, quando a líder comunitária Maria das Dores dos Santos Salvador Priante, a Dora Priante, foi encontrada morta com 12 tiros, depois de ter sido sequestrada de dentro da sua casa, na comunidade, na noite anterior.

Na vila onde antes crianças brincavam nas ruas, mulheres varriam terreiros e estendiam roupas nos varais e caseiros cuidavam da terra, o que se vê hoje são ruas desertas e um silêncio sepulcral. Por mais de uma hora, o carro com a equipe do EM TEMPO circulou pela comunidade, onde moram (ou moravam) 50 famílias, e apenas quatro pessoas foram encontradas: Uma menina que esperava o ônibus para ir à escola; uma moça que procurava uma área onde seu celular conectasse o sinal; o açougueiro que não vende um quilo de carne há duas semanas e um caseiro, José Delfino Filho, 52, o único que aceitou se identificar e falar alguma coisa.

“Se é para falar alguma coisa, teria que falar a verdade. E a verdade ninguém pode falar, porque se falar morre “, diz o homem. As outras três pessoas confirmam o que ele acaba de afirmar. Mesmo diante da insistência do repórter, ninguém quis comentar nada. Ninguém sabe de nada, ninguém viu ou ouviu nada. O medo mora na Portelinha, onde algumas casas já foram abandonadas devido ao estado de terror que se instalou na comunidade.

Bem antes da morte de “dona Dora”, casas chegaram a ser incendiadas para que seus proprietários a abandonassem e pudessem ser negociadas por grileiros.

Mas Delfino fala. Ele diz que as “autoridades” não tomaram nenhuma providência diante das 18 ocorrências que “dona Dora” fez na polícia, denunciando que estava ameaçada de morte e precisava de segurança.

“Agora está todo mundo correndo para saber quem matou, quem não matou. Mas a polícia deve agir antes de acontecer e não depois que a vida foi tirada “, diz o trabalhador rural, que nunca frequentou um banco de escola, mas fala com a sabedoria dos que se indignam contra a omissão do poder público diante do abandono dos homens do campo.

O homem que está por trás desse estado de terror que tem expulsado os moradores da Portelinha se chama Adson Dias da Silva, 38, o ‘Pinguelão’. Ele foi o primeiro presidente da Associação Comunitária Rural Portelinha, mas, depois de deixar o cargo passou a vender terras que não eram dele e a ameaçar os posseiros que já estavam na comunidade há mais de 20 anos.

No dia 10 de janeiro deste ano, circulou um abaixo-assinado no assentamento, que o denunciava tentar intimidar os que lhe ousam contestar.

Quando a líder comunitária Dora Priante assumiu a presidência, passou a denunciar o grileiro, fazendo denúncias – crime e registrando Boletim de Ocorrência (BO) na delegacia de Iranduba. Ao mesmo tempo passou a colecionar recibos de vendas de terras por ‘Pinguelão’, que cobrava entre R$ 3 mil e R$ 15 mil por um lote.

Por Mário Adolfo

2 Comments

2 Comments

  1. sararecgina rosario brasil

    9 de setembro de 2015 at 23:33

    Eotmo

  2. Pólemos

    30 de agosto de 2015 at 09:29

    Durante a ditadura militar, generais e coronéis se apossaram de terrenos em área urbana, e de vastos territórios em área rural.
    Agora são os bandidos aliados a poderosos políticos e policiais.

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