Economia

Após decepção com a Copa, empresários de Manaus não se animam para contrações visando às Olimpíadas

Donos de restaurantes não farão os mesmos investimentos que empreenderam para a Copa do Mundo - foto: Diego Janatã

Donos de restaurantes não farão os mesmos investimentos que empreenderam para a Copa do Mundo – foto: Diego Janatã

A 68 dias dos jogos Olímpicos do Rio 2016, evento do qual Manaus participará como sede de seis partidas de futebol, segmentos de atividades econômicas como os hotéis e bares e restaurantes não esboçam nenhuma empolgação com o evento. Empresários e representantes dos setores não falam em grandes investimentos em estrutura e nem em capacitação de pessoal, como aconteceu antes da Copa do Mundo de 2014.

A presidente da Associação Brasileira de Bares de Restaurantes no Amazonas (Abrasel-AM), Lilian Guedes, diz que neste ano a entidade vem oferecendo diversos cursos de atendimento aos funcionários do segmento, visando ao recebimento dos turistas. Mas, segundo ele, num comparativo com o que foi articulado para Copa do Mundo de 2014, é quase nada. “Temos a consciência de que, assim como foi na Copa do Mundo de 2014, não teremos neste ano o boom tão esperado”, avalia.

Lilian observa que, apesar dos investimentos dos empresários em 2014, a experiência com a Copa do Mundo, em Manaus, não atendeu as expectativas, por isso, a desanimação com os Jogos Olímpicos na capital amazonense. “Nós preparamos as casas. O investimento foi pesado em mobiliário, equipamentos e treinamentos, cursos de línguas, mas quando a Copa chegou foram poucos os clientes que procuraram os nossos serviços”, conta.

De acordo com a presidente da Abrasel-AM, que conta com mais de 250 empresas associadas à entidade, ao contrário da preparação que os empresários articularam para a Copa do Mundo de 2014, para os Jogos Olímpicos, eles não irão se endividar.

“Tivemos uma experiência negativa com a Copa do Mundo. Nos preparamos de fato, fizemos treinamento, participamos de um projeto de categorização. Empresários investiram, mas na hora de receber os turistas eles não chegaram. Não teve políticas de incentivo. Fizemos cartilhas de línguas, criamos cartilhas em espanhol, inglês, cursos para fazer receptivo, mas não obtivemos resultados”, salienta.

Sem investimentos para este ano, Lilian diz que no momento a maioria dos empresários do segmento estão preocupados com a situação do país. O que ainda vão fazer, segundo ela, é tomar os devidos cuidados com a segurança alimentar.

Rede hoteleira

Sem números sobre reservas de turistas para o período olímpico, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Amazonas (Abih-AM), Roberto Bulbol, diz que a maioria dos turistas que devem visitar Manaus serão dos países que terão jogos na Arena da Amazônia, como a Colômbia e Japão. “O público predominante será de outros países, mas também de brasileiros de Estados vizinhos como o Pará”, comenta.

Conforme a Abih-AM, a média de visitantes estrangeiros e brasileiros nos hotéis em 2014 foram de 2,6 por dia, a maioria para acompanhar as seleções dos seus países. “Eles chegavam a Manaus para assistir à partida do seu país e no dia seguinte partiam para outro Estado. Alguns foram fazer passeio na selva e no rio. Mas, o número de turistas que ficaram hospedados mais dias em Manaus não foi representativo. Num hotel de cem apartamentos, por exemplo, apenas cinco ficaram por mais tempo”, explicou Bulbol.

Nada de contratações de olho no evento

Para o empresário da rede de restaurantes Tambaqui de Banda, Mário Vale, o seu empreendimento não contratou ninguém de olho na possível demanda dos jogos Olímpicos, como fez para a Copa do Mundo de 2014. Mas, pela localização do seu espaço, no largo São Sebastião, Centro, Zona Sul, a expectativa é que turistas e delegações visitem para experimentar os seus melhores pratos regionais.

“Temos uma exceptiva boa pela localização do nosso espaço. Também por oferecermos comidas e pratos regionais. Mesmo com um fluxo menor em relação à Copa do Mundo, a concentração deve voltar a acontecer no largo São Sebastião, como foi em 2014”, avalia o empresário.

A expectativa é que turistas e delegações visitem para experimentar os seus melhores pratos regionais - foto: Márcio Melo

A expectativa é que turistas e delegações visitem os restaurantes da cidade para experimentar os os melhores pratos regionais – foto: Márcio Melo

Segundo Mário Vale, baseado na experiência da Copa do Mundo, em que maioria das pessoas preferiam assistir os jogos em casa, nas Olimpíadas pode acontecer o mesmo fenômeno, e sair apenas após as partidas. “Na Copa do Mundo tivemos essa experiência no restaurante. Ninguém frequentava. Ficamos na expectativa para que nas Olimpíadas tenhamos alguns em momentos turistas, atletas e comissões olímpicas. O atleta que vai ficar no Brasil, deve fazer algum roteiro de viagens pelo país”, espera.

Comitê espera movimento da Copa

O volume de turistas esperados em Manaus, no período dos Jogos Olímpicos, é o mesmo do recebido durante a Copa do Mundo de 2014, apesar da crise que o país vem enfrentando. A afirmação é do diretor-presidente da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult) e coordenador municipal do comitê olímpico Manaus 2016, Bernardo Monteiro de Paula.

“Depositamos toda a credibilidade em Manaus. Acreditamos que a cidade terá um desempenho semelhante ao da Copa do Mundo e o trabalho em conjunto realizado pelos governos é fundamental para isso. Viemos aqui no sentido de aportar ajuda no que for necessário”, afirma Bernardo.

De acordo com o diretor–presidente da Manauscult, o que poderá atrair e segurar os turistas para a capital, ao contrário do aconteceu na Copa, em que os turistas, após os jogos saiam da capital rumo a outros Estado, será a preparação de eventos no complexo turístico da Ponta Negra.

“Estamos convencidos de que teremos uma festa igualmente grandiosa, a exemplo da que foi realizada na Copa do Mundo. A prefeitura está fechando a programação e a parte estrutural para receber o público que terá a oportunidade de vivenciar o espírito olímpico na cidade”, diz o coordenador municipal do comitê olímpico.

 

Por Stênio Urbano

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir