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Após anúncio de cortes em verbas para a Cultura, futuro do Festival  Folclórico de Parintins é incógnita

Faltando menos de 40 dias para a realização do 51º Festival Folclórico de Parintins, o futuro do evento ainda é uma incógnita - foto: Foto: Ione Moreno/Arquivo Em Tempo

Faltando menos de 40 dias para a realização do 51º Festival Folclórico de Parintins, o futuro do evento ainda é uma incógnita – foto: Foto: Ione Moreno/Arquivo Em Tempo

Faltando menos de 40 dias para a realização do 51º Festival Folclórico de Parintins, o futuro do evento ainda é uma incógnita.  Na manhã desta sexta-feira (20), o governador José Melo (Pros) anunciou o corte de R$ 35 milhões de patrocínio a eventos culturais, esportivos e de turismo. O que deve afetar em cheio o espetáculo. Por conta disso, na próxima terça-feira (24), uma reunião entre os representantes  dos bois e o chefe do Executivo estadual deverá decidir os rumos da festa.

Segundo o presidente da Associação Folclórica Boi-Bumbá Garantido (AFBBG), Adelson Albuquerque,  ele foi pego de surpresa com o anúncio do corte e  vai esperar a reunião para decidir as medidas que serão tomadas para a realização do evento. “O Festival não é somente um evento cultural por si só,  faz parte da indústria cultural do  Amazonas. Seu desdobramento econômico é tentacular, atingindo uma cadeia que será quebrada”, declarou.

O presidente do Garantido comentou ainda que ele e toda a sua gestão, esperam o comunicado de forma oficial. Caso se confirme as declarações do governador, a decisão se configura como uma tragédia econômica para o município de Parintins.

“Temos patrocinadores másters de porte internacional, empresas de turismo que já venderam pacotes, hotéis em Manaus e em Parintins que fecharam reservas, empresas que estavam interessadas em fechar parceria com o festival e que certamente depois desse anúncio, por temeridade, não entrarão no evento. O Festival de Parintins movimenta uma cadeia econômica que se reverte em impostos para o Amazonas. Todos ganham com o evento. Não quero acreditar que o governo cometerá esse erro histórico”.

A reportagem do EM TEMPO tentou entrar em contato com os representantes do Boi Caprichoso, mas não conseguiu localizá-los.

Confirmando o anuncio do governador, o secretário Estadual de Cultura, Robério Braga, comentou que este ano o governo não repassará nada para nenhum festival, inclusive o apoio logístico para festa. “As atividades que dependem de patrocínio, apoio cultural de infraestrutura e logística todas foram cortadas, inclusive o Festival de Parintins. Anteriormente, o evento era feito com recursos vindos do Estado e da iniciativa privada. Não sei se só com os recursos da iniciativa privada será o suficiente para a realização, pois até a questão de logística, como a segurança do evento, o governador cortou. Vamos ver qual será a decisão dos presidentes dos bois-bumbás”.

Em nota, a Maná Produções, Agência Oficial e Exclusiva das Associações Folclóricas Bois Bumbás Caprichoso e Garantido de Parintins, responsável por quase todos os patrocinadores privados, estatais e federais do festival, informou que foram renovados os patrocínios da Brahma, Petrobras, Eletrobras, Bradesco e HapVida, alguns com redução do valor aportado, como por exemplo os Correios, que se tornaram apoiadores do festival e a Whirlpool também na condição de apoiadora.

Agência informou ainda que o Atacadão também ingressou como novo patrocinador. E na categoria de apoiadores,  o festival passou a contar também com a Mac Cosméticos,  Lojas Marisa e C&A, com apoios pequenos e focais.

O comunicado reiterou ainda a confiança que deposita nos bois e  em suas diretorias e que todos os patrocinadores têm suas participações confirmadas e  convicção de que estão apoiando o mais importante evento folclórico do Brasil.

A nota concluiu informando que nesse ponto, o festival está tecnicamente seguro, mas não tem toda a logística que era responsabilidade do governo.

Ânimos

A notícia estremeceu os ânimos dos artistas de Parintins e de Manaus que pretendem se manifestar contra a medida do Estado.  No domingo (22), a partir das 16h, será realizada uma manifestação em defesa do festival, no Largo São Sebastião.

Já em Parintins, a população recebeu com indignação a notícia de que o governo do Estado, pela primeira vez, depois de 50 anos, não irá liberar recursos para os bumbás realizarem a tradicional disputa na arena do bumbódromo.

“É lamentável, é triste, é inaceitável, não podemos ficar calados diante dessa estupidez, nós, artistas, queremos provocar o Ministério Público Estadual, como é que o governo tem dinheiro para o Festival de Ópera e não tem para o festival da terra, do povo amazonense, que dá identidade ao Estado”, o  desabafo foi do artista Juarez Lima, do boi Caprichoso, que chegou a passar mal dentro do galpão do boi ao tomar conhecimento do corte.

Momentos após a notícia circular nas redes sociais e as emissoras de rádios darem destaque em Parintins, o artista Juarez Lima pediu uma reunião com os demais artistas de ponta do boi para discutir uma estratégia para fazer frente a esse momento difícil pelo qual passa o festival.

“Precisamos nos unir juntamente com os artistas do contrário e mostrar ao Estado a nossa revolta, a nossa indignação não é pelo dinheiro, mas é pelo que o Festival representa para a nossa economia”, afirmou.

No Garantido, o clima também era de muita tristeza. O artista Rogério Azevedo disse que o boi está planejado para as três noites de disputa. “Essa notícia de hoje foi um balde de água fria em todos nós artistas, não podemos aceitar calados uma imposição que compromete a nossa festa e, sobretudo a nossa economia”.

Azevedo disse que os artistas deverão se encontrar juntamente com os do Caprichoso para definir uma agenda de ações em defesa do Festival Folclórico.

Articulador das reuniões entre o governador e a diretoria dos bumbás, o deputado estadual, Bi Garcia (PSDB), alertou para o fato de que a não realização do Festival Folclórico “será um desastre para o Estado do Amazonas e a economia de Parintins”. O parlamentar disse que participará, juntamente com presidente da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), Bosco Saraiva (PSDB), mais uma vez da reunião com o governador para interceder pelo festival.

Em nota, o prefeito de Parintins, Alexandre da Carbrás, voltou a se colocar à disposição da diretoria dos bumbás para encontrar uma alternativa à crise financeira que está impedindo o Estado de repassar recursos para o evento.

Por Kattiúcia Silveira e Tadeu de Souza

 

 

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