Economia

Após greve, servidores da Suframa voltam ao trabalho

Os trabalhadores voltaram ao trabalho nesta segunda-feira - foto: divulgação

Os trabalhadores voltaram ao trabalho nesta segunda-feira – foto: divulgação

Os servidores da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) voltaram aos trabalhos na manhã desta segunda feira (20). Após 56 dias de paralisação, os trabalhadores da autarquia deram uma trégua na greve por um voto de confiança ao Governo Federal.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Servidores da Suframa (Sindframa), Anderson Belchior, os servidores estão trabalhando intensamente para fazer o desembaraço das cargas que precisam de liberação.

Durante o período da greve, os servidores da Secretaria do Estado da Fazenda (Sefaz), por ordem judicial, ficaram incumbidos de fazer o trabalho de vistoria e liberação das mercadorias retidas nos pontos de entrada de carga na Capital.

Segundo Belchior, as cargas que foram liberadas pelos servidores da Sefaz podem ter problema futuros. Para que isso não aconteça, o presidente do Sindframa afirmou que o setor jurídico da Suframa já noticiou a Receita Federal a respeito da situação das cargas liberadas.

“O trabalho que foi feito no período da greve não é o mesmo que os servidores da Suframa realizam. A Sefaz não realizou a vistoria nas mercadorias em si, apenas nas notas fiscais. Os problemas vão aparecer a médio e longo prazo. Para que ninguém saia prejudicado, a Suframa já notificou a Receita Federal sobre o assunto”, afirmou Belchior.

De acordo com o secretário do Sindicato das Empresas de Agenciamento, Logística e Transportes Aéreos e Rodoviários de Cargas do Amazonas (SETCAM), Raimundo Augusto Neto, a Sefaz fazia o trabalho de vistoria no físico e nas notas fiscais, o que não estava acontecendo era apenas o procedimento de internação.

“A Suframa recepcionava as notas fiscais que a Sefaz mandava, mas não internava e nem aparecia no site. O fato de não internar poderia causar problemas futuros. Agora, nessa volta da greve, a Suframa já está trabalhando para que tudo ocorra corretamente e estão internando tudo que foi liberado, desde as cargas retidas no dia 21 de maio ao dia 19 de julho”, afirmou.

Raimundo Augusto ressaltou também que 95 carretas que foram liberadas pela Sefaz não foram entregues pelas transportadoras. De acordo com o secretario do SETCAM, os clientes não quiseram receber as cargas.

“A clientela ficou temerosa de receber as cargas já liberadas, pois a Suframa poderia entrar com recurso para derrubar a decisão judicial que deu poder a Sefaz para fazer o desembaraço. Por isso o temor dos clientes”, observou.

Segundo Raimundo Augusto, as 95 carretas representam 19 mil toneladas de cargas, o equivalente  a R$ 14 milhões.

A greve

A greve dos servidores da Suframa só chegou ao término por conta de um ‘voto de confiança’ dado pela categoria ao Governo Federal e parlamentares da região Norte. Foi o que afirmou Belchior na última quinta-feira (16), ressaltando que na volta do recesso dos parlamentares, [dia 4 de agosto], se os problemas dos trabalhadores da Suframa não forem solucionados, haverá uma assembleia para decidir entre os servidores, a realização de uma nova greve. Belchior ainda disse que a população já estava sendo prejudicada, e essa não é a intenção do movimento grevista.

Durante a paralisação dos servidores da Suframa, muitos problemas se encadearam na cidade de Manaus. Um dos problemas foi no comércio. A falta de mercadoria assolava os lojistas da capital que temiam, na época, ter que demitir um número expressivo de funcionários.

O presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL-Manaus), Ralph Baraúna Assayag, chegou a anunciar, no mês de junho, 500 demissões no varejo, por cor conta da escassez de mercadorias nas lojas.

Outro assunto corriqueiro à greve foi a falta de medicamentos nas farmácias e órgãos públicos. Um informativo publicado no site da Sefaz, na quinta-feira (9), informou que mesmo com a decisão da Justiça Federal de que medicamentos deveriam ter prioridade na liberação pela Suframa, durante a greve da autarquia, insumos utilizados na rede pública de saúde do Estado, como sondas e luvas cirúrgicas ficaram retidos nos portos e transportadoras.

Ainda de acordo com o informativo publicado pela Sefaz, além de sondas e luvas cirúrgicas, produtos usados nos hospitais e prontos-socorros da rede estadual como fraldas geriátricas e compressas cirúrgicas também tiveram atraso na liberação ao chegarem a Manaus, devido à greve da Suframa. De acordo com o informativo, a situação levou o Governo do Amazonas a realizar compras emergenciais para que a falta desses itens não agravasse o atendimento à população.

Os rumores de que havia falta de medicamentos por conta da greve dos servidores da Suframa foram combatidos pelo Sindframa.

Em nota divulgada em uma rede social, o Sindframa afirmou que toda mercadoria que se encaixava no perfil de itens essenciais estavam sendo vistoriadas e liberadas imediatamente por parte dos servidores da autarquia. Era necessário apenas que as empresas apresentassem os manifestos de mercadoria conforme normas da Suframa e comprovassem que se tratava dos itens essenciais.

Na época dos rumores o presidente do Sindframa classificou como imprudência as colocações do governo estadual quanto a falta de medicamentos, e diz que os mesmos estavam sendo entregues e que não havia reclamações dos despachantes quanto a isso.

Por Asafe Augusto

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