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Após 15 anos, brasileira ganha herança de R$ 8,5 mi de executivo americano

Thomas era um executivo norte-americano que se mudou para o Brasil em 1995 para tocar a sede local da Lucent, hoje Alcatel-Lucent, empresa que desenvolve sistemas de tecnologia. Ele era casado e tinha três filhos, já maiores de idade, que ficaram nos Estados Unidos.

Instalado na região de Campinas, conheceu Beatriz (nome fictício), com quem passou a morar um ano depois, sem nunca ter oficializado o divórcio nem o novo casamento. Beatriz engravidou e, poucos meses depois, ele foi diagnosticado com um tumor no cérebro. Quando a filha completou um ano, em 1999, ele morreu.

À época, a empresa indenizou apenas a família norte-americana. Beatriz, então, decidiu entrar numa batalha judicial. Sua defesa argumentava que, pelo fato de a empresa estar sediada no Brasil, deveria respeitar a legislação local, que assegura a indenização a herdeiros dependentes. A filha brasileira era a única menor de idade.

Mas a viúva tinha dificuldades financeiras e não podia nem sequer custear as despesas com o advogado. Há seis meses, porém, a vida mudou. A família brasileira ganhou o processo, o que garantiu uma indenização de R$ 8,5 milhões.

A Alcatel-Lucent foi obrigada a pagar o mesmo valor que havia pago à família norte-americana, corrigido pela inflação e com rendimento de 1% ao mês.

‘Senti um alívio muito grande. Passamos por dificuldades. Consegui criar a minha filha com humildade e ajuda da minha família e seguiremos assim. O dinheiro não mudará quem somos’, diz Beatriz. Mas já permitiu que comprasse um imóvel e custeará a faculdade da filha, que está com 17 anos.

Acordos extrajudiciais

A condição financeira da brasileira pode ter motivado as numerosas tentativas de acordos extrajudiciais desvantajosos propostas pela Lucent, diz o advogado, José Virgílio Queiroz Rebouças. A empresa foi ‘resistente’, diz, e entrou com cerca de 20 recursos ao longos dos 15 anos de batalha judicial.

O grupo disse que as ações tiveram ‘tramitação regular’ e que foram ajuizadas contra as empresas que depois vieram a se tornar a Alcatel-Lucent Brasil S/A. ‘Foi uma relação maravilhosa. Fico feliz que Thomas tenha aparecido em minha vida’, diz a viúva. ‘Estive ao lado dele até os últimos momentos.’

O sonho do executivo era voltar a seu país de origem na aposentadoria, acompanhado da filha e da mulher brasileira, conta. ‘Como no primeiro casamento, por conta do trabalho, ele não pode participar muito da vida dos filhos, o que ele mais queria era ver nossa filha crescer, estar ao lado dela em todos os momentos. Quando adoeceu, insistiram para que ele fizesse o tratamento nos Estados Unidos, mas ele optou por ficar ao nosso lado’, afirma Beatriz.

Por Folhapress

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