Economia

Apagões e Aedes aquecem indústria de velas no Amazonas

Quedas de energia na capital e no interior do Amazonas movimentam a produção do setor – foto: arquivo EM TEMPO

Quedas de energia na capital e no interior do Amazonas movimentam a produção do setor – foto: arquivo EM TEMPO

A deficiência no abastecimento de eletricidade em Manaus no interior do Amazonas e a ameaça de epidemia do mosquito Aedes aegypti colaboram para o crescimento da produção de velas, na capital amazonense, para os grandes e pequenos produtores. Enquanto a maior indústria de velas mantém a produção de 100 toneladas por mês, os pequenos exploram a alternativa de produção de velas de andiroba e citronela para espantar o mosquito que transmite a dengue, zika e a febre chikungunya.

A pequena produtora de velas aromáticas e proprietária da Amazon Velas e Sabonetes, Cylis Fernandes, disse que, nos últimos meses, a produção de velas de andiroba e citronela, que está pequena por conta da baixa procura, quadruplicou após a forte comunicação sobre os riscos do mosquito.

“Faço velas artesanais aromáticas há 15 anos e entre os aromas a citronela estava incluído por ser repelente do mosquito que transmite a dengue. Mas ela era pouco procurada. No momento, com essa epidemia, é a mais procurada”, afirmou a empresária. “Atualmente, produzimos entre 150 e 200 velas, a um custo de produção de 50% do valor de venda. Antes da epidemia, fazíamos no máximo 50 por mês”, comparou.

Cylis explicou que a citronela é uma planta aromática que não é tóxica e é conhecida por ser um repelente natural por conta do seu aroma cítrico e forte. A partir do caule e das folhas, é possível extrair os óleos que contêm tais propriedades. Muito utilizado em cachoeiras para manter os mosquitos longe, o óleo de citronela pode ser misturado com outros aromas naturais, como eucalipto ou canela.

A maior produtora de velas da indústria amazonense, a Rubi, além de seguir com um grande volume de produção, graças às quedas de energia em Manaus e no interior do Estado, mantém a mão de obra sem demissões, segundo o empresário Eraldo Guedes. “Há 25 anos fabricamos velas e vendemos sempre uma ótima quantidade por conta da situação do interior, que praticamente não tem energia, e da capital, onde ela cai a todo momento”, afirmou.

De acordo com o empresário, em virtude dos problemas de energia da região, a empresa conta, atualmente, com mais de 50 colaboradores, que conseguem atender o mercado da Região Norte. Eraldo afirmou que a fábrica mantém a produção de 100 toneladas de velas por mês e o controle de mais de 70% da produção regional, atendendo todo o Amazonas, Acre, Amapá, Roraima e parte do Pará.

“Isto porque a energia é inconstante. Hoje (2) mesmo tivemos uma queda no linhão de Tucuruí, o que prejudicou o abastecimento. Isto sem contar com os modelos dos atuais transformadores, que sempre apresentam defeito na rede pública”, observou o empresário.

Fred Santana

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