Economia

Aos 75 anos, salário mínimo é incapaz de pagar o básico

Cidadãos manauenses falam em rendas extras e priorização para conseguir sustentar a família - arquivo EM TEMPO

Cidadãos manauenses falam em rendas extras e priorização para conseguir sustentar a família – arquivo EM TEMPO

O salário mínimo completou 75 anos de vigência no Brasil no último dia 8 de julho, e no início deste ano, segundo levantamento feito pelo Banco Central (BC), ele atingiu o maior poder de compra desde agosto de 1995. Mesmo chegando a essa marca, a população manauense reclama do valor do salário, que desde o dia 1 de janeiro de 2015 está em R$ 788, e da sua incapacidade de cobrir com tranquilidade as despesas básicas da família.

De acordo com o industriário Nelson Santarém Junior, 28, o salário mínimo ao longo tempo obteve alta, mas, em compensação, os gastos com produtos básicos de consumo, como alimentação e roupas, estão cada vez mais caros. “O salário aumentou, mas foi pouco, em comparação com os produtos básicos, que estão mais caros. Hoje em dia com o salário mínimo é impossível vestir, calçar e comer. Tudo aumentou”, avalia.

O industriário Marivaldo Gonçalves Leite, 37, aponta que é necessário ter um ganho extra além do salário mínimo. Para sustenar a família, ele conta que faz trabalhos avulsos para somar aos R$ 788 mensais. “Tenho que ter algo a mais, uma renda por fora, pois só com o salário mínimo não dá para manter minha família. Tenho que sustentar quatro pessoas dentro de casa. Tudo aumenta; a luz nesses últimos tempos está vindo um absurdo. Aí não tem condições. Faço bicos, ou sempre tento ter outra forma de renda”, relata.

A funcionária do setor alimentício Maria Ribeiro, 42, afirma que, diante de um salário incapaz de suprir as necessidades, ela prioriza do que será possível pagar no mês. “Como o salário mínimo é pouco, nós aqui de casa de cidimos quais as contas serão pagas primeiro”, ressalta.

Aumentos

Ao longo dos 75 anos de vigência no Brasil, o salário mínimo teve altos e baixos, mas, desde 2005, voltou a receber aumentos reais. Ele recuperou o seu valor de compra para ser reconhecido como um dos fatores determinantes para o aumento da renda e da qualidade de vida da população pobre no país. “A data, além de ter grande significado histórico, é uma oportunidade para reafirmar a importância do salário mínimo aos trabalhadores brasileiros”, destaca o ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias.

Atualmente, a relevância social dessa medida se expressa na sua abrangência como remuneração básica de quase 46,7 milhões de brasileiros, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Econômicos (Dieese). “São empregados domésticos e rurais, beneficiários do INSS e de programas sociais, jovens no primeiro emprego, homens e mulheres que, certamente, podem comemorar o aumento real de 76,5% verificado nos últimos 11 anos”, enfatiza.

Por Asafe Henrique

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