Cultura

Aos 67 anos, morre atriz amazonense Gegé Sadim

Primeira atriz de teatro local a conquistar um prêmio nacional, a amazonense Gegé Sadim morreu ontem, aos 67 anos - foto: divulgação

Primeira atriz de teatro local a conquistar um prêmio nacional, a amazonense Gegé Sadim morreu ontem, aos 67 anos – foto: divulgação

Presença marcante no teatro amazonense entre as décadas de 1970 e 1990, a atriz amazonense Gegé Sadim morreu ontem pela manhã, de insuficiência respiratória, aos 67 anos. Francisco Carlos, Sérgio Cardoso e Luiz Vitalli estão entre os diretores que tiveram a oportunidade de trabalhar com a artista, que sofria de diabetes. O seu corpo foi velado ontem, na Escola Municipal André Vidal de Araújo (Vila Amazonas, Parque 10), e o enterro será realizado hoje pela manhã, no Cemitério Santa Helena, bairro São Raimundo.

Sobrinha de Gegé Sadim, a também atriz Amanda Sadim conta que a artista completaria 68 anos no dia 28 de junho. Ela chegou a trabalhar com a tia na peça “Amanusmente”, sob a direção do dramaturgo Luiz Vitalli, da Cia. Pombal Arte Espaço Alternativo. O diretor destaca que, graças a essa atuação, Gegé foi a primeira artista local a conquistar um prêmio nacional, no caso, o de melhor atriz no Festival Nacional de Arte, no ano de 1989, em Canela (RS).

“Minha tia foi quem me criou e, por meio dela, conheci a arte, o teatro e o circo. Sempre digo que ela me apresentou as coisas mais belas da vida. Desde pequena me levava ao teatro e, por meio dessa boa influência, eu me tornei atriz também”, afirma Amanda. “Sempre foi muito dedicada e chegou a viajar para o Rio de Janeiro com o Zezinho Corrêa para estudar teatro. E nos anos 1980, a Gegé chegou a ser chamada para atuar na Rede Globo, mas teve que recusar o convite por motivos familiares”.

Protagonista

O diretor e dramaturgo Sérgio Cardoso conheceu Gegé Sadim no final dos anos 1970, no elenco de uma peça de Francisco Carlos. “Depois, eu a encontrei trabalhando com o Luiz Vitalli. Era uma atriz de primeira linha da Cia. Pombal e foi protagonista de duas peças minhas, ‘Ambrozhya e o phantasma da ahrte’, de 1989, e ‘Salomeh e as tartarugas radiativas’, em 1994”, diz Cardoso.

“Era uma mulher maravilhosa, uma pessoa criativa, culta e uma atriz generosa. Uma artista intuitiva de grande sabedoria”, elogia o diretor. Sérgio Cardoso lembra que Gegé se retirou dos palcos para lecionar.

“A Gegé foi atriz do Pombal durante quase 20 anos”, comenta Luiz Vitalli. “Depois, ela passou a se dedicar a um trabalho pioneiro de formação do ator com deficiência visual na Escola Estadual Joana Rodrigues, no bairro da Glória. Era ainda uma artista performática e chegamos a levar poesia para alguns lugares ‘da moda’ da cidade. A Gegé sempre foi muito espontânea, tinha muita versatilidade e brilhantismo de cena”.

Por Luiz Otavio Martins

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