Cultura

Aos 67 anos, James Taylor chega ao topo com disco único e confessional

Numa parada de sucessos dominada por ‘Rihannas’ e ‘Taylor Swifts’, que raro é ver um quase setentão chegar ao topo, empunhando um surrado violão e tocando músicas que soam antiquadas em meio ao pop festivo de hoje.

Mas foi o que aconteceu na última semana de junho, quando ‘Before This World’, primeiro disco de inéditas de James Taylor em 13 anos, liderou a parada ‘Top 200’ da revista ‘Billboard’.

O disco vendeu 96 mil cópias na primeira semana, batendo álbuns de Taylor Swift (‘1989’), Adam Lambert (‘The Original High’), Ed Sheeran (‘X’) e Hillary Duff (‘Breathe In, Breathe Out’) e dando a Taylor, 67 anos e uma carreira de quase 50, seu primeiro disco a liderar o ‘Top 200’.

O sucesso do disco prova que ainda existem muitos fãs das baladas tranquilas e do violão plácido de James Taylor.

Os três álbuns que ele gravou antes de ‘Before This World’ haviam chegado perto do topo da parada: ‘Hourglass’ (1997) foi número nove, e ‘October Road’ chegou ao quarto lugar, assim como ‘Covers’ (2008), um disco de versões de clássicos de Leonard Cohen (‘Suzanne’), Smokey Robinson (‘It’s Growing’) e Buddy Holly (‘Not Fade Away’), entre outros.

“Before This World” tem uma sonoridade mais folk que outros de seus discos. Faixas como ‘Today Today Today’, ‘Stretch of the Highway’ ou ‘Montana’ poderiam muito bem estar em um disco de Willie Nelson ou de algum outro trovador de música country.

Fãs de James Taylor costumam elogiar o tom pessoal de suas letras. Desde que estreou em disco, em 1968, ele ficou conhecido por revelar sua intimidade e dramas pessoais em letras que pareciam confissões.

‘Fire and Rain’, seu primeiro grande sucesso, lançado em 1969, falava de sua internação em clínicas psiquiátricas para tratamento de depressão e do suicídio de uma amiga, Suzanne Schnerr (“Vi momentos de solidão em que não conseguia encontrar um só amigo / mas sempre achei que voltaria a te encontrar”).

As letras de Taylor continuam únicas e confessionais. ‘Today Today Today’ contempla a longevidade da vida e carreira do compositor com versos tristes e surpreendentes (“De alguma forma, não morri (…). O caminho está aberto / Meu coração está, livre do medo”).

Vez por outra, ele chega perigosamente perto da pieguice, como em ‘Far Afghanistan’, uma ode pacifista sobre os combates de tropas norte-americanas no Afeganistão: “Depois de 11 de setembro, lá vem o Tio Sam / Outra lição dolorosa no longínquo Afeganistão”.

James Taylor é um compositor que não tem filtro ou autocensura; suas letras parecem sair direto de sua cabeça para os discos. Isso resulta em momentos memoráveis, e em outros nem tanto.

Mas é justamente essa honestidade que os fãs tanto apreciam nele e que o fizeram ter uma carreira tão longa e bem sucedida.

ANDRÉ BARCINSKI é jornalista e autor do livro ‘Pavões Misteriosos’ (Três Estrelas).

BEFORE THIS WORLD
QUANTO: R$ 27,90
AUTOR: JAMES TAYLOR
GRAVADORA: UNIVERSAL MUSIC

Por Folhapress

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