Dia a dia

Ao menos 20 mil pessoas sofrem de urticária e psoríase no Amazonas, segundo dados do Alfredo da Mata

Especialistas da Fundação Alfredo da Mata se reuniram para um curso de atualização científica em que o uso de novos medicamentos foi discutido – foto: Marcio Melo

Especialistas da Fundação Alfredo da Mata se reuniram para um curso de atualização científica em que o uso de novos medicamentos foi discutido – foto: Marcio Melo

Dados da Fundação Alfredo da Mata mostram que ao menos 20 mil pessoas sofrem de urticária crônica espontânea e psoríase no Amazonas. São doenças consideradas graves e que não têm cura, mas que com o devido tratamento ficam sob controle. Na manhã de ontem, a fundação, considerada referência no tratamento de doenças de pele, realizou o curso de atualização científica, com a presença do PhD, MSL da Novartis, Ricardo Moura, que na ocasião apresentou novos avanços no método de tratamento.

Entre as atualizações, Ricardo Moura divulgou dois medicamentos anti L17 como novos mecanismos de ação no tratamento, aprovados no final do ano passado, no Brasil, Estados Unidos e Europa. Sendo um para urticária crônica e outro para o a psoríase.

“Estudos clínicos mostraram maior eficiência desses medicamentos no tratamento das doenças e no alívio dos sintomas, que resultaram na aprovação em três países. Hoje, é apenas a apresentação das drogas, para posteriormente, após avaliação da direção da Fundação Alfredo da Mata, ser implantado no tratamento. Até então são usados medicamentos para psoríases da categoria anti TMF e anti 1223. Para urticária, os médicos controlam com histamínico de última geração”, disse.

O PhD explica que as doenças são crônicas e que aparecem e entram em emissão espontaneamente, comprometendo a qualidade de vida do paciente. Atualmente, ainda não é possível afirmar quanto tempo o doente leva para desenvolver os sintomas tanto da urticária quanto da psoríase. Entretanto, estudos preliminares apontam que alguns pacientes levaram de seis meses até 5 anos para demostrarem os sintomas. No geral, a pesquisa revela ainda que esse tempo pode se estender até 50 anos.

“São doenças graves, que afetam vários aspectos da vida dos pacientes, tanto a pessoal quanto social e profissional, comprometendo a autoestima e gerando desconforto enorme e a perda de sono. Não existe uma prevenção, pois não são doenças contagiosas, são enfermidades de fundo inflamatório que envolve algum distúrbio imunológico. No caso da urticária crônica, cerca de 1% da população é atingida, afetando mais as mulheres do que os homens. A proporção gira em torno de 1 homem para 2 mulheres com a doença. No caso da psoríase, a prevalência é bastante variável, dependendo da população que está sendo estudada. Como no Brasil ainda não existe um estudo de prevalência, segue a prevalência mundial, que é de cerca de 2% da população”, ressaltou Ricardo.

A diretora do departamento de pesquisa da fundação, Mônica Nunes, destacou que, somente em 2015, foram registrados 444 novos casos da psoríase, no Amazonas. Uma série histórica mostra ainda que de 2005 a 2015, em torno de 1,8 mil pacientes estão em acompanhamento regular. Este ano, 216 casos já foram diagnosticados. Um breve levantamento sobre a urticária, que teve início há pouco mais de um mês, releva que 35 pacientes de Manaus iniciaram o tratamento este ano.

Mônica ressalta que as doenças podem ser provocadas por fatores genéticos ou situações externas, como alimentos, medicamentos ou outros produtos. Daí a importância de um especialista para obter um diagnosticar correto, que encaminhe o paciente para um tratamento com uma medicação mais moderna.

“A psoríase pode ser leve, moradora ou grave. Dependendo do nível da doença, os pacientes podem ser tratados em unidades secundarias básicas, mas se o caso requer tratamentos sistêmicos, orais ou injetados, deve ser encaminhado para o Alfredo da Mata. As doenças podem ser notadas por uma lesão de pele, relativamente fácies de ser diagnosticas, difícil é o controle. Somente o dermatologista é capaz de fazer o diagnóstico correto e orientar o melhor tratamento. Urticárias são placas que ocasionam lesões na pele, popularmente conhecidas como alergia. Já a psoríase provoca lesões mais elevadas, graves, que descamam a pele e que provocam muito incomodo. Como não tem cura, os pacientes permanecem em acompanhamento contínuo”.

O diretor-presidente do Alfredo da Mata enfatizou que o índice de pessoas que sofrem com as doenças é considerado bastante significativo, levando em consideração a população do Amazonas, que é de pouco mais de 2 milhões de habitantes. Ele destaca a importância de realizar curso, capacitação e modernização no sistema de tratamento de doenças de pele.

Por Gerson Freitas

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir