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Antecipação do 13º do funcionalismo deve injetar R$ 203 mi na economia do AM

Comércio de Manaus deve atrair maior parte dos gastos dos funcionários públicos da capital e do Estado com o pagamento do 13º salário – foto: Alberto César Araújo

Comércio de Manaus deve atrair maior parte dos gastos dos funcionários públicos da capital e do Estado com o pagamento do 13º salário – foto: Alberto César Araújo

Diante das incertezas dos setores privados sobre o adiantamento da primeira parcela do 13º salário dos trabalhadores no meio do ano, no setor público, a prefeitura de Manaus e o governo do Amazonas confirmaram que programaram o pagamento de 50% do benefício aos servidores nas suas folhas de julho, como nos anos anteriores.

Juntos, município e Estado pagarão R$ 203 milhões, o que possibilitará segundo os representantes do empresariado e um reaquecimento nas vendas do comércio e na produção de bens no Polo Industrial de Manaus (PIM).

Segundo o presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Ismael Bicharra, como o comércio local não anda bem das pernas, o adiantamento da primeira parcela do benefício aos trabalhadores não deverá ocorrer na maioria das empresas do setor.

“Estamos na situação de queda nas vendas. O empresário tem até 20 de novembro para adiantar. E como o cenário não está favorável para esse tipo de recurso tanto o comercio como a indústria acredito que a maior não vai conseguir”, avaliou.

Vendas em queda

Com a queda no volume de vendas, Bicharra observou que os empresários do comércio deverão direcionar recursos para o pagamento apenas dos impostos e da folha comum, sem o adiantamento.

“Muitos empresários do setor antecipavam em julho junto com o Estado e o Município. Mas, nesse momento a liquidez não deve permitir que as empresas antecipem”, apontou.

Como o prazo legal para o adiantamento é novembro, o presidente da ACA disse que será mais fácil para os empresários, uma vez que, geralmente o segundo semestre para o setor é melhor que o primeiro.

“A nossa expectativa é que, mesmo com outro aumento de energia elétrica e do combustível já anunciadas pelo governo – que aumentarão o preço das mercadorias -, não acreditamos que vamos conseguir qualquer tipo de crescimento nesse ano. Claro que teremos resultado melhor que no primeiro semestre, mas não chegaremos perto do resultado do ano passado”, disse.

‘Poder de fogo’

Na indústria o presidente do Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, disse que não sabe se os empresários vão ter ‘poder de fogo’ para antecipar a primeira parcela do benefício aos seus trabalhadores.

“Todas as empresas deverão cumprir a legislação, agora se vai antecipar ou não é uma decisão de cada empresa. Mas não se viu nenhuma movimentação nesse sentido”, comentou.

O vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, também não tinha números para apontar o valor que o setor teria para adiantar da primeira parcela do 13º salário. Ele disse, contudo, que pelo menos mais de 50% das empresas do PIM se esforçarão para pagar o benefício na busca de não sobrecarregar a sua folha de pagamento no final do ano.

“As empresas que estão podendo adiantar elas não sobrecarregarão a sua folha no final do ano, em novembro e dezembro, numa época que também entra as férias do final do ano e salário do mês, que é um peso muito grande sobre as folhas das empresas”, observou Azevedo.

Embora seja o maior beneficiado potencial, comércio não deve seguir o exemplo do setor público em ano de 'vacas magras' e sinaliza deixar pagamento para depois

Embora seja o maior beneficiado potencial, comércio não deve seguir o exemplo do setor público em ano de ‘vacas magras’ e sinaliza deixar pagamento do benefício a seus trabalhadores para depois

 

No setor público, as pastas responsáveis pelo pagamento das folhas asseguraram que, mesmo com aperto nas receitas, a prefeitura de Manaus e o governo do Estado manterão o adiantamento da primeira parcela do 13º salário aos servidores.

De acordo com assessoria da Secretaria de Estado da Fazenda do Amazonas (Sefaz-AM), assim como nos anos anteriores, o governo do Amazonas fará o pagamento, na ordem de R$ 150 milhões, na folha de julho.

O Estado passa por um momento de dificuldades na arrecadação. Tanto que, em meados de abril, pediu paciência aos servidores com relação data base das categorias para recuperar receita e voltar a negociar reajustes somente no mês de setembro.

A Secretaria Municipal de Finanças, Tecnologia da Informação e Controle Interno (Semef) informou, por meio de nota, que a prefeitura de Manaus possui recurso para efetuar o pagamento do benefício a todos os servidores.

Segundo o titular da Semef, Ulisses Tapajós, o município se programou para garantir o que o pagamento seja realizado junto ao vencimento de julho.

“A prefeitura se programou e reservou o recurso para pagamento da primeira parcela. Os servidores receberão seu adiantamento, assim como acontece todos os anos”, assegurou.

Por Emerson Quaresma (Jornal EM TEMPO)

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