Economia

Amazonenses sofrem com demora da reposição de peças de importados

Os proprietários sofrem com a falta de peças no mercado de reposição - foto: Luis Henrique

Os proprietários sofrem com a falta de peças no mercado de reposição – foto: Luis Henrique

Nos últimos anos, em Manaus, o número de concessionárias de carros importados triplicou. Grandes marcas como Audi, Jeep, BMW e Mitsubishi, por exemplo, abriram franquias na cidade, e apesar do volume de aquisição de veículos, proprietários sofrem com a falta de peças no mercado de reposição.

O advogado Marcelo Palhano Sanches, 37, conta que a sua Pajero Full, da Mitsubishi, com pouco mais de um ano, começou a ficar com as paredes enferrujadas. Segundo ele, a concessionária foi solícita, mas a fábrica mesmo não cobriu a garantia como deveria. “Meu carro já está há três semanas no reparo e ainda estão estudando o caso. E eu acho que tudo isso serve apenas para que eles ganhem tempo”, comenta.

O bancário aposentado José Augusto, 68, dono de um carro da marca Mitsubishi, conta que devido a um problema de uma peça do sistema de amortecedores do seu carro, modelo 2011/2012, foi preciso efetuar o cancelamento do serviço da garantia para que seu entrave fosse resolvido com maior eficiência.

“Na garantia a demora é ainda maior. Eu tive um problema no rolamento do amortecedor, e peças distintas são muito difíceis de ter em estoque. Geralmente são mais de 45 dias para que a peça chegue. A burocracia é muito grande e isso acaba fazendo com que a gente compre peças que não são originais”, explica Augusto.

O especialista em faltas e avarias do Porto Chibatão, Bruno Souza, 26, viveu problemas semelhantes com o seu Citroën, modelo C3. Na falta das peças originais ele recorreu à adaptação. “Precisei de um coxim (absorve vibrações) para o motor do meu carro e não encontrei. Me informaram que iria demorar mais de um mês e eu não estava disposto a ficar sem carro. Então um mecânico adaptou com uma peça de um modelo diferente”, diz.

O diretor de pós-venda da Mitsubishi Motors, Clayton Zumero, diz que a demora do frete ocorre por conta de burocracias na Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz-AM) e na Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). “O que faz a gente perder tempo é a burocracia. E por essa questão trabalhamos com estoque de peças que mais se trocam nos veículos, para atender até 75 dias. Nosso estoque está avaliado em R$ 2 milhões em peças”, concluiu.

O secretário executivo da Receita da Sefaz-AM, Jorge Jatahy, afirma que a demora acontece por problemas ligados à própria empresa que realiza o pedido. “Nosso procedimento é todo automatizado. Se recebemos uma mercadoria no porto, a liberação não demora mais que 15 minutos. O que acontece é que muitas vezes existem pendências de débitos na empresa ou a falta de apresentação de documentos”, esclarece.

A Suframa informa que desconhece casos de atraso de liberação de notas e que todas elas estão sendo liberadas de acordo com os procedimentos e normas padrões da autarquia.

Por Luis Henrique

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