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Amazonenses irão representar o Brasil no Mundial de luta olímpica em Salvador

Diene e Thalia irão respresentar o Amazonas e o Brasil no Mundial de luta olímpica - foto: Ione Moreno

Diene e Thalia irão respresentar o Amazonas e o Brasil no Mundial de luta olímpica – foto: Ione Moreno

É de igual para igual que elas dividem o tatame com lutadores experientes nos treinos, as vésperas do Campeonato Mundial de Luta Olímpica. Dos oito lutadores amazonenses convocados para compor a seleção brasileira, quatro meninas carregam a esperança da conquista de medalhas no torneio, agendado para agosto, no estado da Bahia.

No grupo, Diane Martins, 18, e a parintinense Thalia Lopes, 17, também são promessas de medalha para as Olimpíadas de 2016 e 2020.

O talento da dupla já rendeu premiações em outras disputas internacionais. Diane ficou em segundo lugar no Pan-americano de 2014, em Recife. Já Thalia no primeiro ano de disputa em 2013, no Pan da Colômbia, conquistou o quarto lugar e ano passado abocanhou o bronze no mesmo torneio realizado em Cuba.

Para fazer bonito nas competições, a dupla, junto ao restante da equipe, treina três vezes por dia às 7h, 9h e 13h na quadra de lutas da Vila Olímpica de Manaus, zona Centro-Oeste.

“Também corremos a noite para bater o peso e ter uma preparação melhor. No mundial vêm equipes de muitos países e temos que ter uma preparação muito boa, porque são países com tradição muito forte na luta olímpica”, analisou Diane.

Apesar de competirem em categorias diferentes – Diane no estilo livre 44 quilos e Thalia no estilo livre 51 quilos – ambas possuem histórias semelhantes de superação e coragem em se envolver em um esporte predominantemente masculino.

Foi escondido dos pais que Diane começou a praticar a luta olímpica em 2010. Ela conheceu o esporte em um projeto social próximo de casa, no bairro Cidade Nova, Zona Norte, que incentivava a modalidade, gostou e não parou mais.  “Eu treinava escondido quando meus pais iam trabalhar. Minha mãe e meu pai não davam muito apoio, até meu professor ir em casa conversar, explicar como era. Depois disso, eles perceberam que eu queria muito e começaram a me apoiar. Hoje todo mundo me entende em casa, até quando eu estou perdendo peso, e fico com aquele mal humor”, disse a menina.

Após conquistar o apoio dos pais, Diane aprendeu a driblar o preconceito dentro do tatame. “Agora não tem muito preconceito, mas antes tinha. A mulher não era muito bem vista, quando a gente chegava aos campeonatos, de repente pelo nosso jeito ‘entroncadinha’, havia o preconceito. Mas agora o estilo livre feminino esta sendo mais visto, principalmente após a Joyce Silva ser ouro no pan de Toronto”, ressaltou a menina.

Além dos treinos diários, a atleta também participa de uma verdadeira maratona, na  corrida em busca de patrocínio. “Patrocínio é muito difícil em Manaus, a luta olímpica não é muito vista ainda. Por isso focamos nos treinos, vemos família só nos fins de semana para conseguir bons resultados. A gente recebe bolsa quando ‘medalha’, agora está difícil, os recursos não estão saindo, mas a gente continua treinando”, disse.

Apesar das dificuldades, a menina pretende investir na carreira, se preparando para disputar os Jogos Olímpicos em 2020. “O pessoal do Rio de Janeiro esta visando mais o Amazonas, por termos mais resultados lá fora. Então estão querendo trabalhar a gente para 2020, para disputar Olimpíadas”, comemorou.

Por Ive Rylo

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