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Amazonenses fogem da rota do furacão na Flórida

Na espera do Furacão Irma, tempestade anunciada como a maior da história a manter por mais de 24 horas, ventos de cerca de 297 Km/h, no Atlântico, a psicóloga amazonense Odicléa Sahdo, de 46 anos, moradora da cidade de Pompano Beach, a 30 Km de Miami, na Flórida, nos Estados Unidos, decidiu sair da cidade e tomar o rumo do Alabama, estado que, por enquanto, está fora da fúria da tempestade.

Morando nos Estados Unidos, há menos de seis meses, Odicléa conta que nunca passou pela experiência de enfrentar algo dessa magnitude e não quis esperar para ver. Assustada com as previsões, ela, o marido, a filha e o genro decidiram deixar a Flórida. Viajaram por mais de 17 horas por uma autoestrada, em direção ao Alabama, onde chegaram nesta quinta-feira (7) e ficarão hospedados em um hotel, até que o furacão passe e possam voltar para casa.

Autoestradas na Flórida repletas de carros que fogem do furacão -foto: Reprodução

Como ela, milhares de americanos decidiram fugir do furacão. Na estrada, ela diz que o trânsito era lento e havia muita gente nervosa. Em vários lugares, não havia mais água e nem combustível. “Ficamos apavorados. Viemos de Manaus há pouco tempo e nunca presenciamos um fenômeno desse nível. Sinto-me segura por estarmos distante dos locais por onde o furacão vai passar, mas estamos preocupados com todos que estão a mercê disso. Pedimos a Deus que a tempestade perca força e não cause a catástrofe que está sendo prevista”, disse à reportagem.

Segunda experiência em furacões

A designer gráfica amazonense Míriam de Santiago, de 38 anos, moradora da cidade de West Palm Beach, há 116 Km de Miami, disse que soube do furacão há uma semana. De olho na televisão, espera que o furacão diminuía de intensidade ou desvie o curso, saindo da rota da Flórida. “Miami e o estado da Flórida estão em pânico, desde que o governador declarou estado de emergência, há três dias”, relatou.

Miriam tem experiência em enfrentar furacões. Em 2005, quando o furacão “Wilma” arrasou o Sul da Flórida, ela morava em Pompano Beach e viu de perto o que o fenômeno pode causar em termos de destruição. “Não ficou uma árvore em pé, ficamos sem energia por 10 dias. As casas americanas, em sua maioria, são todas elétricas, até mesmo os fogões, então não se podia nem fazer comida”, relatou.

Previsão é catastrófica para a área de Miami –

Sobre os preparativos para enfrentar o maior furacão de todos os tempos, Miriam conta que tomou todas as precauções, como todos que decidiram ficar em casa. “Sabemos que esse é muito maior, mais forte e mais veloz. Instalamos protetores contra furacões em todas as janelas e portas, compramos lanternas e baterias, carregador portátil para celular. Nossos documentos importantes estão todos em sacola de plástico, seladas. Temos estoque de comida enlatada para durar por pelo menos cinco dias, além de água para beber e para higiene pessoal. Os tanques dos carros também estão cheios de gasolina. Se faltar eletricidade, os postos não funcionam”.

Na cidade de West Palm Beach ainda não chegou aviso para evacuação total, porém a família de Miriam sabe que terá que ir para um abrigo, se o prefeito ordenar que as pessoas deixem suas casas.

Prateleiras nos supermercados desabastecidas -foto: Marcos Sarquis

De acordo com Míriam, as casas na Flórida são preparadas para enfrentar tempestades. “O código de construção mudou, desde a passagem do furacão Andrew, que arrasou Miami há 25 anos. Hoje as casas são mais sólidas e construídas com janelas e portas que podem sustentar ventos fortes. Porém, em se tratando de natureza, sabemos que não estamos cem por cento seguros”.

 

Maioria das casas estão com protetores contra furacões -foto: Miriam de Santiago

Amazonenses em férias

A estudante de Direito amazonense Luciana Barros, de 19 anos, foi passar férias nos Estados Unidos pela primeira vez, com a família do namorado. Com plano de ficar 10 dias em solo americano, foi surpreendida pela notícia do furacão. Com o cancelamento dos vôos por parte das companhias aereas, não sabe quando volta ao Brasil.

“Eu havia planejado ir para Miami ontem, mas desistimos com as notícias do furacão. Tivemos que mudar de hotel e procurar outro mais seguro. Já fomos ao mercado e fizemos estoque de comida, caso algo aconteça. Encontramos filas quilométricas para conseguir água, pessoas desesperadas por comida, não havia mais pão e nem frutas. Por aqui o tempo está muito instável”, disse.

Furacão: 

Com ventos de cerca de 300 km/h, o furacão Irma já deixou pelo menos 12 mortos, inundou ruas e avenidas, destelhou casas e derrubou árvores em Antígua e Barbuda, e nas ilhas de Saint Martin, Saint Barts e Anguilla, no Caribe. Descrito pelos meteorologistas como uma tempestade de categoria 5, “potencialmente catastrófica”, o Aima está na maior classificação dos EUA para furacões.

Gláucia Chair
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