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Amazonenses estão no caminho para ser referência nacional na Luta Olímpica

Técnico cubano em sua primeira aula de luta livre, em Manaus, em 2014. Ele é um dos responsáveis pela subida de patamar, do Amazonas, na modalidade – foto: Sejel

Técnico cubano é um dos responsáveis pela subida de patamar, do Amazonas, na modalidade – foto: Divulgação

A luta olímpica do Amazonas se tornou referência no cenário nacional, nos últimos três anos. E o pontapé inicial de todas as conquistas foi dado durante a participação dos lutadores amazonenses nos Jogos Escolares da Juventude, em 2013, que estrearam mostrando potencial no tapete, ao conquistarem duas medalhas de ouro, duas de prata e duas de bronze. Desde lá a modalidade só cresce. A chegada do técnico cubano Dagoberto Arbolaez, em 2014, potencializou a evolução.

Em entrevista ao PÓDIO, o diretor técnico da Federação Amazonense de Luta Livre (Falle), Waldeci Silva, comentou um pouco sobre todas estas conquistas, que fizeram a modalidade se tornar uma grande referência para outros Estados do Brasil.

Para Waldeci Silva, o talento sempre esteve presente no DNA dos amazonenses, mas os investimentos feitos após a estreia dos jovens lutadores nos Jogos Escolares da Juventude, foi o “empurrão” que faltava para a arte marcial crescer ainda mais no Estado.

“A luta olímpica no Amazonas sempre foi muito boa, mas após as conquistas que tivemos com os meninos, nos Jogos Escolares da Juventude, em 2013, tudo mudou. A Sejel (Secretaria de Estado da Juventude, Esporte e Lazer) juntamente com a Falle e a Confederação Brasileira de Lutas Associadas (CBLA), passaram a investir mais em intercâmbios, engrandecendo ainda mais o potencial dos nossos atletas”, afirma Waldeci.

Outro fator importante para alavancar mais o potencial dos amazonenses na luta olímpica foi a chegada do cubano Dagoberto Arbolaez, em fevereiro de 2014, conhecido por formar diversos campeões mundiais e medalhistas olímpicos. Na época, a vinda de Arbolaez era apenas um intercâmbio temporário, que visava bons rendimentos para os atletas se classificarem para os jogos olímpicos da Rio 2016, mas com o avanço nas técnicas dos lutadores, a presença dos cubanos ficou ainda mais marcante com o crescimento de vitórias, do Amazonas, em campeonatos nacionais e internacionais.

Hoje, a equipe liderada pelo professor Dagoberto, também conta com a presença de peso dos técnicos Elio Pacheco e Jorge Luís Lao, que também são cubanos, e cuidam da preparação da seleção amazonense.

Elio Pacheco está no Amazonas há 8 meses, e atuou como técnico em Cuba, México, Irã e Venezuela. Só pela equipe cubana foram mais de 20 anos de carreira, com a conquista de 15 títulos mundiais consecutivos.

“Tenho mais de 30 anos de experiência e posso avaliar o Amazonas como uma grande equipe. Todos estão muito bem preparados, e as chances de termos um campeão olímpico está cada vez mais próximo, pois o potencial desses meninos é enorme. Fico feliz em poder contribuir com os meus ensinamentos, e poder moldá–los, pois talento eles têm de sobra”, declara Pacheco.

Quem também chegou a Manaus há cerca de 7 meses, para reforçar a equipe amazonense, foi o professor Jorge Luís Lao, 40, que foi campeão mundial pela equipe cubana, entre os anos de 1989 e 2009. Ele, que também foi aluno do professor Dagoberto, declara que é uma honra poder dividir todos os ensinamentos aprendidos com o mestre para os amazonenses, que são grandes promessas da luta tanto no Brasil como no exterior.

“Tive a oportunidade de me consagrar campeão mundial por vários anos consecutivos, e poder repassar os ensinamentos aprendidos em Cuba para meus alunos brasileiros é uma enorme honra, ainda mais ao lado do Dagoberto, que foi meu treinador por muito tempo quando eu ainda era atleta. Vejo muito potencial em todos, e muito talento na luta entre os amazonenses, que sem dúvida ainda serão grandes nomes no cenário mundial”, diz.

Projeto Tóquio 2020 é uma realidade

ímpica do Amazonas não teve representante nos Jogos Olímpicos da Rio 2016. Mas a bola que antes bateu na trave, agora tem grandes chances de entrar no gol, ainda mais após a conquista de oito medalhas durante o Campeonato Brasileiro de Wrestling Sênior, disputado no final de semana passado. Após os bons resultados, a equipe se prepara para a seletiva nacional, que será realizada em janeiro do ano que vem, onde os primeiros colocados de cada categoria ganharão vaga na seleção brasileira da modalidade, se aproximando ainda mais dos Jogos de Tóquio, em 2020.

“Nossos atletas são muito bons, e estão praticamente com tudo nas mãos para a garantia de uma vaga na seleção. Todos eles são destaques, tanto que para mim fica até difícil falar somente de um. Mas acredito que o David Moreira (até 61 quilos), Paulo Victor (até 125 quilos) e Lucas Machado (até 70 quilos) tenham chances maiores de disputarem as olimpíadas de Tóquio, devido ao preparo que ambos vêm adquirindo desde pequenos”, declarou Waldeci, que ainda dedicou todas as conquistas da equipe ao antigo presidente da Falle, José Falabella.

Após o título nacional, os próximos passos do ciclo olímpico dos lutadores será garantir boa pontuação na seletiva nacional de Wrestling, em janeiro do ano que vem, e no Campeonato Brasileiro da CBLA, eventos importantes para pontuação de índice olímpico.

“Estes dois eventos são importantíssimos para nós, pois é onde temos a chance de mostrar todo o nosso potencial e garantir pontuação no índice para ir aos Jogos Olímpicos. Agora, a conquista dessas vagas só depende deles, pois é preciso foco e atenção em cada passo dado nesta jornada olímpica, mas confio no potencial de cada um”, afirmou Waldeci.

Wal Lima
Jornal EM TEMPO

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