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Amazonense supera doença rara e vai representar o país nas paralimpíadas, no Rio

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Laiana integra a seleção brasileira desde 2015 e, desde então, já conquistou duas medalha – foto: Márcio Melo

Aos 33 anos, Laiana Rodrigues Batistas passa por uma das melhores fases de duas vidas. Convocada para representar a seleção brasileira nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, a amazonense acabou de assinar um contrato com o Sesi-SP (Suzano), clube que defenderá durante o próximo ciclo olímpico – quatro anos. Mas para realizar tais sonhos, a educadora física teve de superar as dificuldades da vida e “nascer de novo”.

Praticante do vôlei durante a adolescência, Laiana viu a oportunidade de seguir carreira como esportista desaparecer quando, aos 18 anos, sofreu uma dengue hemorrágica, que acabou manifestando a síndrome de Guillain-Barré, doença neurológica que afeta as mielina das bainhas musculares, deixando sequelas como atrofiamentos e enfraquecimento muscular.

“A característica dela em si é como se fosse a de um derrame, ela vai fazendo com que a pessoa tenha disfunção muscular de inervação, que, às vezes, pode ter ou não essa lesão para sempre ou, dependendo da idade que se tenha, você pode reverter 100% ou não, como eu”, diz Laiana, que ficou com sequela na perna direita e conseguiu reverter os danos em 60% na perna esquerda.

A doença parecia o fim para a então adolescente. Após concluir o ensino médio e estar estudando para ingressar na universidade, a depressão “grudou” na hoje atleta, que, sem poder andar, ainda teve de lidar com uma leve perda de visão e audição do lado direito. A motivação, porém, veio de quem esteve ao seu lado durante toda a luta contra a Guillain-Barré: sua mãe.

“Confesso que no início não foi nada como fácil. Era como se eu tivesse morrido e nascido de novo, ou seja, tive que reaprender tudo. Eu via minha mãe chorando, orando por mim, via que não dava para continuar daquela forma, não tinha nascido para estar naquela cama. Foi quando me joguei no chão e, mesmo não sentindo as pernas, pegava nas arestas das janelas e tentava levantar de todas as formas. Quando consegui a primeira vez, renasci”, recorda a atleta.

Novo amor

Apaixonada pelo voleibol, esporte que praticava desde os 14 anos, Laiana desistiu da modalidade por conta da sequela. Antes de se “apaixonar” pela educação física, ela chegou a fazer quatro módulos do curso de técnico de enfermagem. O encanto durou até visitar os corredores do hospital 28 de Agosto e se deparar com algumas pessoas em estado mais grave.

“A professora Lilian Valente (hoje coordenadora dos Jogos Escolares do Amazonas) reapareceu na minha vida (ela treinou Laiana durante a adolescência), dizendo que era a coordenadora do curso de educação física de uma universidade, e que podia me ajudar. Mas achei que aquilo não dava para mim. Ela me convenceu. Já tinha feito a inscrição no vestibular, marcado o dia e a hora e fui fazer, forçada, não era porque gostava. Fiz, passei e quando entrei no curso, foi amor à primeira vista”, conta a professora.

Formada, Laiana conheceu o voleibol sentado somente em 2014, quando trabalhava com portadores de necessidade especiais na Secretaria de Estado dos Diretos das Pessoas com Deificiência. Em 2014, durante um curso de capacitação às vésperas do Jogos Adaptados André Vidal de Araújo (Javas), ele conheceu Amauri Ribeiro, presidente da Associação Brasileira de Vôlei Paralímpico (ABVP), quem a convidou para fazer parte da seleção feminina da modalidade.

Por André Tobias

2 Comments

2 Comments

  1. Pingback: Esperança de medalha | Muitos Somos Raros

  2. João Carlos

    24 de julho de 2016 at 19:51

    O repórter que escreveu o texto tem que ser mais atento. Há erros de digitação, de gramática…

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