Dia a dia

Amazonense desmente família e diz que não é escrava sexual no Suriname

A nova versão se contradiz com a primeira, revelada pela família, de que ela teria aceitado trabalhar como prostituta e que lá acabou mantida como escrava sexual, em cativeiro -  foto: divulgação

A nova versão se contradiz com a primeira, revelada pela família, de que ela teria aceitado trabalhar como prostituta e que lá acabou mantida como escrava sexual, em cativeiro – foto: divulgação

A amazonense Janete Cleia Laranjeira Fraga, 32, supostamente mantida em cárcere privado e dada como desaparecida no Suriname pelos familiares no Estado, reapareceu na última sexta-feira (8).  De acordo com a Polícia Civil, a mulher informou estar no país “por livre e espontânea vontade” e que trabalha com plantio de mudas e costura. A nova versão  se contradiz com a primeira, revelada pela família, de que ela teria aceitado trabalhar como prostituta  e que lá acabou mantida como escrava sexual, em cativeiro. Os familiares  suspeitam  que Janete esteja sendo “manipulada” ao negar o caso.

Segundo a titular da Delegacia Especializada em Ordem Política e Social (Deops), delegada Catarina Saldanha, a PC entrou em contato com funcionários da Embaixada do Brasil no Suriname, por meio do agente da Polícia Federal Gilvanês Bakai, que declarou ter entrevistado Janete naquele mesmo dia e ouviu a mulher dizer que estava no Suriname por livre e espontânea vontade.

Ao EM TEMPO Online, a irmã da mulher, uma cabelereira de 33 anos, disse que Janete estaria sendo mantida no lugar como escrava sexual por um homem conhecido como “Danilo” e que ela havia entrado em contato com os parentes, em Manaus, pedindo ajuda, por meio de mensagens em uma rede social. A ocorrência foi registrada no dia 20 de junho deste ano.

O agente da Polícia Federal, Bakai afirmou que Janete compareceu no setor consular da Embaixada do Brasil, em Paramaribo, no Suriname, a fim de esclarecer o que ela julgou ser um “mal entendido”.

“Ela disse que não é mantida em cativeiro. Não é escrava sexual, que trabalha com Danilo e que o mesmo a tem ajudado muito, pois ambos trabalham produzindo e vendendo mudas de plantas em Paramaribo. Janete também declarou que trabalha desenhando e costurando roupas para pessoas no Suriname e que se sente prejudicada com as notícias vinculadas pela família no Brasil”, ressaltou Gilvanês.

De acordo com o agente da PF, a mulher teria afirmado, ainda, que a família só a procurou agora porque  não enviou mais dinheiro para o Brasil por não ter mais recursos, mas que antes ajudava os parentes financeiramente. Ainda segundo a PF, Janete argumentou que Danilo é apenas um amigo e que emprestava, eventualmente, o celular dele para que ela fizesse contato com os familiares.

“A mulher afirmou que não veio até o Brasil esclarecer o mal entendido, pois não tinha recursos financeiros, mas que se os parentes custeassem a passagem ela viria. O consulado brasileiro possibilitou o contato telefônico entre Janete e a família amazonense para que ela pudesse comunicar que está bem”, disse a titular da Deops.

Os funcionários do setor consular, Diana Dias e O’Niel Kasanoemar, acompanharam Janete e Danilo até a residência atual dos mesmos, onde constataram uma casa simples e em condições de morar, onde estão há um mês, cedida por um amigo. No terreno da casa, os funcionários verificaram as mudas de plantas que Janete e Danilo trabalham.

Por conta do contato da moça, a polícia descartou, até o momento, a condição de escrava sexual, mas o setor consular da Embaixada em Paramaribo e a unidade da Polícia Federal estão acompanhando o caso e eventuais noticiais serão repassadas à PC e aos familiares de Janete.

Suspeita

A família de Janete informou ao EM TEMPO Online que a mulher vive há cinco anos no Suriname e que não está convencida da história contada por ela. Eles acreditam que Janete esteja sendo manipulada a negar a história de que vive como escrava sexual.

Conforme a família, Janete só reapareceu após matérias veiculadas na imprensa e que, de acordo com o Consulado, a mulher deve retornar a Manaus nos próximos dias. “Ela reapareceu do nada. Não deu muitas explicações por telefone e disse que só vai contar a história pessoalmente. Só sei que esse caso não está ‘batendo’. Janete disse que foi roubada e que está sem os documentos. Como alguém fica sem nenhum documento em outro país?”, comentou a irmã  ao dizer que ela retornará à capital quando retirar novos documentos.

Contestando a informação que só haviam procurado Janete por não ter enviado dinheiro, os familiares confirmaram que ela mandava dinheiro, mas era para ajudar no sustento do filho de 15 anos que a mulher deixou, segundo a família, aos cuidados da mãe.

“Ela mandava dinheiro para o filho de 15 anos que deixou para a mamãe criar. Não consigo entender porque ela está negando essa história. Janete saiu de Manaus falando que seria prostituta no Suriname e depois entrou em contato com a gente dizendo que estava vivendo em cárcere privado. Ela está se contradizendo. Só espero que ela retorne logo para casa, porque ela merece viver de novo com a nossa família”, finalizou.

Por Kattiúcia Silveira e assessoria

 

 

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