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Amazonas revela campeões da luta; o segredo está ligado ao DNA

Amazonense José Aldo lutando no UFC, onde foi campeão durante 10 anos – foto: Divulgação

Amazonense José Aldo lutando no UFC, onde foi campeão durante 10 anos – foto: Divulgação

O Amazonas é um grande celeiro de campeões do mundo da luta. A prova disto são atletas como: José Aldo, Ronaldo Jacaré, Adriano Martins, Dileno Lopes e Ronys Torres que conquistaram os octógonos mais desejados do MMA. Mas o que faz do amazonense um casca grossa por natureza? O segredo para todo este sucesso pode estar diretamente ligado ao DNA dos nativos, herdado de antigos povos indígenas aliados ao nosso fator climático e culinária local.

O preparador físico Leonardo Corrêa, que atua como ortopedista no Centro de Treinamento de Alto Rendimento do Amazonas (CTARA), na Vila Olímpica de Manaus, confirma que nossa individualidade biológica, ou seja, o DNA, seja um forte aliado para as disputas.

“Temos muitos fatores aliados ao nosso favor, um deles está diretamente ligado ao nosso DNA. Agora se juntarmos esta individualidade biológica como nosso clima tropical, disciplina, foco e o apoio de uma equipe interdisciplinar, este atleta irá evoluir ainda mais e em pouco tempo. A prova disso é a lutadora Maria Taba, que recentemente se tornou um dos grandes destaques do judô amazonense, ao conquistar em apenas um semestre cerca de seis títulos, entre Pan-Americano, Sul-Americano e competições locais. Isto tudo foi conquistado devido ao acompanhamento físico, aliados a uma boa alimentação”, destaca.

Na visão de outro especialista do assunto, o ortopedista Rafael Benoliel, além do DNA, outro forte aliado dos atletas amazonenses é o forte potencial psicológico que eles adquirem em meio a tantas adversidades enfrentadas ao longo de suas carreiras, com a falta de apoio, dificuldades para alcançarem outros patamares e a distância da família devido as frequentes mudanças para garantirem o futuro de suas carreiras.

“Em relação ao DNA, acho que a correlação que podemos fazer diz respeito à grande miscigenação que nós passamos ao longo dos anos, resultando em seres humanos com estrutura física mais vigorosa e resistente. Os amazonenses possuem uma estrutura física diferente, com massa muscular hipertrofiada e baixos índices de gordura, que são atributos comuns para o mundo da luta. Agora junte todos estes fatores com tudo que os atletas passam até atingirem suas conquistas, até por serem de uma localidade com pouco incentivo ao esporte, tendo muitas vezes eles saírem daqui e irem para outros estados. Juntando genética e reforço psicológico qualquer limite é superado”, afirma.

Um exemplo vivo de todas estas afirmações é o lutador de MMA Ronys Torres, que com apenas 17 anos saiu de casa para morar no Rio de Janeiro (RJ) em busca de conquistas no mundo da luta.

Desde cedo ele lutou dentro e fora dos octógonos, para realizar um sonho, o de ser lutador de MMA. O tempo passou, e Ronys se tornou um dos maiores lutadores do país, chegando a lutar inclusive no maior evento de lutas do mundo, o UFC.

Para ele, além da força de vontade dos atletas de se tornarem grande campões do mundo da luta, outro grande aliado de quem pratica esporte no Amazonas é a culinária local, que mantem os atletas fortes para os treinos e batalhas.

“Não foi à toa que o Amazonas se tornou um celeiro de grandes atletas e atraiu os olhos do mundo. Nosso estado hoje é um espelho para todos quando o assunto é luta, e isto em si já é um estímulo para quem vive aqui, aumentando a força de vontade daqueles que tem o sonho de ser tornarem lutadores. Eu costumo dizer que somos grandes guerreiros por nossas lutas diárias, enfrentando dificuldades e grandes desafios. Mas não podemos deixar de lembrar da nossa culinária, que é rica em fibras e proteínas, com nossos deliciosos peixes amazônicos, que nos mantêm firmes e fortes para os treinos e disputas”, declara Ronys Torres.

Outra modalidade que ganhou reconhecimento nacional foi a luta olímpica, e um dos principais representantes da modalidade no Amazonas, é o sargento da Polícia Militar Tasso Alves. Ele que foi um dos representantes que brilhou nas seletivas para a Rio 2016, e chegou perto de levar o nome do Estado para as disputas. De acordo com Tasso, o interesse e o sucesso dos amazonenses no mundo da luta estão diretamente ligados aos povos indígenas, e isto pode ser evidenciado pela tradicional arte marcial, huka huka, criada pelas tribos Bakari e Xingu.

“Acredito que este sucesso com a luta por parte dos amazonenses seja devido a nossos antepassados. Digo isto, porque minha mãe é de Coari, e meu pai aqui de Manaus, e vejo como essa mistura e o sangue caboclo contribuíram para meu crescimento. Tenho orgulho de dizer que tenho raízes indígenas, e quando me recordo disto, me vem à mente a tradicional luta das tribos Bacari e Xingu, a Huka Huka, pois esta luta é muito parecida com a luta olímpica e pode ser um dos fatores pelo qual a modalidade tenha crescido tanto nos últimos tempos”, destaca.

Por Wal Lima

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