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Amazonas registra mais de 50 mortes por desnutrição nos primeiros oito meses de 2016

Falta de uma alimentação rica em nutrientes pode contribuir para os casos de desnutrição, assim como problemas patológicos que causam ao paciente vômito ou diarreia – foto: Márcio Melo

Falta de uma alimentação rica em nutrientes pode contribuir para os casos de desnutrição, assim como problemas patológicos que causam ao paciente vômito ou diarreia – foto: Márcio Melo

A falta de uma alimentação adequada ou até mesmo um problema patológico vem provocando o aumento de mortes por desnutrição, este ano, no Amazonas, situação que não era vista desde 2012, quando o Estado registrou o maior índice de óbitos, em virtude da doença, após o início do levantamento pela Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam).

Os dados mostram que somente nos primeiros oito meses de 2016, 56 pessoas morreram, vítimas de desnutrição. O levantamento revela ainda que ao contrário do que a maioria da população pensa, a doença mata mais o público com faixa etária acima de 60 anos. Em seguida, estão as crianças de 0 a 5 anos de idade.

A coordenadora da área de nutrição da Susam, Joselina Alves, explica que mesmo os dados deste ano ainda não estando fechados, os números já são considerados alarmantes. Em 2012, o órgão registrou 92 mortes, sendo 66 casos em idosos e 26 em crianças. Neste ano, até o mês de agosto, a Susam já teve conhecimento de 33 casos de óbitos em pessoas com idade acima dos 60 anos e 16 casos tendo como vítimas crianças menores de 5 anos, por isso a preocupação com a doença.

Por se trata de uma doença multifatorial, a desnutrição é composta por dois estágios, sendo a primária, provocada por falta de nutrientes e uma alimentação inadequada e a secundária, que surge quando o paciente por algum motivo apresenta problemas patológicos que causam vômito ou diarreia.

“Tudo isso precisa ser investigado mais profundamente. Neste momento, não temos como precisar o motivo. Temos que investigar a questão, se foi primária ou secundária, que provocou essas mortes. Só após esse procedimento poderemos dar um diagnóstico fechado deste assunto. Há 10 anos, existe um comitê que investiga todo caso de óbito de crianças, mas é de modo geral e não específico. Devido essa demanda, vamos priorizar esse diagnóstico. Os próprios hospitais irão se aprofundar”, observa.

Gestação

Joselina explica, ainda, que a desnutrição pode ser provocada também por outros fatores que estariam ligados à gestação. Segundo ela, se a mãe não tiver realmente um acompanhamento certo durante a gestação, no caso, a realização do pré-natal desde os primeiros meses, a criança provavelmente poderá ser acometida de algum problema de saúde, o que deve acarretar a desnutrição, fazendo com que a criança nasça com baixo peso, influenciando no desenvolvimento. A especialista frisa que, a vida alimentar do ser humano começa dentro do útero da mãe. Se a gestação for acompanhada, a criança não terá esse problema, e dificilmente apresentará alguma deficiência patológica.

“A amamentação até o sexto mês deve ser exclusiva, após isso a criança deve ter uma alimentação complementar, com porte nutricional maior. Uma alimentação balanceada em quantidade e qualidade precisa ser inserida na vida da criança e até mesmo do idoso”, orienta.

Por Gerson Freitas

 

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