Dia a dia

Amazonas registra mais de 300 crimes de ódio em 2015, sendo o de racismo o mais recorrente

Mulheres e os homossexuais afrodescendentes são os principais alvos da violência – foto: divulgação

Mulheres e os homossexuais afrodescendentes são os principais alvos da violência – foto: divulgação

O Amazonas registrou 311 casos de crime de ódio no ano de 2015. Os dados da forma de violência que envolve racismo, homofobia e intolerância religiosa foram divulgados pela Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc) em meio às comemorações do Dia Internacional Contra a Discriminação Racial, dia 21 de março.

Segundo os números da secretaria, no ano passado, 198 casos de racismo, 93 de homofobia e 20 de intolerância religiosa foram registrados nas delegacias do Amazonas. De acordo com a secretária executiva de Políticas para as Mulheres da Sejusc, Keyth Bentes, os números podem ser ainda maiores, uma vez que em alguns casos, as vítimas não prestam queixas formais.

“É Importante destacar que a discriminação e a intolerância dividem e matam. Infelizmente, ainda tem muitos casos de racismo que não são denunciados. As pessoas precisam estar alertas para isso e fazer a denúncia, pois não podemos viver num Estado democrático de direito em que as pessoas não tenham liberdade, seja por causa da sua cor, sua crença ou sua raça”, afirmou.

De acordo com a secretária, as minorias dentro dos grupos que mais sofrem o racismo, como por exemplo, as mulheres e os homossexuais afrodescendentes, são os principais alvos da violência. “Muitos negros são discriminados por terem uma opção religiosa ou sexual diferente. Existem ainda as mulheres negras, que sofrem muito mais preconceito que os homens”, reforçou Keyth.

Realidade
Com quase duzentas denúncias, o racismo é o crime de ódio mais recorrente no Estado. Um dura realidade que está sendo mudada gradativamente, de acordo com o presidente da Associação Ganga Zumba, Luiz Fernando Costa. Para ele, o país avançou ao parar de ignorar os casos de preconceito, apesar das claras dificuldades de se abordar o tema.

“Hoje, o problema é discutido amplamente, com todas as opiniões sendo bem avaliadas, o que já é uma vitória. Claro que, ainda temos dificuldades em avançar nas discussões, mas este é um processo que será feito sistematicamente até que as pessoas consigam atingir a consciência coletiva sobre isso”, disse Luiz Fernando.

Intolerância
Os números de casos registrados de intolerância religiosa são relativamente menores, mas demandam o mesmo nível de atenção. De acordo com a praticante da tradição religiosa de Angola, Janeth Lima, o preconceito tem gerado violência desnecessária entre os grupos e só pode ser combatida com a ajuda da administração pública.

“O apoio vindo das secretarias e do próprio governo é de extrema importância para nós, os povos tradicionais de terreiro, que lutamos contra a intolerância e o ódio religioso há anos, pois vivemos em uma triste realidade de preconceito e violência física. Sem este suporte, a minoria sofreria muito mais com a exclusão por parte da sociedade”.

Com informações da assessoria

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