Dia a dia

Amazonas é o estado com maior incidência de raios e Inpe faz alerta

Em um ano, o Amazonas registrou 11 milhões de raios, seguido do Pará e Mato Grosso, com 7,8 milhões e 6,81 milhões, respectivamente – Antônio Bezerra da Costa/Arte

Um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, já dizia o ditado popular. Mas, dentre os 50 milhões de raios que caem todos os anos no país, um caso raro é alguém sobreviver sem sequelas a um acidente como este. A cada 50 mortes no mundo por raios uma é no Brasil, de acordo com o Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O policial militar Alex Monteiro é um dos sobreviventes. No ano de 2004, ao tentar desentupir um bueiro próximo a sua residência foi atingido por um relâmpago.

“Morava no bairro São Jorge, eu e meu irmão estávamos desentupindo um bueiro que estava alagando, de repente caiu o primeiro raio, meu irmão pulou para cima de uma bancada, no segundo raio eu me assustei e pulei para o meio do pátio, o chão estava molhado, peguei a descarga elétrica e apaguei. Só acordei no hospital” relatou.

De acordo com o Elat, o Amazonas é o Estado com o maior número de registros por ano, com 11 milhões de raios, seguido do Pará e Mato Grosso, com 7,8 milhões e 6,81 milhões, respectivamente.

Municípios

A maior densidade de raios ocorre nos municípios de Manaquiri, Beruri, Careiro, Anori, Manaus, Manacapuru, Maués, Rio Preto da Eva, Anamã e Coari, conforme o Inpe.

O perfil das vítimas fatais é de 82% homens e 12% mulheres, sendo a maior incidência em jovens entre 15 e 24 anos sendo 43%, crianças de zero a 14 anos que ocupam a segunda posição sendo 25% das vítimas, os adultos entre 25 e 59 são 24% e os idosos, última colocação, são a minoria apenas 8%.

Período seco

De acordo com o meteorologista do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), Ivan Saraiva, na capital amazonense os raios ocorrem com mais frequência no período seco.

“Em Manaus, os raios são mais frequentes durante a estiagem, isto é, durante o trimestre agosto-setembro-outubro. Os meses com menor frequência de raios são representativos do período chuvoso, ou seja, fevereiro a maio”, explicou.

Zonas Rurais

Em se tratando de circunstâncias fatais, o Inpe destacou que é nas atividades rurais que as mortes são mais frequentes, contabilizando 25%, sendo 19% dentro de casa, 11% próximo a um veículo, 8% embaixo de árvores e 5% jogando futebol.

Entre os anos 2000 e 2014, foram registradas 1.790 mortes por raios, fato que fez Saraiva alertar para a prevenção de acidentes. “O ideal é que, durante uma tempestade, a pessoa procure um local fechado, de preferência casas, prédios, carros. Nunca procure ficar embaixo de árvores ou postes, pois o raio procura o local mais alto ou ‘fácil’ para neutralizar as cargas. Caso esteja em um campo, o ideal é ficar agachado em posição de cócoras” destacou o especialista.

Coisas diferentes

Raios, relâmpagos e trovões são coisas diferentes. Os raios são considerados como descargas elétricas que acontecem entre as nuvens e o solo (ou entre uma nuvem e outra), em decorrência de sua polarização, que ocorre após ou antes uma tempestade.

Os relâmpagos são apenas o clarão causado pela rápida movimentação das partículas elétricas durante o processo. Como eles se movem muito rápido, também se aquecem, gerando barulho, no caso, o trovão.

Potência

Se de um lado pode ser fatal para uma pessoa, em termos quantitativos a energia que um raio transfere tem em torno de 500 quilowatts. Se você olhar a conta de luz da sua casa, vai ver que isso é pouco mais do que você consome em um mês.

Bárbara Costa
EM TEMPO

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais lidas

Subir